Utilizando a tecnologia para criar espaços que respeitem os alunos

Utilizando a tecnologia para criar espaços que respeitem os alunos

por: Entretanto

A consultora educacional norte-americana Tisha Rinker recebe constantemente o mesmo tipo de questionamento de seus colegas da rede virtual de ensino Connections Academy : “O que fazemos com os pedidos de alterações nos dados cadastrais dos alunos em nosso sistema de gestão educacional?”.

Os protocolos estabelecidos dentro deste sistema de gestão que a Connections Academy adotou para armazenar dados acadêmicos parece extremamente técnica. “Cada vez mais alunos estavam pedindo para mudar de nome”, diz Tisha, “e, na maioria das vezes, tratava-se de um aluno transgênero. Podemos facilmente alterar o nome de usuário do aluno no sistema, mas uma alteração para um nome escolhido pelo(a) aluno(a) era um desafio maior”, ela conta.

“E utilizamos este sistema para exportar informações importantes que serão incluídas no relatório de informações de avaliações do aluno. Precisamos dar um jeito nisso”.

Protegendo o Aluno

Tisha e seus colegas reuniram uma vasta gama de pessoas para encontrar uma solução. “Quais são os nossos protocolos para os primeiros nomes escolhidos, e quais são os protocolos para manter os nomes de registro e os nomes de gêneros? Nós também tivemos que pensar em protocolos legais e em quem precisa estar envolvido para fazer esta alteração. E também queríamos desenvolver um protocolo importante, que protegesse o aluno”, conta ela.

‘Nós Podemos Fazer Isso’

Agora, a Connections Academy busca lidar com solicitações de alterações de dados cadastrais relacionados às escolhas de nomes e de identidade de gênero. Só neste primeiro semestre de 2017, cerca de 50 alunos pediram para alterar estes dados.

“Discutimos da seguinte forma com os professores: Número um: nós podemos dar suporte aos pedidos de alterações, e número dois: faremos as alterações para os alunos quando eles forem matriculados em uma de nossas escolas”.

Afinal, os alunos também têm direitos civis. “Nós dizemos aos nossos professores que eles precisam adquirir a permissão dos alunos antes de compartilhar esta informação com outros funcionários da escola, o que é diferente de outros protocolos de segurança de aluno”.

Compartilhando Experiência

Tisha falou a respeito desta nova forma de pensar a individualidade dos alunos na Conferência de Educação do Sudoeste dos Estados Unidos (SXSW Edu). A sessão foi intitulada de “Os direitos do aluno transgênero na educação primária e secundária (K-12) ”.

Neste evento, Tisha foi acompanhada por Khoa Nguyen, que também trabalha na Connections Academy e está no Conselho de Direitos Humanos. De 1.300 propostas submetidas à conferência por profissionais de educação do mundo, apenas 250 foram aceitas. A proposta de Tisha e Khoa, que focava em práticas de inclusão em escolas online e escolas tradicionais, era uma delas.

“É tão importante para as escolas, professores e administradores” diz Khoa “pensar em escolas seguras, inclusivas, para todos os alunos, sejam pretos ou brancos, muçulmanos ou cristãos, gays ou héteros, transgêneros ou cisgêneros.”

“Queremos criar um espaço fisicamente e emocionalmente seguro para todos os alunos aprenderem. Se ele ainda não é real, vamos criá-lo”, conclui Khoa.

 

Conteúdo originalmente publicado em Pearson Learning.

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