Tecnologia é uma barreira para os professores mais velhos?

por: Entretanto

Os debates que envolvem a tecnologia dentro da nossa profissão são sempre divididos: a tecnologia é boa ou ruim para a sala de aula? A tecnologia substituirá os professores ou nós teremos sempre um papel a desempenhar? Os nossos alunos são nativos digitais ou não?

Enquanto nenhum destes debates terminam de maneira simplista, o que continua a ofuscar o discurso são as crenças dos professores em relação à tecnologia e sua adequação para implementá-la, principalmente em grupos de faixa etária e níveis de experiências diferentes. Mas este debate ainda sustenta a realidade? Gostaria de explorar essa complexidade focando dois pontos chaves: a idade e experiência do professor, contrastados à capacidade de compreender e utilizar a tecnologia efetivamente e, às crenças sobre a eficácia da tecnologia na sala de aula.

A idade de uma pessoa e o ambiente tecnológico no qual ela foi criada podem influenciar definitivamente a familiaridade e o reconhecimento de novas tecnologias. Todos sabemos que uma pessoa mais velha luta para desapegar de seus aparatos tecnológicos conhecidos para as versões mais novas e eficientes. No entanto, isto não define a capacidade de uma geração de compreender ou utilizar uma tecnologia de forma eficaz.

Todos têm um colega que reprova as redes sociais ou que (tenta) continuamente lamentar sobre como a tecnologia nunca funciona corretamente. A propósito, eles também não costumam diferenciar termos como ‘browser’ e ‘Facebook’. É fácil relacionar esta frustração à questão da idade, mas suspeita-se que isto esteja mais relacionado ao nível de compreensão do que à capacidade. A falta de formação adequada sobre como usar as tecnologias (por exemplo: dispositivos móveis, software, etc) e a confiabilidade do equipamento (por exemplo: a conexão de internet, a falha do equipamento, etc.) contribuem para essa resistência mais do que a capacidade.

Reparemos em nós mesmos. A maioria de meus colegas têm mais de 40 anos, mais de uma década de experiência com ensino e utilizam uma ampla gama de tecnologias com seus alunos, de dispositivos móveis para anotações a sites como o Google Docs, ou grupos do Facebook e aplicativos como o ‘Quizlet’.

Dizer que os “velhos hábitos são melhores” sugere que os professores mais jovens e/ou menos experientes estejam mais dispostos a tentar qualquer coisa. Isso é uma falta de compreensão sobre o valor pedagógico da tecnologia na sala de aula. Um exemplo frequentemente referenciado é que os dispositivos móveis sejam uma distração para nossos alunos. Muitas vezes ouvi colegas queixando-se de que seus alunos verificam em seus telefones as redes sociais e as mensagens de texto ao longo das aulas. Isto muitas vezes resulta em regras globais sobre o uso na classe, como coletar todos os telefones celulares no início da aula ou, se os alunos forem pegos usando-os, tomar medidas punitivas. Enquanto esta é uma maneira de lidar com a situação, suspeita-se que a falta de entendimento pedagógico da tecnologia possa sustentar essa resistência.

Podemos olhar para o conjunto TPACK como uma maneira de esclarecer como a tecnologia pode ser efetivamente utilizada, uma vez que um professor esteja familiarizado com ela. Basicamente, sugere-se que a situação ideal para o uso da tecnologia na sala de aula é ter o conhecimento técnico do professor (TK), o conhecimento do conteúdo (CK) e a sobreposição de conhecimentos pedagógicos (PK). Nenhum destes pode faltar.

Outra área a explorar é a motivação para o uso da tecnologia na sala de aula. Quando se reconhece uma necessidade que não pode ser preenchida através de outros métodos, a motivação para explorar os benefícios da tecnologia aumenta significativamente. Considere o exemplo do parente mais velho. Já é realidade que mantemos contatos com os parentes através do Facebook. Logo, a motivação para aprender a usar o Facebook aumenta, apesar de quaisquer medos ou preocupações envolvidas.

Da mesma forma, quando um professor quer que seus alunos escrevam, e deseja ir além do papel e caneta, pode começar a investigar alternativas como o Google Docs.

Finalmente, pode-se simplesmente olhar para exemplos de onde essas crenças negativas com relação à tecnologia em sala de aula ocorrem, por professores de todas as idades e experiências. Em seu estudo de 2015, Van Praag & Sanchez observaram preocupações tecnológicas semelhantes em seus participantes, os quais tinham menos de 40 anos de idade e tinham menos de uma década de experiência no ensino. Então, não podemos supor que um grupo de idade ou nível de experiência compartilhe das mesmas características.

A conclusão é que talvez seja hora de acabar com a generalização de que a idade ou a experiência sejam a causa das barreiras ou das crenças em relação ao uso da tecnologia na sala de aula. Pelo contrário, como uma profissão, precisa-se explorar as circunstâncias individuais e os contextos de ensino e direcionar as necessidades a estes níveis.

Originalmente publicada em Pearson English.

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