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23/08/2019

Sobre telas e mais telas

Sergio Campelo

Recentemente, voltando com meu filho de 11 anos da escola em que estuda para casa, parei o carro frente a um farol de sinalização de trânsito ao lado de um outro veículo e reparei que, no banco de trás desse carro havia uma criança, que deveria ter cerca de 5 anos e que olhava fixamente para o banco da frente, do motorista, que provavelmente seria seu responsável.

Estiquei-me para ver melhor o que atraía tanto sua atenção e vi que tinha um dispositivo móvel colado no banco dianteiro, outro na traseira do banco do passageiro e mais um na mão do seu responsável, enquanto o farol não abria. Isso me fez levantar a seguinte indagação: por que tantas telas? Ou melhor, para quê?

Recentemente, um grande município do estado de São Paulo adotou os tablets (dispositivos móveis com tela que podem ser usados para leitura, visualização de vídeos e diversas outras atividades envolvendo entretenimento e aprendizado) em toda sua rede municipal de ensino fundamental. Vejo com muito bons olhos essa iniciativa, mas preocupa-me bastante com qual finalidade essa tecnologia será utilizada dentro do processo de ensino e aprendizagem, como será inserida e adequada ao conteúdo curricular.

Junto a isso, além da capacitação necessária dos professores na utilização das tecnologias ser fundamental com relação a sua utilização, penso ser fundamental que sejam capacitados também a compreenderem como mediar essa utilização durante as aulas. Caso contrário, perde-se a proposta de tornar a tecnologia uma ferramenta auxiliar de aprendizado. Outros questionamentos são importantes para entendermos esse aumento das telas nos espaços de convivência e principalmente educacionais. Recentemente, em matéria publicada no site brasileiro da britânica BBC (11/06), pais estão restringindo o uso de celulares e tablets pelos filhos com a alegação de que a utilização da tecnologia pode limitar o potencial criativo das crianças. “Você não ensina como ser criativo apenas entrando em um app de criatividade”, argumenta um dos pais.

Nomes de peso como o falecido Steve Jobs, fundador da Apple, Bill Gates, Microsot, e Mark Zuckerberg, Facebook, são os que estão nessa empreitada. Este último escreveu uma carta para a sua recém-nascida filha pedindo que ela “saísse de casa e brincasse”. Alguns desses pais ainda monitoram a utilização das telas nas escolas em que seus filhos estudam e até se suas babás passam muito tempo utilizando celular. Pode? É inegável o potencial que as telas podem trazer ao aprendizado das crianças.

Muito além de um simples dispositivo de entretenimento e informação, tablets e smartphones são linguagens que precisam ser internalizadas para que os cidadãos do futuro possam se comunicar facilmente, e nossas crianças dependem disso, são extensões do nosso corpo, como afirmou assertivamente McLuhan (1964). No entanto, penso que a utilização dessa tecnologia deve ser equilibra e intermediada com outras experiências para que seja enriquecedora e sirva de estímulo ao aprendizado.

Voltando ao exemplo da menina no banco de trás, pergunto: será que durante o trajeto com seu responsável guia à frente, sua experiência não seria mais enriquecedora se visualizasse e até apreciasse as paisagens do caminho, com as imagens, cores, texturas e tantos outros elementos que podem estimular seu repertório criativo? São questões que o futuro vai responder, mas prefiro concluir esse texto utilizando a #hashtag de uma grande operadora de telefonia: #temhorapratudo.

Entretanto

Entretanto Educação
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