10/06/2021

Sete jogos que podem complementar o ensino em sala de aula

Por: Fabrício Tonetto Londero e Graziela Frainer Knoll

Hoje, o mercado de jogos movimenta mais dinheiro que o cinema. Infelizmente, as grandes produtoras geralmente não investem em jogos educativos, mas, sim, em jogos cada vez mais realistas e precisos quanto ao contexto histórico, geográfico, climático e a biodiversidade.

Esses grandes jogos demoram anos para serem produzidos e são denominados como AAA ou Triple A, possuem grande aceitação do público e são conhecidos por grande parte dos nativos-digitais. Por propiciar a conexão entre os conteúdos e a realidade simulada do universo dos jogos, podem ser utilizados como importante ferramenta em sala de aula, de forma associativa com aquilo que é aceito e consumido por esse público.

Assim, selecionamos 7 grandes títulos que você deve pensar em levar à sala de aula:

 

1 – Assassin’s Creed

Essa série, apresenta dezenas de títulos diferentes, cada um se passando em diferentes locais e épocas da história. Assassin’s Creed Syndicate por exemplo, se passa durante a Revolução Industrial e pode ser utilizado para contextualizar questões de trabalho infantil e condições de trabalho desumanas, além de trazer como personagens importantes no jogo, figuras como Charles Darwin, Charles Dickens e Karl Marx. Por sua vez, Assassin’s Creed Odyssey é ambientado no período da Guerra do Peloponeso, abordando questões da Grécia Antiga, o que pode servir para ilustrar questões políticas, religiosas e arquitetônicas do período e local. Como plus, o jogador pode interagir com personagens como Sócrates, Hipócrates, Heródoto e muitos outros. Existem mais de dez jogos dessa série e todos foram construídos com cautela e de forma minuciosa visando à precisão quanto ao local e à época da ambientação.

2 – Age of Empires

Os jogos da série Age of Empires possuem civilizações com características que diferenciam uma da outra em aspectos arquitetônicos, militares, linguísticos, culturais, religiosos e tecnológicos. Por ser um jogo de estratégia, é muito bom para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da tomada de decisão, além do gerenciamento de recursos. O estudante, pode, mesmo que indiretamente, assimilar as diferenças entre as civilizações e complementar com o conteúdo de sala de aula, assim como pode reconhecer essas características em livros, filmes e seriados. A série também traz importantes figuras históricas, como Átila (Hunos), Joana D’arc (Francos), Genghis Khan (Mongóis) e Cortez (Espanhóis).

3 – Company of Heroes

Ambientada na Segunda Guerra Mundial, essa série relata do ponto de vista histórico a campanha dos aliados contra as forças alemãs. Sendo preciso nos mais singelos detalhes, como idiomas das facções, vestimentas, veículos, armamento e táticas de batalha. Por também ser um jogo de estratégia, pode ser utilizado para melhorar o raciocínio lógico e de gerenciamento de unidades e recursos, posicionamento e movimentação, além de, por ser um jogo de rápida progressão, auxiliar na agilidade da tomada de decisão.

4 – Minecraft

Adorado pelos mais variados públicos, Minecraft é um jogo que permite ao jogador explorar diferentes cenários em um mundo gigantesco com dezenas de biomas. O estilo de blocos do jogo permite ao jogador destruir qualquer parte do cenário e construir novos elementos, mas para isso, ferramentas precisam ser construídas, o que requer matéria prima. Assim, para ter sucesso no jogo, o jogador precisa desenvolver seu raciocínio. Além disso, o limite de construções fica a cargo do jogador, pois existem mecanismos mais avançados, como circuitos elétricos que precisam ser descobertos, testados e então implementados pelo jogador, ou seja, é um forte aliado para o desenvolvimento da criatividade. Para construir um mecanismo mais avançado, o jogador precisa coletar matéria prima, por meio de ferramentas de extração, e estas não se encontram em qualquer bioma, logo, o jogo exige uma grande capacidade de planejamento e tomada de decisão por parte do jogador a todo momento.

5 – Detroit: Become Human

A narrativa do jogo ocorre em torno de três andróides. Kara, um dos androides construídos para fins domésticos, foge de sua dona por esta ter um comportamento agressivo e instável; o segundo é descartado na lixeira por seus donos; e o terceiro androide é auxiliar de polícia. Assim, uma nova raça surge: os Divergentes, que são androides com emoções . Esse é um jogo que pode ser utilizado para debater assuntos voltados a conteúdos filosóficos e sociais, pois aborda questionamentos sobre o que é a vida, sobre as espécies e a criação.

6 – Red Dead Redemption

Nesse jogo de ação e aventura, a narrativa é situada no período de declínio do Velho Oeste, aproximadamente em 1911, quando inicia a fase de urbanização e estruturação das cidades norte-americanas e da divisa com o México. Os produtores viajaram para as regiões em questão e levaram em consideração livros e filmes de Faroeste para desenvolver o jogo de forma mais fidedigna possível, recebendo grande destaque as paisagens, os relevos, a flora e a fauna. É dividido em três localidades: uma região típica do velho oeste, uma com grandes desertos e com elementos dos efeitos dos combates entre os rebeldes e o governo americano, e uma última região entre a transição entre o velho e o novo, recebendo novas tecnologias e novas formas de seguir a vida em sociedade. Dessa forma, é possível aprender história por meio da narrativa e do personagem central. Dependendo das ações do jogador, o nível de honra do jogador pode ser alterado, afetando diretamente o tratamento recebido por outros personagens durante a gameplay. O jogo completou uma década de sucesso em 2020. Em Red Dead Redemption 2, existem regiões em construção e cidades fantasmas, arrasadas pela cólera, o que acrescenta novos tópicos úteis para a discussão em aula.

7 – Civilization

A aclamada série Civilization, criada pelo famoso game designer Sid Meier, apresenta jogos de estratégia em turnos em que o jogador escolhe uma civilização e a lidera do início da história até um futuro próximo, efetuando pesquisas e ações tecnológicas, militares, expansionistas, diplomáticas e econômicas, de maneira estratégica. Figuras históricas aparecem, como Napoleão Bonaparte, Abraham Lincoln, Gandhi, Rainha Elizabeth, Dom Pedro II, entre outros. As possibilidades para uso no contexto de ensino são tantas que, em 2017, foi lançado CivilizationEDU, uma versão do jogo adaptada para ser utilizada em sala de aula, com foco em fazer o aprendiz pensar de forma crítica na criação de eventos históricos, avaliando suas ações militares, tecnológicas e econômicas.

 

Obviamente, muitos desses jogos são destinados ao público adulto, mas o professor mediador consegue, de modo relativamente simples, filtrar os elementos a destacar para uma boa experiência em sala de aula. Portanto, o papel do jogo como facilitador da aprendizagem deve ser incentivado na sala de aula, uma vez que, jogando, o indivíduo experimenta, cria, (re)descobre, explora, comunica, interage, constrói e, de modo geral, se desenvolve social e cognitivamente

 

*Fabrício Tonetto Londero é professor universitário, programador, Mestre em Ciência da Computação, Especialista em Gestão de Banco de Dados e em Aplicações para Web, Licenciado pelo Programa Especial de Graduação de Formação de Professores para a Educação Profissional, Bacharel em Sistemas de Informação e pesquisador. Graziela Frainer Knoll é professora universitária, Doutora em Letras, Estudos Linguísticos, Pós-Doc em Linguagem e Aprendizagem, pesquisadora nos seguintes temas: multimodalidade, multiletramentos, gamificação, jogos e ensino.

Colaboração

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