22/04/2021

Quando o urgente relega o necessário

Por: Vitória Rodrigues e Silva

Uma conhecida ferramenta de gestão chamada Matriz Eisenhower sugere que uma boa maneira de estabelecer prioridades e organizar as tarefas é classificá-las em um diagrama segundo a sua urgência, importância, necessidade e relevância. 

Nos dias atuais, é bastante compreensível que todo o foco da escola esteja na viabilização das aulas. Alguns municípios autorizaram a volta presencial de parte dos alunos, embora muitas famílias relutem em enviar os filhos, ao mesmo tempo em que em muitas localidades todos os estudantes continuam mantidos longe da sala de aula. Se antes, todos os estudantes estavam distantes, agora vive-se uma situação ainda mais complexa e desafiadora. Toda a comunidade escolar se reinventando mais uma vez…

Se essa tarefa é urgente, há outra, de enorme relevância e necessária (na verdade, obrigatória), que ainda não entrou no radar de grande parte das escolas: a revisão da sua proposta curricular à luz da homologação dos referenciais curriculares por parte dos conselhos estaduais de educação. 

Os CEE de todas as unidades federativas homologaram os referenciais curriculares para a Educação Infantil e para o Ensino Fundamental, alinhando-os à BNCC, e mais de 80% dos currículos municipais para esses níveis estão homologados. Mesmo no Ensino Médio o processo está bem avançado, com diversos estados em fase de homologação dos seus referenciais. Com isso, será possível que até o início do próximo ano todas as escolas tenham condições de regularizar sua documentação, cumprindo as determinações legais, e ter seus currículos e propostas pedagógicas de acordo com a BNCC e as determinações dos referenciais de seu estado. Essa é uma exigência que nenhuma instituição de ensino pode eliminar ou delegar, pois trata-se do alicerce mais importante para a sua atuação.

O Movimento pela Base, por meio do Observatório de implementação, atualiza permanentemente o andamento desses trâmites, informando a situação em cada unidade da federação e município. Os diretores e, especialmente, os Coordenadores Pedagógicos, precisam colocar o quanto antes em suas pautas de trabalho estes temas, de modo que essa documentação possa ser elaborada com o tempo necessário e a participação de todos os envolvidos. É bom lembrar que a LDB determina de modo muito claro que a elaboração do Projeto Político-Pedagógico das escolas – sejam elas públicas ou privadas –, e os programas curriculares dele decorrentes precisa se dar de modo participativo e da forma mais democrática possível. Isso impõe planejamento e requer tempo.

O ano de 2021, assim, mostra-se ainda mais desafiador para as escolas brasileiras, pois será ao longo dele que toda a comunidade escolar precisará enfrentar não só nas exigências imediatas e urgentes, mas, principalmente, pensar, estudar, discutir e propor que escola quer ser no futuro.

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