10/06/2021

Professor do futuro: refletir é preciso

Por: Leide de Andrade Victorino*

Buscamos nessa reflexão, repensar sobre o trabalho do Professor que diante de vários questionamentos parece não ser uma tarefa fácil de ser explicada. Diante dos desafios contemporâneos, tem sido cada vez mais exigido do professor o desafio de mudar a forma de ensinar e a sua prática na sala de aula, e ainda pesa sobre o seu papel ter didática, estratégias e metodologias inovadoras que possibilite ao aluno a aprender.

Sabemos que há um discurso recorrente de que, muitos professores apesar de esboçarem um excelente referencial teórico, necessitam, entretanto, rever sua prática pedagógica e desenvolverem novas competências no enfrentamento do momento atual e preparados para educação do futuro. Pensar hoje a profissão do Professor que busca romper limites, para a diversidade da sala de aula, tanto na competição com as novas tecnologias, como no domínio das competências e da complexidade para a realidade do século 21, dependem do processo de escolarização.

A Educação proposta atual está voltada para a formação integral do sujeito e amplia para o desenvolvimento de competências, que não poderá se restringir a estruturas rígidas ou desatualizadas no conteúdo das disciplinas curriculares.

Segundo o Fórum Econômico Mundial de 2020, sobre o futuro dos empregos, as principais competências para o profissional do futuro nos próximos cinco anos, serão: o pensamento analítico e inovação, aprendizagem ativa, resolução de problemas, análise crítica e criatividade.
Essas competências apresentadas para todas as profissões não isentam o professor para os parâmetros que atualmente se exige na profissão docente, que é aquele que tem vasto repertório técnico, possui didática, habilidades metodológicas; socioemocionais; digitais; resiliência e empatia, entre outros.

Já para os documentos normativos da Base Nacional de Formação de Professores (BNCC) e a BNC-FC) Base Nacional Comum de Formação Continuada, aprovados pelo Conselho Nacional de Educação em 2019-2020, trazem como orientação três competências essenciais para o Professor: o Conhecimento Profissional, a Prática Profissional e o Engajamento Profissional.

Isso significa que, cada vez mais vem sendo requeridas do professor especializações que necessitam estar em constante atualização. Há Indagações sobre esse caminho docente. Entre elas, como ensinar seus alunos em todas essas competências se muitas vezes eles mesmos não aprenderam? Ainda que, hoje ao trabalhar em consonância com a Base Nacional Comum Curricular que, em algumas Escolas está em fase de implantação, as competências que se espera desenvolver no aluno é ver um modelo de educação como fazer e aonde podemos chegar, o que assim estimula a proposta para um educação do século 21.

Pandemia trouxe novas exigências

Contudo, neste momento, enquanto estamos lutando contra um inimigo invisível (Covid19) que gerou uma pandemia global, com profundas estruturas de desigualdades, o sistema educacional traz no cenário atual mudanças que afetaram diretamente o papel do Professor.

Desde o ano de 2020, o início da Pandemia no Brasil, o que vimos foi que os educadores buscaram compreender o improvável, muitos desafios obrigaram as Escolas a rever rotas, mudar o rumo, e a criarem caminhos. Diante do enfrentamento do medo e incertezas, a maioria das escolas buscou adaptações e soluções tecnológicas, na criação de estratégias para que quase todos que puderam ter acesso a ferramentas digitais e aulas remotas, tivessem contatos com atividades escolares.

Há nesse contexto, além de questões éticas, a exigência para uma nova maneira de ensinar e de aprender. Os parâmetros tidos, até então, como tradicionais aparecem agora com novos referenciais sobre a atuação do Professor.

O desenvolvimento de Competências sempre foi fundamental, mas em um período de isolamento social e de aulas online, mesmo quando os recursos digitais eram escassos, essas ações dos Professores se tornaram ainda mais necessárias ao enfrentarem de um processo social conturbado, com fatores emocionais e desafios de autoconhecimento para o docente, para o aluno e suas famílias.

A formação docente e o papel desse novo professor tornaram-se prioridade destacados nas orientações dos documentos oficiais e nas Diretrizes Educacionais, o que nos leva a questionamentos que não conduzem a uma única resposta. Essas questões são muito pertinentes, pois relatam comportamentos identificáveis na rotina diária do professor. Especialmente, no que se refere ao uso das tecnologias digitais voltadas para aulas remotas, avaliação online, videoconferência, ambientes virtuais de aprendizagem, gravação de videoaula, produtividade para preparação e realização das aulas, tanto para o ensino regular, bem como, para pessoas com deficiência de acordo com suas especificidades, conforme a política de inclusão.

Diante das tendências contemporâneas nas modalidades de ensino e frente à proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que visa pensar a aprendizagem do aluno de forma integral, tais aprendizagens devem ser mobilizados e organizados a fim de dar respostas ao conjunto das missões educacionais do país e nas habilidades e competências dos Professores.

O professor do século 21

Nos discursos de diversos autores, vem sendo destacado que os professores trazem influência direta sobre a aprendizagem dos alunos. “Juntos constroem, juntos aprendem”. Nas leituras de Tardif, ele nos diz: “Aprender a ser professor e ensinar vai muito além de conteúdos trabalhados nos cursos de formação de professores, pois há aspectos do processo de aprendizagem que têm caminho próprio.” (2002, p78),
O objetivo dessa reflexão busca clareza nas indagações, mas muitas vezes, se vinculam a contradições e que não significará trazer mudanças radicais na esfera educativa, mas ter esperanças de um caminhar promissor no processo de ensino aprendizagem.

Nesse movimento, será preciso analisar sobre qual professor queremos falar, pensamos preferencialmente, naquele que conhece o objeto de seu estudo, sua área de atuação, o professor que está preocupado com a aprendizagem de seus alunos, o que deve ser imperativo na relação professor aluno. Diante de questões que envolvem a formação para o século 21, tais como: O que é Ser Professor, afinal? Quais contribuições são condutoras para novas técnicas e estratégias metodológicas? Como aproximar a prática para a qualidade do trabalho docente? Como trazer mais sentido à profissão?

Podemos encontrar muitas respostas com destaque para a importância do professor que evidenciam fatores fundamentais da profissão, mas que sempre dependerá de ter uma responsabilidade consigo mesmo e com o outro, principalmente ensinar por meio do exemplo, da ética e do compromisso.

No que se refere às funções executivas, é preciso ser um professor voltado às inovações e domínio das tecnologias na educação, de forma que o ensino desperte o interesse das turmas, que provoque o engajamento e a troca de conhecimentos, favorecendo o aluno como protagonista do seu processo de aprendizagem.

Ser mediador e mobilizar os conteúdos por meio de metodologias ativas com ferramentas e instrumentos próprios do ensinar e aprender com: jogos; ensino híbrido; gamificação; entre outros, que favoreça a criatividade do aluno para aprender e dar significado. Ter um bom relacionamento interpessoal, resiliência, ser compreensivo com as limitações e diferenças de cada indivíduo, manter o olhar para a diversidade, a inclusão do aluno, enxergando as suas particularidades e desenvolvendo suas potencialidades.

Nossa reflexão

Buscamos iniciar apenas uma reflexão que não se esgotará aqui e não traz as respostas a todas as questões que vêm se destacando para o papel profissional do professor. Não caberia aqui repetirmos os fatos evidentes e alarmantes do momento atual que retrate a insegurança, os medos e incertezas da triste realidade que estamos atravessando sobre a Pandemia Global.

Apenas, nesse pequeno ensaio, procuramos falar um pouco da importância da profissão do Professor para a sociedade, especialmente diante da prioridade que a Escola passou a representar atualmente na vida das crianças e das famílias. Pensar sobre a realização das aulas online, remotas ou presenciais e, o que se espera para o Professor do Século 21, na articulação da formação inicial dos futuros professores, exige estratégias de ensino voltados aos aspectos científicos e principalmente apoiadas nas bases da Neurociências, que apresentam o funcionamento do cérebro para o processo da aprendizagem, bem como sua plasticidade neural concluindo que todos podem aprender.

Nesse sentido, sob esses aspectos científicos da Neurociência, essencialmente necessários à formação do Professor e que vem apresentando muita colaboração no processo da aprendizagem humana, entendemos que, ainda, muito se tem a discutir sobre “O que se pretende saber; Como ensinar?; Para quê?; Como se aprende?; O que ensinar?”, que possibilitem uma formação cada vez melhor de novos profissionais.

Dessa forma, profissionais conscientes de sua principal função que é a de ensinar o aluno em suas potencialidades, auxiliar na construção de conhecimentos científicos fundamentados na consciência crítica, reflexiva e política, de modo a estabelecer uma interação com as famílias na responsabilidade pela educação, para uma sociedade justa. Que possam favorecer situações para que o aluno seja o protagonista de sua própria história. Professores que sejam a inspiração do prazer de aprender na transformação permanente para a evolução humana e diária da sala de aula.

 

*Leide de Andrade Victorino é professora acadêmica nos cursos de Pedagogia e Pós graduação, tem especialização em Psicopedagogia e Mestrado em Educação.

Colaboração

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