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11/11/2019

Pedagogia dos Multiletramentos: a que se refere?

Por Lídia Mantovani

 

Das últimas décadas do Século XX aos dias atuais, novas formas de comunicação, bem como novos recursos tecnológicos digitais têm emergido e caracterizado nossa sociedade contemporânea. Em paralelo, a digitalidade, cada vez de maneira mais intensa, forte e acentuada, tem ocasionado diversas transformações nos mais variados níveis/âmbitos, como por exemplo: no âmbito do trabalho, da vida social, entre outros. Da mesma forma, conjuntamente com a digitalidade, novas formas de linguagem apareceram (e continuam a aparecer).

Nessa realidade eminente, Cope e Kalantzis (2000), membros acadêmicos do New London Group, preponderaram uma pedagogia que abrangesse e considerasse diferentes culturas e contextos, a Pedagogia dos Multiletramentos. Nessa pedagogia, efeitos nos mais variados âmbitos (sociais e culturais) passaram a ser abarcados. Mas, onde estariam as raízes da necessidade do desenvolvimento de um trabalho docente que partisse de uma perspectiva que versasse sobre a Pedagogia dos Multiletramentos?

Ao passo que novas formas de comunicação e de linguagem emergiram e novos recursos tecnológicos digitais se tornaram cada vez mais presentes na vida do indivíduo, a educação (e o ensino, propriamente dito) encontraram-se (e ainda encontram-se) diante de novos caminhos postos e marcados pela digitalidade e pelas diferentes formas de linguagem, uma vez que no bojo dessas formas de linguagem também são encontradas novas formas de interação – interação essa que se constitui como relação substancial entre os seres humanos.

Para Cope e Kalantzis (2000), a escolha do termo multiliteracies (traduzida por multiletramentos) é impulsionada pela vasta diversidade linguística e cultural e pelos canais de comunicação, que são inúmeros. Logo, partindo dos canais de comunicação que são caracterizados por uma intensa multiplicidade, veiculamos uma construção de sentidos manifestada, cada vez mais, pela multimodalidade; ou seja, por práticas que preconizam a variedade dos modos de comunicação e linguagens existentes, trabalhadas de maneira conjunta e simultânea.

Dessa forma, Cope e Kalantzis (2000) apresentam uma pedagogia que está fundamentada na conjuntura de quatro fatores, a dizer: Prática Situada (Situated practice), Instrução Explícita (Overt instruction), Enquadramento Crítico (Critical framing) e prática transformadora (Transformed practice).

Resumidamente, a Prática Situada (Situated practice) acontece quando, dentro de uma respectiva comunidade de educandos, há o trabalho com práticas significativas; ou seja, práticas que motivem os aprendizes, uma vez que tenham em mente que aquele determinado conteúdo será utilizado em possíveis situações. Isso ocorre, por exemplo, quando necessidades e características identitárias e socioculturais são abarcadas antes e durante o desenvolvimento de determinada atividade.

Em sequência, a Instrução Explícita (Overt Instruction) incluem as condições didáticas pensadas pelo professor e as fundamentações das atividades a serem realizadas e aprendidas pelos alunos. Nessa perspectiva, há uma grande valorização do trabalho colaborativo entre professor e aluno, de maneira que o professor auxilie o aluno na realização de tarefas complexas.

Além disso, no Enquadramento Crítico (Critical Framing), o objetivo central é que o professor auxilie os alunos a emoldar a prática, bem como auxiliá-los no que diz respeito no desenvolvimento de uma criticidade que vá de encontro às relações nos variados âmbitos (histórico, ideológico, político, social). O papel do professor é fundamental para guiar o aluno em atividades que abarcam maiores complexidades.

A Prática Transformadora (Transformed Practice) diz respeito a uma espécie de “resgate” da Prática Situada (Situated Practice) – aquela mencionada anteriormente, de maneira que a Pedagogia dos Multiletramentos seja uma prática refletida, retomada, espiralada. É justamente no momento da Prática Transformadora que deve haver uma aplicação e viabilização daquilo que foi compreendido e trabalhado nos dois fatores anteriores – Instrução Explícita e Enquadramento Crítico.

Em linhas gerais, reiteramos que esses quatro fatores (que compõem A Pedagogia dos Multiletramentos) propõem uma perspectiva que considera o aluno não como um mero agente passivo, mas como um indivíduo que apresenta suas respectivas particularidades, características e identidades como pontos que devem ser considerados no processo de ensino-aprendizagem.

Dessa forma, o aluno é considerado como um agente responsável para além de suas capacidades de memorizar, senão apenas reproduzir aquilo que recebe do professor (como outrora muitos modelos educacionais o fizeram). Todavia, o aluno é, de fato, um protagonista no que diz respeito à construção de sentidos e ao desenvolvimento de trabalhos que os façam versar e articular o pensamento crítico.

 

Referências Bibliográficas

COPE, B. KALANTZIS, M. Multiliteracies: Literacy Learning and the Design of Social Futures. Routlege: London, 2000.

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