fbpx
27/01/2020

Para refletir sobre avaliação

Por: Diego Luiz Escanhuela

 

Socialmente, historicamente, psicologicamente e em muitos outros processos fomos e ainda somos acostumados a temer as avaliações. Não gostamos de sermos avaliados e temos dificuldade de enxergar a avaliação como parte de um processo. Em nossa cabeça a avaliação é sempre perigosa, deve ser evitada e estará sempre pronta para nos trair, nos expor e nos punir.

Por motivos diversos construímos nos signos acumulados do senso comum uma imagem geral sobre as avaliações, imagem sempre punitiva e por isso tão temida. Os professores sentem isso, os pais sentem isso, os coordenadores e diretores sentem isso, e todos aqueles que nada têm em comum com o ambiente escolar também sentem isso.

Parte deste peso está relacionado ao Vestibular e do tamanho das muralhas construídas pelas Universidades públicas no Brasil, outra parte está relacionada aos Avaliadores que apesar de falarem dos processos, no fim, continuam demitindo e contratando profissionais a partir de leituras imaturas dos resultados de avaliações.

Efetivamente, nós educadores, aprendemos em nossas licenciaturas sobre a importância da construção de lógica e de processo nas avaliações, mas temos dificuldade de entender essa aplicação. A comunidade escolar por muitos anos aplaudiu e legitimou as avaliações injustas e punitivas, “aquele professor é o melhor, ninguém tira 10 com ele”.

Para todos os problemas de mentalidade, de cultura, de sociedade e todas as questões estruturais o melhor e primeiro remédio é a identificação. Os defeitos estruturais fazem com que nós tomemos atitudes inconscientemente, e essas são as piores. Precisamos identificar essa “cultura punitiva estrutural” já enraizada nas escolas, na sociedade e nos professores, desde sua formação até a sua prática.

Precisamos variar os processos avaliativos, precisamos dar oportunidade para que os alunos com dificuldade tenham acesso ao rendimento satisfatório, precisamos garantir que os alunos com facilidade sintam-se explorados e desafiados. É difícil construir uma avaliação justa e praticar equidade neste processo, sendo que temos salas de aula tão plurais e muitas vezes numerosas.

A saída é a variação dos processos e o “dissolvimento” das “pesificações” de notas e valores. Provavelmente não será possível garantir em todas as avaliações a equidade completa, por isso, avaliar de muitas formas abre o devido espaço para que muitos acompanhem e possam desempenhar bem sua capacidade e, consequentemente, aplicar bons resultados.

Os bons resultados não deixam os alunos folgados e desestimulados, quando os processos de avaliação são legítimos e estão vinculados às práticas da sala de aula, certamente, o alunado sentirá que o caminho valeu o esforço, pouco a pouco, de pedaço em pedaço, ganharemos o grupo todo.

Não há mais espaço real nas escolas para questionar e negar a variação dos modelos avaliativos, já sabemos pelo histórico que a quantidade exagerada de avaliações repetitivas não contribue para o desenvolvimento satisfatório dos alunos em nenhuma idade escolar.

As atuais discussões das metodologias ativas e colaborativas, as plataformas digitais de pesquisa e elaboração de materiais são uma ótima forma de começar a tentar as outras vias de avaliação. Visto de perto podemos entender que há nessa atualização um bando de novidades, mas se nos distanciarmos perceberemos do século XIX para cá, as teorias de Maria de Montessori, Jean Piaget, Neil e Vygotsky já apontavam para a necessidade de ensinar tendo o aluno e seu universo como ponto de partida e como ponto de diálogo.

Mudar o ponto de vista e o ponto de partida do processo avaliativo, portanto, é mudar nossas aulas, nosso planejamento e nossa relação com o conhecimento. Nós, educadores, donos do percurso, sem medo algum precisamos diferenciar informação de conhecimento. Se nós entendermos isso primeiro, em seguida, construiremos com os alunos um caminho de entendimento e eles perceberão também.

Neste sentido, sentiremos o bom peso da experiência e com estabilidade, aceitaremos as tecnologias, as novas metodologias e demandas. Não nos sentiremos ameaçados. Só se estivermos desarmados avaliaremos melhor. Desarmados variaremos com facilidade nosso planejamento de avaliações, recriaremos os percursos e sem dificuldade encontraremos nosso novo lugar. Todos perceberão que cada vez mais o novo lugar se parece com o antigo.

Experimentem, dará certo!

Entretanto

Entretanto Educação
Avalie o artigo
[Total: 0    Média: 0/5]
COMPARTILHE
PARTICIPE
Faça seu login
Avalie o artigo
[Total: 0    Média: 0/5]
COMPARTILHE
Recomendados
Outras matérias da mesma editoria