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21/10/2019

Os desafios de ensinar disciplinas que requerem raciocínio-lógico

Por Veranise Jacubowski Correia Dubeux

Ao longo dos últimos 18 anos, trabalhei como docente nos cursos de Administração em duas instituições do Ensino Superior Privado no Rio de Janeiro, com mais de 200 turmas, em diferentes disciplinas da área de exatas, tais como Matemática Aplicada à Administração I e II, Estatística Descritiva e Probabilidades, Estatística Inferencial, Análise Multivariada, Métodos Quantitativos e Pesquisa Operacional.

Naturalmente os questionamentos e preocupações foram muitos ao longo dessa caminhada.

O desafio inicial sempre foi como mostrar aos alunos de Administração a importância e a necessidade destas disciplinas para a sua formação. Por serem disciplinas obrigatórias, atrair e manter o interesse do discente, ao longo de um curso que oferece outras opções de disciplinas com as quais ocorre uma maior identificação, sempre foi uma batalha.

Disciplinas como a Matemática e a Estatística fazem parte do currículo acadêmico na graduação de Administração por serem fundamentais na formação de um profissional contemporâneo. O mercado atual busca profissionais com visão mais analítica, e este aspecto é enfatizado desde o primeiro contato do universitário com o curso. Um dos principais objetivos ao lecionar estas disciplinas é aumentar a capacidade de análise de um determinado cenário, aplicando modelos e técnicas quantitativas para minimização de possíveis erros no processo de tomada de decisão. Mesmo diante de uma justificativa essencial, a resistência ao desenvolvimento do raciocínio-lógico permanece ao longo dos anos.

Por que tanta falta de interesse? O que afasta os alunos destas disciplinas? Inicialmente, a melhor desculpa é atribuir unicamente este desinteresse e falta de base à formação Matemática deficiente no Ensino Médio. Mas outro aspecto importante que deve ser ressaltado é a resistência ao aprendizado. O discente, na maior parte das vezes, inicia a graduação com preconceitos estabelecidos e fragmentados acerca da maneira de estudar.

Se esta barreira inicial não for vencida, o desenvolvimento do discente ao longo de sua trajetória acadêmico será prejudicado, gerando uma resistência a novos desafios, um confronto com situações-problema.

A falta de base de raciocínio-lógico do discente iniciante corresponde, principalmente, a concepção do ensino tradicional, na qual ele tem o contato com um saber muitas vezes acabado e incontestável, impossibilitando assim o confronto com reflexões que desenvolvam uma postura crítica em relação ao objeto de sua aprendizagem.

Pela experiência, consegui muitas vezes mitigar a falta de base de raciocínio-lógico e a resistência ao aprendizado desenvolvendo um acompanhamento mais próximo e permanente dos alunos por meio de oficinas e a participação em monitorias. Desta maneira, foi possível a identificação mais específica de onde partem as dificuldades dos discentes, seja do ensino fundamental ou do ensino médio. Por outro lado, enquanto docente, essa aproximação e interação mais direta, além de proporcionar um conhecimento maior da realidade dos seus discentes, gera subsídios para que o docente desenvolva problemas práticos que maximizem o aprendizado e gerem argumentos suficientes para seja possível estabelecer uma conscientização sobre a relevância desse tipo de aprendizado para sua vida profissional, e também para a condução de suas atividades cotidianas enquanto cidadão.

Diante desse cenário, é importante que se invista permanentemente no desenvolvimento de modelos pedagógicos inovadores que fortalecem habilidades técnicas, criativas e críticas nos discentes a fim de minimizar as dificuldades frente a disciplinas que exijam uma base de raciocínio-lógico.

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