24/11/2020

O que aprendemos sobre como aprender na pandemia?

Anieli Praisler

Uma das bases fundamentais da Coordenação Pedagógica é propiciar ao corpo docente informações e materiais para a reflexão das práticas didáticas cotidianas, sempre dando exemplos práticos (mostrando como funciona tal recurso) e compartilhando experiências exitosas dos colegas. Esse caminho tem que passar pela definição de recursos, e os mais utilizados pelos docentes neste período exclusivo de aulas remotas são vídeos externos, fóruns, documentos compartilhados e testes on-line.

Ainda, os podcasts, apesar de serem utilizados e divulgados há tempos como meios de comunicação digital, antes de pandemia, tinham outras finalidades. Cada podcast tem o público-alvo diferenciado, desde ouvintes de programas de rádio, que encontraram nele similaridade com o antigo “radinho” – por isso conforto ao ouvi-lo -, até especialistas em algumas áreas do conhecimento que o utilizam enquanto trafegam para o trabalho ou têm intimidade com o aprendizado por meio da audição. Ou seja, pessoas que conseguem, com facilidade, aprender e apreender “escutando”. Para adaptá-lo ao cotidiano dos nossos alunos no ambiente on-line, é necessário partir do que os estudantes já conhecem, com meios dinâmicos de apoio e mais instrumentalização da aprendizagem. Adoro os teóricos da aprendizagem significativa, em especial o americano David Ausubel, quando aponta:

“Se eu tivesse que reduzir toda a psicologia educacional a um único princípio, diria isto: o fator singular que mais influencia na aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece. Descubra o que ele sabe e baseie nisso os seus ensinamentos.”

Sim, muitos professores sentiram que, ao longo desses oito meses de Pandemia, tiveram “trabalho em dobro”, pois, além de adaptarem o conteúdo e maneira como as competências seriam desenvolvidas pelos alunos, também necessitaram “ensiná-los” a realizar novas formas de demonstrar o progresso de sua aprendizagem (novas formas de apresentações de seminários, por exemplo) nas aulas on-line. Sobre essa questão, uma forma de engajar os estudantes é apresentar um “modelo” feito pelo próprio professor, ou compartilhar podcasts com assuntos de interesse da faixa etária para a qual se leciona. Ainda, para obter apoio dos pais e responsáveis, é sempre bom auxiliá-los com treinamentos de novos recursos digitais, através do envio de tutoriais sobre “como fazer”, “como ajudar seu filho a”.

Sabendo que abertura às mudanças e nível de engajamento são características pessoais e com construções de vivências diferenciadas, uma das chaves para incentivar os docentes à aplicabilidade de novos recursos, mobilizar os “instrutores” do processo, é um ambiente de colaboração e empatia, em que os indivíduos se sintam confortáveis para expressar seus êxitos e suas angústias. Com o advento das aulas majoritariamente em ambiente on-line, fica ainda mais cristalina a visão de que o trabalho em equipe é imprescindível para o desenvolvimento de uma comunidade que, sendo mais solidária, será também mais humanizada.

Referências Bibliográficas:
AUSUBEL, David Paul, NOVAK, Joseph e HANESIAN, Helen. Psicologia educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.

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