03/06/2019

O caminho entre teatro e artes visuais a partir da criação e narração

Iasmim Oliveira

O projeto de atividade “Bestiário, Monstruários e Outros Bichos Estranhos”, que aconteceu na Escola Municipal de Iniciação Artística de São Paulo – EMIA, teve como inspiração movimentos, sons, texturas de pele, asas, escamas dos diversos bichos da terra, do ar e da água. Bem como criar pontes entre criações visuais e cênicas.

A princípio, as aulas foram sendo construídas a partir de contos de diversas naturezas trazidos pelas artistas educadoras, e durante esse processo foi apresentado às crianças o conto da Matinta Perêra, o qual as crianças se interessaram e decidiram continuar a elaborar atividades dentro desta temática, exercícios de corpo, construções de cenas, narração de histórias, brincadeiras, desenhos e pinturas, coletivos e individuais.

Foram realizadas narração de histórias e construção de cenas sobre o conto com diferentes características, as quais estimulavam as crianças a sensibilizar seu olhar para todas as etapas do processo criativo do teatro.

Como posso construir uma cena que comunique sem usar palavras? Como construir a cena sem a personagem Matinta Perêra, mas sem deixar de contar a história dela? Como contar a história da Matinta apenas pelo cheiro das coisas?

Dentre outras propostas que foram aplicadas, os alunos acrescentaram repertório e criaram uma forma particular de narrar a história. As crianças foram estimuladas a pensar em fragmentos da história que consideravam sintetizar o conto, como fariam a apresentação simbólica deste ser assombroso, qual imagem da história tinham a necessidade de ressaltar e como imaginavam visualmente a personagem e o cenário do qual a mesma pertencia.

A chave para a continuação dos trabalhos com o tema Matinta Perêra se deu
quando foi apresentada a canção Matinta Perêra de Waldemar Henrique. A canção trouxe ideias e instigou pesquisas, muitos alunos a partir de pesquisas individuais dos alunos.

Outro momento importante foi a construção das asas da personagem, em que foram divididos dois grupos, responsáveis pela criação de duas asas, que tiveram resultados completamente diferentes. Em ambos os grupos foi nítida a preocupação com a estrutura das asas, em como fariam para que as mesmas pudessem de fato serem usadas. Nesse processo de criação das asas foi pensado a realização de um cortejo, em que seriam feitas estações, com as cenas que os próprios alunos elegeram como principais da história, nesse cortejo seria utilizado tudo que foi trabalhado até então: cena, canção e as asas.

Esses trabalhos cênicos e visuais foram se fundindo no decorrer do ano, como parte de um único trabalho, as asas, a música e a cena resultaram em um grande cortejo.

Para o cortejo foi pensado o figurino, o caminho que seria percorrido e o trecho da história que seria apresentada em cada estação, fatores que foram ensaiados primeiramente em sala para, então, serem apresentado no parque.

No decorrer do ano foi possível observar o quanto o respeito às necessidades e anseios do grupo são importantes para manter vivo o interesse das crianças frente às atividades realizadas. Ao final, foi possível observar o quanto a proposta inicial foi se moldando às necessidades dos alunos em explorar o conto da Matinta Perêra, e como foi mais frutífero atender a essa necessidade.

Foi importante ver como as crianças se sentiram interessadas por elementos da cultura popular que desconheciam e como se sentiram instigadas em contribuir com as propostas apresentadas. Esse contato com a própria cultura possibilitou que desfrutassem o fazer artístico e ampliassem repertório, gerando também a consciência de contribuírem para a valorização, manutenção e propagação da cultura que os forma e dá identidade.

 

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