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17/01/2020

Espaço acolhedor: essencial para ampliar a visão de mundo das crianças

Por: Michelly Reino

 

Escutar o aluno vai muito além de ouvir o que este diz… Enquanto duas professoras conversavam sobre uma decoração, que seria feita na escola usando um galho de árvore seca, a professora Marieli Furtado, do maternal 1, escuta de um dos seus alunos:

— “Galho é o marido da galinha…”

Uau, isso foi tudo para que a professora se atentasse à curiosidade das crianças e ainda produzisse um material rico e instigante.

Marieli, professora da escola Jardim da Infância em Campinas, estimulou a curiosidade preparando um momento especial. Iniciou uma roda de conversa questionando as crianças sobre o que seria um galho e onde ele fica, as respostas foram variadas.

— “Voa”

— “É de apanhar”

— “Tem na árvore”

— “É marrom”

Baseado na curiosidade dos pequenos o tal galho foi escondido. Para encontrar, as crianças seguiam pistas que a professora mencionava quando estavam no parque. Ao chegar no parque, havia alguns materiais que não são habituais neste local e, com isso, as investigações ampliavam a oralidade, curiosidade, percepção de espaço, autonomia e, claro, muita diversão.

Mas, afinal, o que a professora preparou de material no parque? As crianças encontraram uma corda e, ao pegar, diziam umas, as outras: “Isso não é galho, é de pular. E de amarrar”

Após explorar o significado e o significante deste objeto, procuravam outro material que poderia ser o misterioso galho. Independente de ser parecido com as características do galho dado por eles mesmos, havia algo ali também para explorar.

A maneira como isso ocorreu foi tranquila e livre, cada uma das crianças tinha a liberdade de conhecer, tocar, sentir e descobrir mais um dos objetos que cuidadosamente foi separado pela professora.

Para algumas crianças uma rápida olhadinha foi o suficiente. Para outras, o toque e exploração ocorreu de maneira diferente, afinal, o mundo social de cada uma delas não está “fechado” por idade e sim pela curiosidade que as cerca.

A visão de mundo para as crianças depende completamente do mundo que as cerca, que as envolve. Então, a liberdade em tocar, sentir: textura, peso e temperatura vão muito além de cada um deles.

Uma criança esteve satisfeita ao tocar, outra ao olhar, e, para outra, a necessita de interagir com o objeto faz toda diferença.

Como a criança vê ou quer descobrir o mundo está muito nítido na escola Jardim da infância, pois aqui, elas podem descobrir saberes de várias maneiras e olhares.

“Educação, para a maioria das pessoas, significa tentar levar a criança a parecer com o típico adulto de sua sociedade… Mas para mim, a educação significa fazer criadores… Você precisa torná-los inventores, inovadores, não conformistas”. (Piaget). Nesta perspectiva, a exploração é essencial e norteia o aprendizado das crianças.

Em determinado momento, a professora Marieli, percebe que as investigações no parque estão perdendo o interesse, e isto faz com que ela retome a atenção das crianças. Este olhar atento da professora faz com que os pequenos retomem a atenção de uma maneira lúdica. Para isso, a professora começa a dar pistas de onde estaria o galho e agora elas dizem as crianças: “Ainda não achamos o galho, para isso precisamos passar por uma porta”.

Mais que oralidade e noção matemática, a professora explora noção de espaço, pois as crianças precisam, dentro de seus conhecimentos prévios, buscarem onde há portas no parque. Explorando outro espaço, as crianças encontram outra porta. Será que o galho estaria ali mesmo?

Uma curiosidade que move, a busca por algo que ainda não tem certeza de como é, mas a intensidade da vontade de encontrar o galho, faz com que as crianças busquem o seu objetivo. E acharam e tocaram! Sentem a textura… Que momento ímpar na vida dos pequenos, uma descoberta, que permitiu que eles explorassem, conversasse, trocassem saberes e, acima de tudo, puderam brincar sendo crianças e aprendendo de uma maneira que vai além do lápis e papel.

Depois de tudo isso, a professora retoma com eles numa conversa informal e eles mesmos desconstroem o que pensavam por aquilo que de fato sabem.

A criança é feita de cem: a criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar. Cem! sempre cem modos de escutar as maravilhas de amar. Cem alegrias para cantar e compreender. Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar. Cem mundos para sonhar.

Entretanto

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