15/03/2021

Escola é essencial e professores são essenciais

Por Anieli Praisler

 

Ser professor. Fazer-se professor. Desenvolver-se professor.

Isso só é possível com a organização das Instituições escolares em prol do diálogo, da partilha, da escuta e do engajamento do seu corpo docente.

Em períodos de mudança e crise, qualquer que seja a profissão, há o receio da impotência, e frequentemente tem-se a sensação de que não há tempo hábil para acompanhar as mudanças e as inovações, muito menos refazer as identidades em busca da excelência profissional – encomendada a jato. Mas se há um profissional que revelou uma enorme capacidade de resposta positiva durante o advento da pandemia COVID-19, em diversos lugares do mundo, foi o professor.

Em sua vasta obra, suas palestras e entrevistas sobre competências, currículos e formação de professores, o intelectual e educador António Nóvoa, reitor honorário da Universidade de Lisboa, sempre aborda o autoconhecimento e a autorreflexão como imprescindíveis para a formação docente – que, segundo ele, é “colar a pele profissional na pele pessoal” –  caminho que de certo levará ao êxito das práticas pedagógicas.

Ainda, para o catedrático, as melhores respostas educacionais, durante a crise pandêmica, não vieram dos Estados, nem das autoridades públicas, mas sim dos professores, que junto às famílias, colaboraram para o desenvolvimento das nossas crianças e dos nossos jovens.

Voltando ao labor docente, Nóvoa afirma:

“O professor é a pessoa. E uma parte importante da pessoa é o professor (Nias, 1991). Urge por isso (re)encontrar espaços de interacção entre as dimensões pessoais e profissionais, permitindo aos professores apropriar-se dos seus processos de formação e dar-lhes um sentido no quadro das suas histórias de vida.

A formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade (sic) crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão importante investir a pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência.”     
(NÓVOA,1992)                                               

Muitos docentes, em meio à pandemia, se viram inundados por um vasto cardápio de cursos sobre o “como fazer” ou “como agir” no ambiente digital. Os ambientes virtuais de aprendizagem utilizados pelas escolas foram (e continuarão sendo) ferramentas centrais nas mãos dos professores e dos alunos para o desenvolvimento da aprendizagem.

Entretanto, toda a instrumentalização tecnológica e uso das tecnologias somente são processos exitosos quando conteúdos curriculares são dominados pelos professores enquanto profissionais autônomos, com capacidade de produção de conhecimento e de currículo; isso, claro, aliado à organização das Instituições escolares para a escuta ativa e apoio a seus profissionais.

Cabe ressaltar que, em meio a tanta tecnologia, perdemos as contas de quantas vezes os docentes ouviram – e ainda ouvem – durante as aulas remotas, que seus alunos estavam com saudade “da Escola”, “de ver o professor ao vivo”, “de ficar junto aos amigos”, “de brincar”, “da cantina” etc, exasperos contínuos e contidos (pois cientes dessa nova realidade) que englobam em si a essência humanizadora da Educação, tal como nas palavras de António Nóvoa:

“Educação não é um ato digital. Escola é escola física. Escola é indispensável para os alunos porque é aqui (sic) que se estabelece um vínculo pedagógico, uma relação humana, um espaço de vida, de convívio, de convivência, de relação humana sem o qual não há Educação.”

 (NÓVOA, 2020)

Agradeço aos professores por, cada qual a seu modo, levarem diariamente a rememoração de todos esses “espaços” aos seus estudantes, dando-lhes alento e esperança de dias melhores.

 

Anieli Praisler é Coordenadora Pedagógica EF II no Colégio Liceu Vivere COC  – Pirassununga – SP

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