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08/01/2020

Dislexia: afinal, a que se refere?

Por: Lídia Mantovani

Para ilustrar o conceito, imaginemos a seguinte situação: observamos um estudante que, mesmo se esforçando em “copiar” tudo da lousa, na hora de escrever, produz letras de maneira involuntária e que não consegue ler aquilo que ele próprio escreveu. Uma realidade como essa pode nos remeter diretamente aos conceitos de processamento e identificação de informações. Mas, por fim, de que maneira a situação anterior está relacionada ao conceito de dislexia?

Para traçar essa tênue relação, nos ateremos a seguir no conceito propriamente dito e, após, verificaremos algumas das características gerais. Segundo a ABD – Associação Brasileira de Dislexia, a Dislexia do desenvolvimento “é considerada um transtorno específico de aprendizagem e origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas”. (Definição adotada pela IDA – International Dyslexia Association, em 2002).

Ainda, se levarmos em consideração a percepção etimológica da palavra, sabemos que esse termo (dislexia) é derivado da língua grega, conforme podemos ver a seguir: dys = dificuldade e lexis = palavras. Agora, passemos para as características propriamente ditas desse distúrbio de aprendizagem.

Como características desse distúrbio, que é direcionado especificamente para a leitura, temos a presença de desarranjos, ou seja, desordens no que diz respeito ao próprio processo/encadeamento fonológico acerca das informações com as quais um indivíduo tem contato. Logo, ele afeta, diretamente, a realização de algumas atividades; atividades essas que delimitem a utilização de um ou mais processamentos.

Por exemplo, a escrita após o ditado, a leitura oral propriamente dita, ou até mesmo o processamento auditivo-visual. Lisboa (2014. P.32) em suas contribuições nos leva a refletir que existem dois “tipos” de dislexia a serem levados em consideração. São eles: dislexias adquiridas e dislexias evolutivas ou desenvolvimentais.

Basicamente, o primeiro tipo de dislexia mencionado anteriormente abrange indivíduos que outrora foram leitores competentes, mas que, em decorrência de uma lesão cerebral, por exemplo, o deixou de ser. O segundo tipo de dislexia (evolutiva ou desenvolvimental) diz respeito ao processo no qual a aquisição da leitura ocorre de maneira lenta ou permanece incompleta. Partindo dos estudos de Citoler (1996), podemos nos ater a três tipos de dislexias, que se imbricam, portanto, aos dois “tipos” mencionados anteriormente. Ou seja, à dislexia adquirida ou evolutiva.

Para isso, nos baseamos na tabela a seguir: Dislexia Adquirida Dislexia Evolutiva Fonológica Superficial Profunda Fonológica Superficial Mista Dificuldade no uso do procedimento subléxico por lesão cerebral. Dificuldade no uso do procedimento léxico por lesão cerebral. Dificuldades no uso de ambos os procedimentos. Dificuldade na aquisição do procedimento subléxico por problemas fonológicos, perceptivo-visuais e neurobiológicos. Dificuldade na aquisição do procedimento léxico por problemas fonológicos, perceptivo-visuais e neurobiológicos. Dificuldade na aquisição de ambos os procedimentos por problemas fonológicos, perceptivo-visuais e neurobiológicos. Fonte: Citoler (1996).

Porém, é importante ressaltar que a dislexia pode afetar diversas áreas da vida do indivíduo, a dizer as relações sociais, a autoestima e a sua própria educação socioemocional, uma vez que o processo de leitura e escrita ( que são afetados) constitui uma das principais formas de comunicação em uma sociedade como a que estamos inseridos hoje. Ainda, no que diz respeito à dislexia “desenvolvimental”, há alguns “sinais” que são perceptíveis.

Desses, podemos citar, por exemplo, quando olhamos para aqueles indicadores que percorrem no início da infância, podemos mencionar: a frequente pronúncia “errada” das palavras, a dificuldade na aprendizagem de música/cantigas consideradas como simples ou adequadas para aquela determinada idade, a dificuldade na recordação das letras do seu próprio nome, entre outros.

Por outro lado, quando também lançamos olhares para o 1º ano do ensino fundamental, momento esse caracterizado pela introdução das crianças no universo da alfabetização, é possível que percebamos alguns dos sinais se: as crianças não compreenderem a possibilidade de as palavras serem decompostas, a não associação de sons e letras e até mesmo o fato de não conseguirem ler palavras monossilábicas ou dissílabas.

Geralmente, os primeiros sinais (aqueles referentes às dificuldades enfrentadas pelas crianças que apresentam dislexia do desenvolvimento) podem ser notados logo no início do processo de alfabetização, uma vez que, dentro da alfabetização temos o processo de decodificação e a partir dele a criança precisa relacionar os sinais gráficos com as respectivas sequências fonológicas das palavras.

Todavia, muito embora o diagnóstico do distúrbio aconteça nas fases iniciais da aprendizagem, também é possível que este venha a se manifestar na vida adulta, uma vez que as raízes do distúrbio são genéticas. A importância da identificação e diagnóstico da dislexia reside justamente no fato em que os impactos negativos no que diz respeito aos comportamentais e emocionais ocasionados, se precocemente identificados, podem ser minimizados.

Logo após a percepção de alguns sintomas por parte dos próprios professores, é necessário que ocorra um encaminhamento clínico, a contemplar alguns profissionais, como por exemplo: fonoaudiólogos, psicopedagogos, neuropsiquiatras e, por fim, psicoterapeutas.

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