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29/06/2020

Derruba essa parede aí

Por Eduardo Devai

A escola está em risco! Calma. Não é bem assim. Com as mudanças provocadas pelo Covid-19 é fundamental discutirmos também a revolução que isso está representado na educação mundial. Podemos elencar as mudanças relacionadas ao ensino à distância, a forma como pais e alunos estão interagindo com o conteúdo escolar, a redefinição do papel do professor, o papel do Estado frente inúmeras iniciativas espontâneas de educadores e o papel da escola como espaço físico. Afinal, qual será o papel das salas de aula com carteiras enfileiradas, lousas, muros, e sinais estridentes no contexto educacional que se forma?

O espaço físico escolar se constitui herança da educação tradicional que reproduz os modelos de ensino pautados na sociedade industrial do século XVIII e XIX onde a regra era máximo conteúdo e mínimo aprendizado. Ao longo dos séculos seguintes não tivemos mudanças significativas nos espaços escolares, apesar de vivermos a sociedade 4.0. Uma escola que traduz materialmente no espaço da classe ou do colégio essa repartição de valores ou dos méritos. (Foucault, 2011, p. 141)

Então sabemos que a escola é uma instituição desatualizada em muitos aspectos. Afinal quais as possibilidades que o momento nos oferece?
No livro Blended, Horn e Staker apresentam modelos de ensino híbrido como o ​modelo flex. Em um caso, uma Diretoria de Ensino dos EUA usou espaços comerciais e instalou pólos flex ​ . Além do currículo básico o aluno pôde aprofundar-se em temas específicos organizados pelos professores ou recuperar conteúdos. Outros distritos optaram por transformar os espaços escolares em áreas abertas, modulares, formadas por estações individuais de trabalho na qual pode-se integrar diferentes experiências de aprendizagem. Temos exemplos dessa transformação logo aqui. Escolas como o Colégio Super Ensino em Ourinhos (SP) organizam seus ambientes para potencializar o trabalho coletivo e o protagonismo do aluno pautado na liberdade da ação pedagógica optando por valorizar a prática docente extra-sala. Ambientes como a Sala Geek e o Colaboratório, disponíveis aos aluno durante todo o dia, se tornam palco de experiências de aprendizagem mais significativa que o modelo tradicional uma vez que partem da mobilização e organização dos próprios alunos.

A escola como a conhecemos nada mais é que uma colméia de quadriláteros. Redefinir o espaço escolar inclui uma redefinição da sua forma por meio da valorização de áreas coletivas e ritmos individuais. Essa reorganização deve partir da própria comunidade escolar, iniciando-se no aluno mais novo e de uma relação de confiança recíproca.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: História da violências nas prisões. 39a edição. Petrópolis RJ: Vozes, 2011. HORN, Michael B. STAKER, Heater. Blended – Usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação. 1a edição. Porto Alegre: Penso, 2015.

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