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20/02/2020

BNCC também é Neurociência!

Por Sandra Pitanga

 

A BNCC é um documento que determina as aprendizagens essenciais que as escolas brasileiras devem desenvolver com seus alunos em cada etapa da Educação Básica e que deverá ter aplicação prática nas escolas a partir deste ano, 2020.

Segundo o MEC, “A Base estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade básica. Orientada pelos princípios éticos, políticos e estéticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, a Base soma-se aos propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva”.

E o que esse documento tem a ver com a Neurociência?

A BNCC define competência como “a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, o pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”.

As habilidades citadas no documento são em grande parte resultado do funcionamento de um sistema cognitivo presente nas Funções Executivas, que são coordenadas pela parte frontal do cérebro, o córtex pré-frontal.

Funções Executivas são habilidades cognitivas e competências que envolvem ações necessárias para o indivíduo realizar uma tarefa, atingir um objetivo. São responsáveis pelo planejamento, tomadas de decisão, monitoramento, manipulação e execução de uma tarefa, possibilitando ao indivíduo encontrar respostas para um problema a partir de conhecimentos e experiências armazenadas na memória.

A compreensão das funções cognitivas básicas nos permite conhecer os mecanismos do cérebro relacionados ao processo de aprendizagem. As possibilidades que a Neurociência oferece podem atender às necessidades da educação que tem projetado, cada vez mais, o seu olhar para a formação integral do indivíduo capacitando-o, principalmente, para os desafios profissionais do século XXI. Desafios esses que envolvem, principalmente, solução de problemas, organização de informações e ações, empatia, criatividade, cooperação, cidadania e uso (domínio) da tecnologia.

Adele Diamond, professora de Neurociência Cognitiva do Desenvolvimento da University da of British Columbia, Canadá, sugere três componentes principais das Funções Executivas responsáveis pelas habilidades práticas, cognitivas e socioemocionais de um indivíduo e que, de alguma forma, fazem parte do documento da BNCC: O Controle Inibitório é uma habilidade que permite ao indivíduo controlar comportamentos impulsivos, trabalhar em equipe, manter-se focado. Representa a capacidade de controlar as emoções e pensamentos diante de desafios. Segundo ela, é a função mais preditiva de resultados em longo prazo. A Flexibilidade Cognitiva envolve a flexibilidade de ideias e ações. Permite ao indivíduo considerar coisas a partir de diferentes pontos de vista. Favorece a autonomia e a capacidade de ter iniciativas. É uma habilidade diretamente relacionada à criatividade. A Memória de Trabalho possibilita a manipulação e reprogramação de informações armazenadas na memória, além da criação de novas memórias. É importante para estabelecer prioridades, planejar e organizar-se.

O que molda o cérebro é a experiência. E o universo do ambiente escolar é extremamente favorável ao desenvolvimento dessas habilidades. É preciso impulsionar o desenvolvimento das Funções Executivas por meio do ensino de metodologias ativas e, para tanto, é necessário tirar os alunos (e professores) da zona de conforto.

Compreender, minimamente, o funcionamento do cérebro representa a promoção do desenvolvimento da saúde física e mental do indivíduo, além de contribuir para uma melhora no desempenho escolar, na vida social e profissional.

Sugestões de leitura.

 

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