17/06/2021

O ensino híbrido como uma realidade intensificada pela pandemia

Por: Solange Vicente de Mendonça Lima*

A pandemia gerou muitas mudanças em todo o mundo e as sociedades sentiram e ainda sentem os seus impactos. A Covid-19 trouxe o desconhecido, o medo, as longas e sofridas internações, as mortes, o distanciamento social, o abalo na economia, o desequilíbrio financeiro, a visão dos “invisíveis” e, também, a solidariedade, a necessidade de se importar com o outro, a reinvenção do modo de vida, novas formas de trabalho e tantas outras. 

A educação também foi atingida em cheio pela pandemia. Em um primeiro momento, foi preciso fechar as escolas para evitar a contaminação, enquanto se buscavam alternativas para combater a pandemia. Em um segundo momento, foi preciso pensar em ações e formas pedagógicas para dar continuidade ao processo de aprendizagem dos alunos. 

Muitos desafios se colocaram e ainda se colocam. Dando alguns saltos nesse contexto, vamos trazer para a nossa reflexão o agir das escolas que tiveram que criar alternativas para atuar, no momento em que se preocupavam com a volta às aulas, num momento ainda de incertezas. E como não podia deixar de ser, todos se voltaram para as possibilidades que a tecnologia trazia.

Então, computadores, celulares, tabletes, internet, plataformas, softwares passaram a povoar as ideias com mais força. Até porque já se fazia isso antes da pandemia em muitas escolas, na maioria, da rede particular, mas também em algumas da rede pública.

De alguma forma, essa interação da tecnologia com a metodologia educacional teria que fazer parte dos processos escolares para que a educação fosse plenamente atendida. As ações pedagógicas já estavam sendo estudadas e implementadas em muitas escolas, a pandemia apenas acelerou o processo. Passamos, então, a ouvir falar com mais frequência em ensino híbrido que é mais que utilizar ensino presencial e remoto combinados ou alternados. 

Temos, então, um dos maiores desafios da educação no momento, que é como estruturar o ensino formal, trazendo o chamado ensino híbrido ou ensino combinado para o dia a dia. Isso porque há muitas variáveis envolvidas, não basta apenas optar por esse ensino. É preciso enfrentar e propor soluções para os desafios que surgem. 

Vamos citar alguns itens para iniciar o processo:
  • A escola tem equipamentos e pessoal para o trabalho?
  • A escola tem acesso à internet fácil, contínuo e de boa qualidade?
  • Os professores estão capacitados no uso da tecnologia em seu planejamento de aula?
  • As equipes pedagógica e docente já estão em sintonia com a questão para a implantação em seus planejamentos?
  • Os alunos possuem os equipamentos e internet para o uso em casa?
  • As famílias estão inteiradas desse processo?

Essas são questões básicas, mas não as únicas. A pandemia ainda não acabou e, assim, ainda estamos em um momento de análise da retomada das atividades presenciais, da manutenção do ensino híbrido, pois são as condições sanitárias de cada região do país que nortearão essa análise e a implantação ou não implantação. Número reduzido de alunos, divisão e rodízio de turmas, atividades totalmente à distância ou um misto de atividades presenciais e remotas, tudo isso pode acontecer. As possibilidades são muitas. 

Sendo assim, o ensino híbrido se faz presente e o aluno vivencia uma aprendizagem integrada, ora presencial, ora online, na qual as informações de uma podem informar e orientar as da outra. 

Nessa estrutura, as atividades podem ser síncronas – professor e aluno trabalhando juntos online ou presencialmente – ou assíncronas – aluno desenvolve atividades em seu tempo, sem a presença da turma e do professor -, ambas visando sempre as melhores condições de aprendizagem. 

Volto a ressaltar que para a execução de um processo híbrido de qualidade, não basta desejar esse processo. É preciso ter condições necessárias para tal, como apoio de plataformas de ensino, ferramentas digitais, formação de professores para esse novo contexto educacional, promover encontros virtuais de professores e pedagogos para trocar experiências, apoiar e motivar a pessoa e o profissional. 

É preciso também acompanhar, motivar e promover a participação dos alunos nessa nova forma de aprender e de interagir com os professores e seus colegas. Desenvolver momentos em que se possa trabalhar também as questões como as de organização, disciplina e, ainda, as questões emocionais para que o aluno se sinta protagonista de seu processo de aprendizagem.

Uma questão difícil, mas necessária, é buscar saídas para as desigualdades de acesso à tecnologia e à internet dos atores desse processo, alunos e professores, pois tais condições repercutirão nas ações de estudo, podendo, inclusive, dificultar o processo de aprendizagem. 

É preciso um trabalho com as famílias para o entendimento do momento em que o aluno estuda em casa, de modo que no momento do estudo, o aluno seja percebido pela família como em atividade escolar, diminuindo assim, os desvios de atenção e concentração devido a chamamentos e atividades dos outros integrantes da família que possam desvirtuar a atenção do aluno e atrapalhar suas atividades escolares. 

A escola e a equipe pedagógica deverão estar atentas em verificar continuamente se o aluno está desenvolvendo suas habilidades e aprendendo. Essa deve ser uma preocupação contínua de toda a equipe e, portanto, verificar e se apropriar do potencial da tecnologia para isso. 

Para encerrar esse nosso momento de reflexão, gostaria de citar um fator importante que é a sociabilidade dos alunos nesse processo, fator não menos importante que os demais. É sabido o quanto os alunos gostam de interagir com seus amigos e se conectar com o mundo, mas isso não quer dizer que essa conexão e interação já se dão na escola.

Um dos grandes desafios para o professor é promover essa interação e conexão. Isso se dará se o professor cada vez mais se apropriar das tecnologias para apresentar tarefas instigantes, debates, tarefas para pequenos grupos de alunos, promover a socialização das pesquisas dos alunos, valorizar a produção individual ou coletiva, disponibilizar os resultados dessa produção na plataforma para acesso aos demais alunos. Enfim, precisará ser criativo e conhecer o potencial de cada um dos seus alunos. 

A pandemia nos trouxe muitos desafios, porém nos mostrou que podemos enfrentá-los desde que sejamos verdadeiros, empenhados, compromissados e com vontade de vencê-os. O futuro dos estudantes também depende disso.

 

*Solange Vicente de Mendonça Lima é professora, pedagoga, psicopedagoga com atuação na rede pública e privada de educação em escolas, redes e empresas.

Colaboração

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