Preparando os estudantes de hoje para o mercado de trabalho de amanhã

por: Entretanto

Em todo o mundo, a educação formal proporciona uma oportunidade para avançar, tanto para indivíduos quanto para a sociedade. É essencial que as empresas de educação encontrem maneiras de medir esse progresso. Um dos pontos de referência, mais convincentes desse sucesso, é se o aluno é capaz de encontrar um emprego remunerado após a graduação, especialmente em um mundo onde 65% dos jovens de 12 anos prosseguirá em trabalhos que não existem hoje.¹

Em parceria com os empresários da educação que estão abordando essa necessidade, obtivemos uma perspectiva valiosa em preparar os alunos para o mercado trabalho. Aqui estão três ideias que acreditamos serem cruciais para o futuro deste segmento:

  • A elevada taxa de desemprego não pode ser resolvida sem a educação que foque em competências para o trabalho

O desemprego continua a ser um grande problema em todo o mundo enquanto empregadores buscam preencher suas vagas com mão de obra suficientemente qualificada. Este problema é ainda mais urgente em mercados emergentes, na Ásia e na África, onde a força de trabalho está crescendo exponencialmente. Ao mesmo tempo, as taxas de adequação de universidades no continente Africano, por exemplo, continuam a serem as mais baixas do mundo. Aproximadamente 40% dos empregadores dizem fazer um grande esforço para preencher as vagas de emprego com trabalhadores qualificados,² um desafio que deve ficar maior, conforme a economia global se transforma, sob as pressões para uma maior automatização no local de trabalho.

40% dos empregadores dizem fazer um grande esforço para preencher as vagas de emprego com trabalhadores qualificados

 

  • As abordagens atuais de preparação para o trabalho são inadequadas

Em uma escala global, os jovens têm três vezes mais probabilidade de ficar desempregados do que seus pais.³ Nos mercados emergentes, o problema é ainda mais evidente. 93% da população com idade universitária, em países africanos, não está na faculdade, deixando maior a procura pelo emprego informal ou programas de formação profissional.⁴ A África não está sozinha,. Entre os mercados emergentes, a infraestrutura educacional atual se esforça para encontrar maneiras de envolver os jovens em um caminho para o emprego produtivo.

O ensino profissional é muitas vezes encarado como a resposta, por exemplo, a Índia implantou uma Política Nacional de Desenvolvimento de Talentos (NSDP), em 2007, com o objetivo de requalificação de 500 milhões de pessoas até 2022. Isto foi acompanhado do anúncio, em 2013, alocando 150 milhões de dólares no orçamento indiano, para um plano de desenvolvimento de competências, que oferece um incentivo para cada indivíduo que opta pela formação profissional.

Apesar do investimento na formação profissional ser significativa e crescente, o estado atual deste tipo de educação é muitas vezes antiquado e não é adequado à economia do século 21. Com muita frequência, as empresas de educação profissional se assemelham a empresas de fornecimento de mão-de-obra terceirizada, focando em atrair estudantes para cursos e colocando-os em empregos com baixos salários, com pouca atenção à sua preparação. Empresas de educação profissional anunciam altas taxas de colocação para seus alunos, mas um estudo mais profundo muitas vezes revela problemas. O que as empresas não anunciam é que muitos de seus alunos deixam postos de trabalho nos primeiros meses depois de se descobrirem despreparados. Ou são demitidos pelos empregadores, que terão uma nova chance em um novo lote de colocações. De fato, o nível de desgaste no trabalho, para graduados recém-colocados, pode ser maior que 40% nos primeiros seis meses. Neste ambiente, se continuarmos a gastar dinheiro com estas abordagens tradicionais sem explorar alternativas inovadoras, nunca seremos capazes de desbloquear completamente o potencial desses jovens no local de trabalho.

 

  • A linha que separa o ensino secundário, superior e profissional está obscura

Tradicionalmente, temos pensado frequentemente no ensino secundário, superior e profissional como campos distintos com propósitos únicos. Mas é hora de um pouco mais de flexibilidade e polinização cruzada entre eles. Em muitos mercados emergentes o caminho para sair da pobreza é através de trabalhos de alta qualificação. Nas Filipinas, com a concentração em setores de terceirização de serviços e de processos de negócios (BPO), isso significa uma educação básica completa, competências profissionais e fluência em Inglês.

Nos mercados emergentes o problema é ainda mais evidente. 93% da população com idade universitária, em países africanos, não está na faculdade.

Infelizmente, muitas escolas do país não fazem o suficiente para preparar os estudantes para a faculdade ou para o trabalho. Nossa subsidiária, APEC Schools, sediada em Manila, pretende resolver isto através da construção de habilidades de língua inglesa. Mais da metade dos alunos da APEC são de famílias que possuem renda menor que 550 dólares por mês. Por apenas 50 dólares por mês, o que coloca a APEC entre as mais baratas escolas privadas, os alunos aprendem inglês em um ambiente de imersão. Os alunos recebem uma formação escolar efetiva e também as habilidades para ter sucesso profissionalmente, incluindo pensamento crítico e formação do caráter.

A APEC não ignora o contexto nacional, servindo apenas como um trampolim para o ensino superior. É sabido que muitos dos alunos, que se formam no ensino médio da APEC, irão diretamente para o mercado de trabalho, assim é necessário prepará-los para serem bem-sucedidos lá. É um modelo digno de exame. Universidade e prestadores de ensino secundário poderiam olhar com mais rigor seu papel na preparação dos alunos para o mercado de trabalho.

O pensamento crítico, a liderança e competências linguísticas, fundamentais para o mercado de trabalho, são em grande parte ausentes no sistema K-12 e de importância secundária nos sistemas da maioria dos países em desenvolvimento. Acreditamos que fornecedores secundários e terciários, irão aumentar a busca por parcerias com empresas e agências de desenvolvimento, parar dedicar a preparação dos seus alunos para o mercado de trabalho do século 21. Universidades que ajudam os alunos a aprender habilidades práticas, talvez por meio de projetos de estágio, em parceria com empresas locais, serão capazes de tirar partido das tendências demográficas em jogo. Estamos otimistas que empreendedores irão desempenhar um papel fundamental nesta mudança e estamos prontos para ajudá-los.

 

¹ UNESCO / World Bank

² McKinsey

³ Ilo

Slate 

Originalmente publicado na Carta Anual do PAFL de 2015

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