PISA avalia a Educação no Brasil e no mundo

por: Juliano de Melo Costa

Recentemente foram publicados os resultados do PISA, programa que avalia sistemas educacionais de diversos países no mundo.

Aplicado a cada três anos, o PISA (sigla inglesa para Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é um exame que tem como objetivo medir a Educação através da avaliação do desempenho de alunos em Matemática, Leitura e Ciências. Recentemente, os resultados do último PISA feito em 2015 foram divulgados e mostram que o Brasil perdeu 5 posições em comparação a sua edição anterior, caindo do 58º para 63º lugar.

O resultado serve como um diagnóstico externo da Educação Brasileira como um todo, pois o exame possui uma base diversificada que contou com a participação de 23.141 alunos com idade de 15 anos pertencentes a 841 escolas, sendo que destas 73,8% são escolas da Rede Pública Estadual, 77% dos alunos estão matriculados no Ensino Médio (dentro da faixa) e 95,4% estão em centros urbanos.

Avaliando analiticamente os resultados, percebe-se que o Brasil teve uma performance menor três áreas avaliadas – Matemática, Leitura e Ciências – em comparação com a edição anterior. Porém, de modo estatístico, os dados corroboraram que não houve avanço significativo desde 2009, apesar do país ter avançado de forma modesta nos dez primeiros anos da existência do exame (2000 a 2009).

O exame possui uma escala de proficiência nas áreas testadas geralmente entre 1 e 7, com exceção da disciplina de Matemática (que varia entre 1 e 6), sendo 2 o valor da habilidade considerada “necessária para o exercício pleno da cidadania”, de acordo com a OCDE. No Brasil, mais da metade dos estudantes do país que fizeram o exame está abaixo desta média.

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De acordo com o INEP (órgão do MEC responsável pela aplicação do exame no país), não existem diferenças significativas entre os alunos da rede pública e os alunos da rede privada, apesar dos dados demonstrarem diferenças importantes em seus resultados. Na visão do INEP, esse valor de diferença (cerca de 90 pontos na média) está relacionado ao fato de cerca de 30% dos alunos respondentes da rede pública serem alunos fora da série regular, o que impacta diretamente no resultado da avaliação. É importante lembrar que a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, grupo que desenvolve e aplica o PISA – estima que cada 30 pontos de diferença no resultado equivale a um ano letivo de aprendizagem.

Vejamos o resultado em ciências, por exemplo:

  • Média dos países da OCDE:493 pontos
  • Média do Brasil: 401 pontos
  • Brasil – rede federal:517 pontos*
  • Brasil – rede privada:487 pontos*
  • Brasil – rede estadual: 394 pontos
  • Brasil – rede municipal: 329 pontos**

*Segundo o INEP, o desempenho médio dos estudantes da rede federal e da rede privada não é “estatisticamente diferente”.

**O Inep ressalta que a rede municipal tem pontuação inferior porque, na maioria das escolas, os estudantes ainda estão cursando o ensino fundamental aos 15 anos, ao invés de estarem na primeira série do Ensino Médio.

Nos resultados do PISA 2015, nota-se que em ciências os estudantes brasileiros respondem bem perguntas cientificamente constituídas, baseadas em respaldo conceitual e com múltipla escolha simples, mas têm dificuldade ao responder questões sobre experimentos científicos, tal como interpretar dados e evidências científicas, conhecer e determinar procedimentos de pesquisa, responder questões abertas e de múltipla escolha complexa. Isso parece demonstrar uma relação direta entre as práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas brasileiras (aula expositiva, foco nos conceitos e na memorização dos dados, perguntas objetivas de múltipla escolha de respostas diretas, etc) e o bom (ou mau) desempenho na avaliação internacional.

Em leitura, observa-se a segunda queda no resultado, que estatisticamente não representa declínio, mas a manutenção do nível de proficiência do estudante brasileiro.

Dentro do espaço amostral, geralmente os alunos de melhor desempenho – escala 5 ou mais no PISA – correspondem a 8,9% dos alunos, entretanto no Brasil esse valor é de menos de 1%. O país tem cerca de 43% dos alunos participantes do PISA entre os 20% mais desfavorecidos na escala socioeconômica da OCDE. Na média dos outros países, essa taxa é de 12%. Porém, esse item não é suficiente para explicar o resultado, pois vários países da América Latina têm cenários parecidos ou piores como México, Colômbia e Peru, e mesmo assim, possuem resultados melhores. De qualquer maneira, a condição socioeconômica do estudante, se não é um fator direto de insucesso, tampouco auxiliar no sucesso na aprendizagem.

Alguma luz pode ser trazida a questão dos resultados quando estes são cruzados com o investimento do país em educação. O Brasil aplica cerca de 42% do valor médio investido em educação pelos países membros da OCDE, e o seu PIB per capita representa apenas 48% em comparação com os outros membros da organização. Estes números impactam diretamente no resultado do exame, pois quanto maior o PIB per capita e maior o investimento, melhor é o resultado dos estudantes do exame. No entanto, o Brasil tem aumentando em 10% os investimentos por aluno em educação desde 2012 e isso não se refletiu em resultados acadêmicos. A reflexão agora deveria ser não somente sobre quando, mas como o dinheiro precisa ser empregado para impactar efetivamente na aprendizagem dos estudantes brasileiros nos próximos anos.

Diversos especialistas comentam que o problema do investimento com pouco resultado no Brasil está focado em alguns pilares: o primeiro, a má formação docente e a falta de atualização das práticas pedagógicas consideradas mais modernas e atualizadas no sentido de favorecer o engajamento e a aprendizagem dos estudantes; o segundo, a indefinição, até o momento, de uma base nacional curricular comum, que poderia pautar a estruturação de conteúdos, a definição de habilidades e competências esperadas e necessárias e as metodologias mais eficazes para cada segmento educacional e área do conhecimento e; terceiro, o foco na oferta de estruturas físicas escolares e curriculares capazes de reter o estudante na escola e permitir o seu pleno desenvolvimento.

São itens que estão na ordem do dia e que precisam de especial atenção das políticas públicas e das instituições públicas e privadas de educação.

Mais informações no Relatório da OECD – PISA 2015

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