O que é Avaliação Formativa – e por que é importante?

por: Shannon White

Embora pesquisas acadêmicas ao redor do mundo nos mostre que a avaliação formativa, combinada com feedback eficiente e ações por parte do professor, tenha um grande impacto no aprendizado do aluno, não é sempre claro o que “avaliação formativa” significa num sentido prático. Se eu sou uma professora iniciante prestes a encarar minha primeira turma, o que eu preciso saber e ser capaz de fazer para garantir que eu estou usando a avaliação formativa efetivamente? Se eu sou uma professora experiente, o que eu talvez precise mudar, atualizar, ou aprofundar na minha prática com a avaliação formativa?

 

A avaliação formativa é um processo usado por professores e alunos durante a instrução que fornece feedback a fim de ajustar o processo ensino-aprendizagem.

 

Frequentemente o termo “avaliação formativa” nos remete a testes e provas – mas na realidade, avaliação formativa tem tanto a ver com aprendizado quanto com avaliação. A avaliação formativa não é uma ferramenta, mas sim um processo – um processo usado tanto por alunos quanto por professores durante o período de instrução a fim de ajustar o ensino e a aprendizagem em andamento. O objetivo principal da avaliação formativa é determinar se os objetivos de aprendizagem estão sendo alcançados e em que medida, para que atitudes possam ser tomadas a fim de eliminar qualquer lacuna de aprendizado. Em essência, a avaliação formativa é avaliação PARA o aprendizado, enquanto que a avaliação somativa como, por exemplo, os exames de final de unidade é avaliação DE aprendizado.

 

Quais seriam alguns exemplos de avaliação formativa?

 

Por meio da avaliação formativa, professores dão e recebem feedback dos alunos de diversas formas: verbalmente, usando linguagem corporal não-verbal, por meio de comportamento, conversas, e trabalho contínuo. Alguns exemplos de avaliação formativa incluem:

 

  • Perguntas abertas que encorajem múltiplas respostas por parte dos alunos, levando a uma discussão para se chegar a uma resposta final. Isso mostra o desenvolvimento do raciocínio do aluno tanto para os professores quanto para eles mesmos e ajuda o professor a identificar e eliminar lacunas ou concepções errôneas.
  • Usar perguntas de sondagem que demande do aluno uma justificativa, como por exemplo:

 

Aluno: “Você poderia girar o triângulo e então ele iria se encaixar naquele espaço..”

 

Professor “Você tem certeza que daria certo?”

 

Aluno: “Sim.”

Professor: “Você pode explicar como você chegou a essa conclusão? Mostre na lousa se você achar melhor desenhar!”.

 

  • Usando uma variedade de estímulos convites e declarações para encorajar os alunos a explicar seu raciocínio, tais como parafrasear uma resposta de um colega, fazer um comentário que encoraje elaboração, ou, até mesmo simplesmente pausar para que o aluno continue.
  • Observar o comportamento do aluno, conversas e abordagens de solução de problemas enquanto eles estão trabalhando em um projeto em sala de aula ou em atividades de discussão em dupla ou pequenos grupos.
  • Ministrar testes rápidos de múltipla escolha ou de respostas curtas e usar as respostas escritas, orais ou geradas eletronicamente, não para dar uma nota, mas para determinar em que ponto do aprendizado os alunos estão e ajustar a instrução de acordo com as necessidades.
  • Pedir para os alunos criarem diários (registros  de aprendizado) e rever esses diários regularmente. Como resposta a estímulos rápidos, os alunos gravam o que eles estão aprendendo e as perguntas que ainda têm, e os professores monitoram seu progresso em relação ao domínio dos objetivos por meio da revisão desses apontamentos.
  • Pedir que os alunos completem um organizador gráfico, tal com um mapa mental para fazer uma chuva de ideias ou um diagrama de Venn para comparar e contrastar ideias.
  • Incentivar os alunos a fazerem “anotações rápidas” ou “desenhos rápidos” na lousa a fim de explicar conceitos usando suas próprias palavras e imagens e fazer uma revisão rápida do conteúdo pedindo aos alunos que mostrem sua produção.

 

Como os professores podem usar a avaliação formativa efetivamente?

 

O feedback que os professores recebem das avaliações formativas ajudam a apoiar o ensino e a aprendizagem de três principais maneiras:

 

  1.       Fornece informação sobre o raciocínio, compreensão ou habilidades atuais dos alunos que permite aos professores lhes darem feedback preciso, oportuno e construtivo.
  2.       Ajuda os professores a avaliarem a efetividade do apoio à instrução e aprendizado até um determinado momento e fornece informação que ajuda os professores a refinar sua abordagem ao ajudar os alunos a se engajarem tanto com o conteúdo quanto com o processo de aprendizagem.
  3.       Permite uma compreensão, um diagnóstico de necessidades de aprendizado futuros ou de para onde o aprendizado deve seguir.

 

O objetivo, e ênfase, de todas as avaliações formativas devem ser em fazer com que o  aprendizado seja significativo para todos os alunos. O professor usa informação vinda da avaliação formativa para determinar a quantidade, e a natureza da instrução e explicação a serem oferecidas. A informação gerada pela avaliação formativa ajuda o professor a reagir de forma construtiva ao que aconteceu, a ajustar a tarefa e/ou a quantidade e natureza do apoio oferecido, e a identificar próximos passos específicos para o ensino e a aprendizagem.

 

A avaliação formativa está intimamente ligada ao feedback efetivo – a partir do momento em que o professor sabe onde os alunos estão, qual a forma mais eficaz de ajudar esses alunos a entender onde eles estão e onde eles precisam chegar? No nosso próximo artigo  iremos nos aprofundar em feedback!

 

Referências

Black, P & Wiliam, D 2004, Working Inside the Black Box: Assessment for learning in the classroom, Phi Delta Kappan, Bloomington, United States.

Graham, S., Hebert, M., & Harris, K. R. (2015) Formative Assessment and Writing. The Elementary School Journal 115(4), 523-547

Torrance, H. and Pryor, J., University of Sussex , British
Educational Research Journal, Vol. 27, No. 5, 2001, pp. 615-631: Developing formative assessment in the classroom; using action research to explore and modify theory

Wiliam, D. (2011). Embedded formative assessment. Bloomington, IN: Solution Tree.

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