A menina de 9 anos que lidera uma equipe de robótica

A menina de 9 anos que lidera uma equipe de robótica

por: Entretanto

Um problema que muitas mulheres que estão se adaptando ao modelo de ensino STEM (“science, technology, engineering and mathematics”, ou “ciência, tecnologia, engenharia e matemática”), que integra as diversas funcionalidades de vários aparelhos em um só, enfrentam é a recepção de colegas do sexo masculino às suas ideias. Mas a relação entre mulheres e ciência está em constante mudança. Prova disso é uma garota norte-americana de 9 anos de idade, Olivia Tappen, que montou seu próprio jogo de robótica, com a equipe que criou há três anos, e venceu uma competição – ganhando, inclusive, dos meninos.

 

O orientador da equipe era o pai de Olivia, Frank Tappe, que auxiliou a jovem cientista no processo de criação do grupo Pink Eagles. Olivia, Jaley Felty, Amber Clark, Camryn Ihrke e Sidney Furge, estudantes de um colégio em Ore Creek, no Estado de Michigan, conquistaram o primeiro lugar na competição internacional Wonder League Robotics Competition, derrotando outras 5.300 equipes e ganhando um prêmio de $5.000.

 

“Se eu tivesse que comparar as duas equipes, as meninas são mais colaborativas. Elas tentam formar uma ideia juntas e estão sempre se certificando de que a fala de cada pessoa do time seja considerada. Já os meninos são mais competitivos: parece que quando um deles aparece com uma ideia, este já não quer mais ouvir a ideia dos outros. É oito ou oitenta, por assim dizer,” diz Frank Tappen, falando sobre os meninos e as meninas das equipes que orienta.

 

Para as meninas do Pink Eagles, escrever uma codificação que controla robôs em uma ilha fictícia, repleta de animais ameaçados de extinção, não significa desafio, mas sim diversão e aprendizado. Algumas delas enxergam este passatempo com um objetivo que vai além da competição: o jogo representa um passo dentro de uma promissora carreira na área de ciências, tecnologias, engenharia, matemática ou até arqueologia.

 

O que também une estas garotas é que todas têm histórias para contar sobre  como se sentiram excluídas ou negligenciadas quando manifestaram interesse neste modelo de ensino STEM, e como esperam que as escolas, assim como a sociedade em geral, possam melhorar seus incentivos aos estudos de ciências exatas para as estudantes do sexo feminino.

 

Olivia se recorda de, em projetos que participou em sala de aula, os meninos recomendarem que, por ela ser uma menina, deveria fazer as anotações. A estrutura que os meninos tentaram construir não funcionou. Foi aí que Olivia fez sua própria estrutrutura, sozinha. O professor percebeu, e os meninos não receberam a nota.

 

“Sinto que existe uma grande discriminação desde o nascimento, pois os garotos são criados pensando que são melhores do que nós, mais capazes”, diz a pequea. E o pai, orgulho, pergunta: “Você gosta de provar que eles estão errados?”.

 

“Sim!”, ela responde.

 

Quando Camryn, outra integrante da Pink Eagles, procura por revistas de tecnologia e ciências em bancas ou mercados, ela encontra tudo na seção de  “interesses masculinos”, enquanto a seção de “interesses femininos” está preenchida com revistas de beleza.

 

“Eu acho que integrar tudo, independente do gênero, seria mais encorajador para as jovens que querem experimentar a tecnologia”, diz. Atualmente, a discussão de gênero está elevando o nível de igualdade entre homens e mulheres, porém, pesquisas mostram que a segregação de interesses ‘’azuis e rosas’’ começa muito cedo, logo nos primeiros momentos de uma pessoa na escola.

 

Portanto, as escolas precisam assumir a liderança na mudança desta cultura. Pensando nisso, as amigas Camryn e Olivia participam de um clube feminino de tecnologia da escola, que é dirigido por um professor que observou uma falta de envolvimento das meninas nas aulas de engenharia e programação. Para ele, diferente dos meninos, elas não se sentiam acolhidas nas aulas.

 

Este clube traz palestrantes mulheres que atuam nas indústrias de tecnologia. Lá, elas compartilham suas experiências: “Não temos nada assim no ensino médio ou no ensino fundamental, o que eu gostaria que tivéssemos. Há um monte de garotas que eu acredito que adorariam robótica caso fossem estimuladas”, reforça Frank Tappen.

 

As Pink Eagles convidaram as meninas mais jovens para suas reuniões de equipe e incentivaram-nas a conhecer a robótica. O conselho destas jovens cientistas é: Perca o medo e vá em frente. “Abracem as diferenças, pois, em breve, todos vão percer que nós podemos tanto quanto os homens”, conclui Camryn.

Assista ao jogo criado pelas Pink Eagles!

 

Conteúdo originalmente publicado em The 74

Receba nossa News