Internet por Kilo

por: Bia Granja

Qualquer “googlada” básica em “como usar internet em sala de aula vai retornar mais de 1 milhão de respostas com textos e mais textos contendo dicas incríveis de como professores podem incorporar a “grande rede mundial de computadores” em seu dia-a-dia de aula. Mas quando paramos para ler com calma, percebemos que essas dicas todas tratam a internet como um lugar que você visita e traz um souvenir no fim da viagem. Isso pra mim é um erro.

Você até pode dar uma passada “ali na Internet” quando precisa de algo dela, mas fazer isso é meio como ir a um buffet a kilo que você não conhece: você sabe conceitualmente como funciona o sistema, mas é provável que acabe enchendo o prato com a comida que não é a “melhor” que você poderia comer ali.

Você fica frustrado, acha que não valeu a pena e promete a si mesmo nunca mais comer fora do seu restaurante habitual. Seu repertório gastronômico ficará menos rico, você sabe, e isso até te causa um certo desconforto e frustração, mas pelo menos você não precisa se arriscar por caminhos que não conhece.

Mas internet é justamente o oposto disso. É se deixar hyperlinkar, passar de um prato a outro, de um buffet a outro, de uma ideia a outra sem medo. Você até vai comer alguns pratos ruins nessas andanças, mas garanto que vai se acostumar com essa dinâmica e, com o tempo, o que lhe era desconfortável e estranho se tornará o novo normal.

A internet deixa de ser uma ferramenta e vira um mindset. E é aí que a mágica acontece. Quando eu penso em “como usar a internet em sala de aula”, eu penso, na realidade, nisso. Em transformar a internet em algo tão natural para o professor quanto é para o seu aluno, e a partir daí, passar a pensá-la como um modus operandi, como uma maneira de pensar e fazer a sala de aula que vai muito além de passar um vídeo engraçadinho do Youtube em aula ou abrir um grupo de discussão no Facebook.

Trazer o mindset da internet para a sala de aula é pensar colaborativamente, é ter como norte que conhecimento se constrói junto, não é uma via de mão única. É pensar que essa geração é hands on, é DIY. É a geração do tutorial do Youtube, dos vídeos de 40 segundos que ensinam a cozinhar, do conteúdo on demand, do mundo onde eles são agentes ativos, construtores de seus próprios caminhos e profissões. É pensar em navegadores com múltiplas abas abertas ao mesmo tempo. É pensar em hyperlinks e conexões, em misturar sabores e apps. É admitir que no processo de aprendizagem, muitas vezes o exercício investigativo é mais importante do que o resultado a que se chega. É saber que sempre dá pra abrir mais uma aba no navegador. Que o aprendizado é constante. É praticar o senso crítico na Era do Pós-fato. É não ter preconceito com o diferente.

É praticar isso diariamente, constantemente, sem pular um dia. Até que essa nova dinâmica se transforme no novo normal e essa linguagem esteja incorporada ao dia-a-dia da sala de aula e, no caso do professor, principalmente fora dela.

Minha grande dica para os professores é essa: viva a internet, pense digital, se jogue por novos sabores. Quando ela for natural para você, será muito fácil trazê-la pra sala de aula. 🙂

Receba nossa News