Inovando em sala de aula, transformando fora dela

Inovando em sala de aula, transformando fora dela

por: Jaqueline Lopes

Inovação é a palavra do momento. Segundo o dicionário, inovar significa “tornar novo;. renovar; restaurar”. Isso é interessante. Inovar em sala de aula é uma forma de restaurar o desejo de aprender, de tornar novo um conceito ou uma atividade pela forma como foi realizada e os recursos que foram usados.

Segundo Fullan (2007) a inovação agrega três dimensões: a utilização de novos materiais ou tecnologias, o uso de novas estratégias ou atividades e a alteração de crenças por parte dos intervenientes. É preciso ter uma postura inovadora e isso exige mudanças de paradigmas que foram construídos ao longo da história da humanidade como, por exemplo, a crença de que o professor é o detentor do conhecimento.

Paulo Freire, em seu livro Pedagogia da Autonomia, nos lembra qual é nossa função como educadores: “saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando entro em uma sala devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições, um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a ele ensinar e não a de transferir conhecimento”.

A inovação é uma característica exigida de qualquer profissional, ou seja, não basta apenas o professor ser um agente inovador, é preciso que desperte em seus alunos essa mesma competência. O mundo, a sociedade, o mercado de trabalho não procuram profissionais que sabem mais do mesmo, a busca é, na verdade, por aqueles que trazem ideias novas para problemas comuns.

A formação de um sujeito crítico, criativo e inovador, perpassa uma educação transformadora. Sendo assim, como nós educadores podemos permitir e incentivar a inovação em nossas salas de aula? Seguem algumas dicas para ajudá-lo:
Apresente problemas

A inovação é uma resposta criativa e, claro, bem-sucedida a uma situação-problema trazida por qualquer um dos pares. Se for planejada pelo professor, terá objetivos claros e bem definidos, mas se surgir através de questionamentos dos próprios alunos pode ter um alcance muito maior.

Trabalhe com projetos

Envolva a turma em equipes de trabalho para os momentos de pesquisa e compartilhamento. É interessante quando, ao final desse projeto, os alunos precisam trazer soluções sugestivas para o tema estudado. Sempre que possível, utilize conhecimentos da vida cotidiana, problemas que eles enfrentam na prática para que o envolvimento seja ainda maior. Na área de Geografia, por exemplo, é interessante desenvolver um projeto sobre mobilidade urbana, sobre desmatamento ou sobre reaproveitamento da água. Em sua área, escolha temas que envolvem os alunos e nos quais ele pode intervir. Se o projeto for interdisciplinar, melhor ainda, afinal o conhecimento precisa ser compartilhado.

Valorize competências

Temos uma diversidade de mundos dentro da sala de aula. Cada um de nossos alunos traz consigo experiências, ideias, visões de mundo diferentes. Que tal valorizar as principais competências deles? Isso envolve a criação de espaços para que elas sejam desenvolvidas e conhecidas, afinal como vamos saber se um aluno é incrivelmente talentoso na escrita de textos poéticos se ele não escrever poesia, por exemplo.

Desenvolva o pensamento crítico dos alunos

Questione. Ofereça recursos para que esses questionamentos sejam respondidos. Encoraje as controvérsias, as opiniões contrárias e construa um ambiente em que estas sejam aceitas e discutidas. Incentive esses debates, levando-os a pensar “fora da caixa”, a ir além e, por fim, permita que após todo esse processo eles possam se avaliar.

Seja inovador

Perrenoud (2002) defende que não pode haver inovação sem inovadores. Com certeza, uma das formas mais eficazes de desenvolver a inovação nos alunos é que você mesmo professor seja um reflexo disso, um espelho, uma referência. Diversifique métodos, pense em estratégias motivadoras e criativas. A recompensa será um ensino prazeroso e libertador.

Referências:
FREIRE, Paulo (2002). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra
Fullan, M. (2007). The NEW Meaning of Educational Change. London: Routledge.
Perrenoud, P. (2002). Aprender a negociar a mudança em educaçã-Novas estratégias
de inovação. Porto: Edições ASA.

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