Identificando competências pessoais

por: Entretanto

Todo empregador quer colaboradores com a suposta “inteligência emocional” — porém, identificar quais são estas inteligências que eles tanto desejam pode ser algo não tão óbvio assim.

Quando as pessoas falam a respeito de competências técnicas na educação, no geral, as habilidades necessárias para um educador são muito claras, pois são ensinadas na graduação e no dia a dia da profissão. Por um outro lado, as habilidades pessoais são muitas vezes vistas como um conjunto de habilidades individuais, mas que ao mesmo tempo devem ser iguais para todos, e repassá-las aos alunos é um processo que faz parte da sua formação de um modo geral.

Mas isto não é absolutamente uma verdade. Uma análise mais detalhada das experiências “básicas” ou habilidades exigidas pelos empregadores nos anúncios de emprego mostra que, enquanto algumas habilidades são universais (como a comunicação, a escrita ou as capacidades organizacionais), a importância que os empregadores valorizam em outras pessoas depende, consideravelmente, do tipo de função que a vaga exige.

Quando um empregador enfatiza uma habilidade nos anúncios de emprego de uma forma desproporcional a sua real relevância para a função, isto é um sinal de que tal habilidade é difícil de ser encontrada. Estas lacunas percebidas nas competências básicas mudam de acordo com o tipo de carreira, mas, curiosamente em grande parte, envolvem habilidades que não compõem a definição do principal tipo de trabalho que será exercido ou não se enquadram no âmbito dos programas de treinamentos tradicionais.

Por exemplo, conhecimentos básicos em matemática e informática são enfatizados em campos como: hospitalidade, cuidados pessoais e produção. E, embora estas habilidades estejam muito distantes da ORIGEM que compõem estes tipos de empregos, os colaboradores desse setor precisarão lidar com sistemas de informação (tais como os sistemas de reservas de hotéis) e computação básica.

Os empregadores da área de TI, em contrapartida, estão muito mais propensos a enfatizar o serviço ao consumidor, as habilidades de liderança ou a escrita — e nenhuma destas habilidades fazem parte dos programas de formação do curso de ciências da computação.

Por outro lado, não vemos muita ênfase dessas habilidades nos anúncios de emprego para vagas de engenharia. Os empregadores supõem que alguém que passou por um programa de graduação de engenharia já tenha essas habilidades.
Este padrão impõe um desafio aos educadores: quem é o responsável por garantir que os alunos tenham o equilíbrio adequado das competências técnicas e pessoais em suas carreiras? O departamento de ciências da computação deve oferecer atendimento ao consumidor na grade do seu programa?

Ou, estes fatores implicam no que deve estar incluído nos requisitos da educação global? Há, de forma alternativa, maneiras de as instituições direcionarem os alunos a recursos de aprendizagem online que possam ajudá-los a fortalecer as habilidades que eles adquirem em seus programas de graduação, juntamente com as habilidades adicionais necessárias para suas carreiras?

Em qualquer caso, é claro que os alunos não estão realmente preparados para uma carreira, a menos que eles tenham competências técnicas e pessoais. A inteligência emocional é importante e ela precisa estar em sintonia com a carreira profissional do aluno, tanto quanto a sua competência técnica.

Sobre o autor

Matthew Sigelman é o CEO da Burning Glass Technologies, uma empresa líder em análises de mercado de trabalho. Há mais de uma década, ele lidera a Burning Glass, que utiliza o poder de dados para fornecer tecnologias de inteligência artificial que ajudam milhões de pessoas no mercado de trabalho. Os dados da Burning Glass carregam iniciativas para mais de doze estados e governos nacionais, bem como instituições de ensino e grandes empregadores. Matt é consultado frequentemente pela mídia nacional, por pesquisadores e pela Casa Branca. Ele trabalhou anteriormente para a McKinsey & Company e para a Capital One e possui diploma de bacharel da Universidade de Princeton e um MBA da Universidade Harvard.

Receba nossa News