28/06/2022

Professora cria coletivo que ensina inglês para população trans

De acordo com a pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), aproximadamente 1,9% da população brasileira é representada por mulheres e homens transexuais, travestis e pessoas de gênero não-binário, ao todo são 4 milhões de habitantes no Brasil que representam a letra T da sigla LGBTQIA+.

Ainda assim, o Brasil tem um dos maiores índices de mortalidade para essa população. Segundo o relatório de 2021 da Transgender Europe (TGEU), que investiga os dados globalmente apresentados por organizações trans e LGBTQIA+, 125 transexuais morreram entre outubro de 2020 a setembro de 2021.

Além dos altos índices de violência, essa população também sofre com a negação de direitos básicos para viver, como é o caso da educação. Segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 70% da população trans e travestis não conseguiram concluir o ensino médio e somente 0,02% desse grupo ingressaram no ensino superior.

Para Jenna Marisco, 36, professora norte-americana que se mudou para o Espírito Santo para viver com seu esposo brasileiro, e fundadora do “We Are Jane” (Nós Somos Jane), projeto social que, em parceria com a Aliança Nacional LGBTI+, ensina inglês para a população transexual, por meio de aulas on-line, o conhecimento da língua inglesa permite à pessoa trans a oportunidade de melhorar de vida. 

“Tem muito preconceito aqui no Brasil contra trans, tanto que essas pessoas não tem muito acesso à educação e emprego, mas um indivíduo trans que fala inglês fluente, consegue se destacar no mercado de trabalho, nisso ele vai ser valorizado, sendo capaz de superar os preconceitos da empresa”, diz Jenna. 

Além de destacar a importância que o conhecimento da língua inglesa tem para que a população transexual consiga encontrar meios de driblar as dificuldades impostas pelo preconceito e entrar no mercado de trabalho, Jenna Marisco também comenta que o inglês pode, inclusive, permitir que a pessoa com esse aprendizado consiga sair do país em busca de uma vida mais segura e estável. 

“É importante que pessoas trans aprendam inglês, pois elas têm mais chances de conseguir um emprego, mas também, se estiverem cansadas de tanto preconceito sofrido aqui, podem sair do país, pois sabem outro idioma”, conta a professora. 

O nascimento do projeto social “We are Jane”

Os grandes índices de violência à população trans no Brasil provocaram uma reação imediata em Jenna que, ao ver os casos de homofobia e transfobia no Espírito Santo, decidiu criar um projeto social que viabilizasse o aprendizado de idioma para a comunidade trans. 

“Eu posso oferecer aulas de inglês para a comunidade trans, especialmente mulheres trans, como sou uma professora somente, então eu teria poucas vagas, 15 no total, e quis focar nas pessoas que mais precisavam: as mulheres trans, que são as que mais morrem. O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, é a comunidade que mais precisa de aliados”, declara Marisco. 

Jenna Marisco conta que o nome “We Are Jane” tem um significado importante para o projeto social: “A Layza Lima, coordenadora da Aliança Nacional LGBTI+ no ES, me deu a ideia de nomear o projeto com algum nome de vítima de transfobia para homenagear essa pessoa. Nisso pesquisei casos de mulheres trans que foram mortas no Brasil e várias estavam identificadas como “nome desconhecido”, em inglês, quando tem uma vítima que não sabemos o nome, ela é chamada de Jane Doe, então eu decidi chamar Projeto Jane, mas alguém deu a ideia de ‘We Are Jane’, no sentido do projeto ser uma aliança e comunidade para transexuais”, explica. 

Atualmente, o “We Are Jane” aumentou para três professores e, por isso, tem seis turmas ao todo. O propósito de Jenna Marisco é levar cada vez mais a língua inglesa para a comunidade transexual e fazer do projeto social um centro de acolhimento para essa população. 

Leia também: Todos contra a LGBTFobia: você conhece essas gírias em inglês?

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