09/03/2020

O papel da escola no incentivo à equidade de gênero

Veja como o ambiente escolar pode contribuir para o amadurecimento da consciência social e o pensamento crítico dos estudantes e fazer prevalecer o direito das mulheres

Elas estão em cargos de liderança, no esporte, nas salas de aula, em todos os lugares, mas a invisibilidade, opressões, discriminações e violências ainda recaem sobre elas: tudo isso pelo simples fato de terem nascido mulheres.

A verdade é que elas não querem apenas estar lá. Elas querem mesmo é ser respeitadas, ter seus direitos garantidos e uma equidade social. Mas, como, de fato, a escola e a sociedade têm se organizado para garantir os direitos femininos? Quais percursos e embates ainda são necessários e qual é o papel da educação na formação de crianças, jovens e adultos conscientes desses direitos?

Ser mulher e ter direitos

Com seu Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 5, as Organizações das Nações Unidas (ONU) estabelecem metas para a equidade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. O desafio é garantir esses direitos até 2030.

Formação do pensamento crítico e respeito às diferenças

Na E.E. Santa Rosa de Lima, localizada no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, o respeito entre as diferenças e questões de gênero prevalece no dia a dia. Não por menos, quem ocupa o cargo de liderança na escola é Paula Beatriz de Souza Cruz, a primeira diretora mulher transexual da rede estadual de ensino.

À frente das decisões mais importantes da escola, a diretora defende que a sociedade está enfrentando situações novas, que o mundo não conhecia antes, mas que não podem mais ser ignoradas. “Promover e valorizar a igualdade com conteúdo permanente dos currículos e das atividades escolares é um passo importante para o enfrentamento de questões de gêneros”, disse Paula.

É necessário abordar conceitos e reflexões sobre a diversidade de gênero com atividades práticas, que podem facilitar o entendimento sobre o tema. A exemplo de rodas de conversas, propositiva de redações e o fortalecimento do diálogo, atividades que contribuam para a evolução do pensamento crítico e consciência social dos estudantes.

De acordo com a diretora, para garantir a equidade de gênero no ambiente escolar, a escola pode:

  • Se perceber um espaço de exercício da reflexão propício ao debate sobre questões de gênero;
  • Contribuir para a construção de uma política de respeito e enfrentamento;
  • Conhecer os próprios limites e reconhecer a complexidade do tema e exercendo seu papel de construção do pensamento crítico dos estudantes;
  • Educar para e pela diversidade, orientação sexual e identidade de gênero;
  • Analisar a metodologia e os conteúdos referentes às transformações comportamentais vividas pelas questões de gênero;
  • Subsidiar e apoiar o educador para que ele possa ser o autor da ação educativa, orientação e ajuda no diálogo com os alunos.

Para Amanda Rodrigues, coordenadora pedagógica da Pearson, a escola pode, portanto, fazer ainda mais. Ela defende a construção de práticas pedagógicas voltadas ao amadurecimento das habilidades do século 21, as competências socioemocionais, alinhas com a BNCC.

Música como instrumento de debate

No Brasil, ao longo do tempo e mesmo nos dias atuais, a música foi tensionada por heranças históricas com incitações predominantemente machistas, misóginas, da cultura do estupro e da objetificação e violação da mulher.

A contrarregra e trazendo à luz a conscientização de jovens estudantes sobre a  igualdade entre homens e mulheres, o concurso “Vozes Pela Igualdade de Gênero”. A iniciativa do Ministério Público e da Secretaria de Estado da Educação SP, convida alunos do Ensino Médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos) da rede estadual paulista a apresentarem composições sobre a importância da igualdade de gênero, empoderamento feminino e direitos das mulheres.

“Contudo, eu percebo que há o amadurecimento das qualidades do “ser Estudante-Cidadão”. Daquele que se disponibiliza para a nem sempre fácil tarefa de ser sujeito de sua própria formação, realizando com responsabilidade e cuidado aquilo que é proposto, cumprindo com sua parte nos combinados, sendo crítico numa perspectiva construtiva, respeitando o espaço físico e as pessoas com as quais se relaciona. Esse é nosso papel enquanto escola e essa é a nossa maior conquista”, finalizou Paula.

Equidade de gênero e empoderamento feminino

Para entender melhor sobre o tema, ano passado abordamos em uma videoaula como professores podem trabalhar empoderamento feminino na escola. Assista:

 

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