04/05/2021

#MêsDasMães: Sobre ensinar e aprender dentro e fora de casa

Mães já são professoras por natureza. É por meio delas que os seres humanos têm os primeiros contatos com o mundo, aprendem as primeiras palavras, os primeiros passos, aprendem sobre o convívio em sociedade, descobrem e desbravam possibilidades de crescimento. A maternidade trouxe a educação como uma ação que acontece de forma inerente às mulheres e este é um papel que elas desempenham com tamanha naturalidade. 

Neste #MêsdasMães, a Entretanto conversou com a professora de química, Maria Lúcia Pistolato Queiroz, educadora da rede pública há 30 anos, mãe de Maria Clara e Maria Isabel Queiroz, para falar um pouco sobre rotina, ensinamentos, aprendizados e desafios que acontecem dentro de casa e também nos ambientes de aprendizagem.

Maria Lucia e suas filhas
Arquivo pessoal de Lucia

Há quanto tempo atua na área da educação e quais foram os principais desafios de conciliar sua carreira com a maternidade?

Quando eu comecei a lecionar, foi bastante complicado, porque a minha primeira filha tinha acabado de nascer e, como eu dava aula à noite, eu precisei deixá-la com o meu marido. Ele também era inexperiente, então, foi uma época muito sacrificante, porque eu sabia que precisava conciliar essas duas funções, mas que também perderia muita coisa. Os primeiros passos das meninas, as primeiras palavras delas, a noite, quando todo mundo sentava na TV pra brincar, para conversar… Mas você acha que eu me arrependo? Não me arrependo! Porque eu amo a minha profissão, sempre gostei muito de dar aula. Eu me apaixonei desde a primeira vez que entrei em uma sala de aula. Então, eu não me arrependo, mas eu tive que saber lidar. E quando você faz algo com amor, todo o resto dá certo. Mesmo com essas dificuldades de estar distante quando elas nasceram, não as afastaram de mim, elas são muito apegadas a mim e ao meu marido.

 

Quais são os principais aprendizados que você acha que obteve com a maternidade?

Eu aprendi, principalmente, a partilhar o meu tempo. Meu tempo para mim é bem menor do que o que eu gasto com elas, por exemplo, mas com isso vem tanta coisa bonita junto. O amor que elas têm por mim, o cuidado. Hoje, cada uma mora em um lugar, mas a gente quer estar junto sempre. E a maternidade é bonita nisso, todo o tempo que eu dediquei a elas, elas me retribuem. Você cuida dos seus filhos, mas em um momento percebe que, na verdade, são eles que cuidam de você.

 

Como é educar dentro de casa e também fora dela, ensinando outras pessoas?

Uma coisa que eu sinto é que esse convívio de família que eu tenho em casa, não tem na vida dos aprendizes que eu educo. Muitos deles não têm pais, mães, ou têm e são separados, brigados, é como se eles não tivessem um lar, sabe?  Então, além de todo o conteúdo técnico que eu procuro transmitir e que quero que eles aprendam como professora, eu tento passar para eles o que eu passo pras minhas filhas. Eu confesso que eu sou uma professora rígida, mas em nenhum momento eu destrato ou falto com respeito com eles, porque é essa recíproca que espero deles. Sei que falta amor na vida deles, então, um agrado que você faz, um elogio, eles já se derretem. Isso significa muito pra mim. E, para minhas filhas, sempre procurei ensinar que elas devem respeito aos professores. Não só falando como professora que sou, mas como ser humano. 

 

Como você concilia as tarefas docentes, com as tarefas da casa e o cuidado com os filhos?

Agora que minhas filhas cresceram ficou mais fácil conciliar tudo, mas já foi muito mais difícil. Teve uma época, quando nasceu a minha segunda filha, que larguei algumas aulas, porque precisava dar atenção a elas e à casa. Mas confesso que aqui sempre nos ajudamos. Meu marido, elas e eu, todo mundo colaborando. Hoje, eu continuo dando aula a noite e de manhã, mas quando as minhas duas filhas saíram de casa, que ficamos só meu marido e eu, eu percebi que não sabia o que fazer com meu tempo livre. Durante esses 30 anos, foi um “batidão” de tarefas, como cuidar delas, da casa, lecionar, que eu me vi sem saber o que fazer com esse tempo ocioso. Agora, que estou me acostumando. Agora, eu posso cuidar de mim.

Para finalizar, a Entretanto convidou Maria Clara e Maria Isabel, filhas da professora Lúcia, para compartilhar os aprendizados com ela: 

“Minha mãe é uma super-heroína, já falei pra ela, a mulher maravilha da nossa família. E não pelo simples fato de conseguir fazer milhões de coisas ao mesmo tempo, mas porque ela está preocupada com os outros antes de se preocupar consigo mesmo. Ela fica feliz em ver os outros felizes, se diverte com a alegria de quem está a sua volta e se satisfaz só quando todos seus milhares de alunos estão satisfeitos. Falando em alunos, já ouvi mais de uma vez “sua mãe foi a minha melhor professora” e a primeira resposta que me vem à cabeça é sempre a mesma: sua professora que é a melhor mãe”. 

[Maria Clara]

“Pode parecer clichê, mas minha mãe realmente é a melhor do mundo. Ela é mil em uma. É mãe, professora, irmã, filha, amiga. Todos os papéis são feitos com muito amor e dedicação. Ela consegue estar em mil lugares ao mesmo tempo, dar atenção pra todo mundo, ajudar quem precisa, e tudo isso sem nunca deixar a bola cair. Orgulho de ter ela como exemplo de vida.”

[Maria Isabel]

Entretanto

Entretanto Educação
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