04/03/2021

Gerações de mulheres aprendizes: estudos moldam carreiras e realizações pessoais

Aos 36 anos de idade, Fabiana Monteiro de França decidiu retornar à sala de aula. Mãe de dois filhos, Amanda, 23, e Juan, 14, conta que estava em busca de capacitação profissional para aumentar as oportunidades de operações dentro do ramo imobiliário no qual já trabalhava. “Foi uma forma de melhorar o meu currículo profissional, mas acima de tudo, de conquistar a realização pessoal em me formar na universidade”, disse. 

Hoje, aos 43, advogada, explica que a maior dificuldade que encontrou foi em dividir o tempo entre o trabalho, cuidar dos filhos e casa com os estudos, que eram e continuam sendo intensos. Hoje, ela é pós-graduanda em Direito Imobiliário, área que atua há quase 20 anos. 

“A minha maior realização foi saber que mesmo em idade não convencional para os estudos, com a vida cheia de problemas, cuidando do meu pai acamado, cheguei ao final desta jornada com notas excelentes, me provando que eu era capaz e que eu podia e posso fazer o que eu quiser”, disse. 

Fabiana, no entanto, não é a única a acreditar que a aprendizagem é a união favorável entre capacitação profissional e realização pessoal, mas Raphaele Godinho, 20, estudante do curso de Relações Internacionais, vai além e afirma que os saberes são importantes ferramentas de resoluções de problemas sociais: 

“Boa parte dos problemas que o mundo enfrenta hoje poderiam ser solucionados se tivéssemos uma educação emancipadora, que se voltasse para o autoconhecimento e o empoderamento do ser humano”, pontuou. 

Raphaele, criadora do Projeto Resgatado e Valorizando a Mulher (que leva informações sobre representatividade feminina em diferentes áreas do conhecimento para comunidades, em Mairinque/SP), acredita que o aprendizado pode fazer com que as meninas e mulheres olhem para dentro de si.  

“Porque a sociedade não as cria para se olharem e se autoconhecerem. O aprendizado pode também fazer com que os meninos revejam os seus conceitos sobre como eles enxergam as mulheres”, disse a estudante de Relações Internacionais. 

  

Aprendizagem ao longo da vida 

Aprender não é, portanto, mais uma fórmula cheia de padrões. A educação caminha para aprendizado “self-service”, como mostrou a segunda edição da pesquisa Global Learner Survey, da Pearson. E, para responder às novas demandas, as mulheres estão assumindo o controle do seu próprio aprendizado. 

Aos 20 anos, Vitória Maria Andrade, estagiária em uma multinacional e estudante do curso de Administração de empresas, conta que, além do seu currículo acadêmico, está focada no aprendizado de outros idiomas.  

“Acredito que todos os dias aprendemos algo novo, seja em um processo voluntário ou ainda que não seja consciente, todos temos essa habilidade de absorver e aprender coisas novas”, completou. 

Eloisa dos Santos Silva compartilha do mesmo pensamento. Nem a idade, nem o tempo foram capazes de impedir que ela corresse atrás dos seus objetivos.  Cheia de sonhos e esperanças, aos 58 anos e há um ano de concluir o Ensino Médio, explica que voltou aos estudos depois de fazer uma autorreflexão.  

“Eu não queria deixar na minha vida nenhuma ponta solta”, disse. 

Assistente de biblioteca em uma renomada universidade de São Bernardo do Campo, ela diz que o seu objetivo com os estudos é criar mais oportunidades, se expressar melhor e realizar um sonho que era da sua mãe.  

“Larguei os estudos para cuidar dela, a perdi muito cedo, o tempo passou e retornar parecia impossível. Mas nada é impossível. A gente consegue!”, finalizou Eloisa. 

Aprendizado como ferramenta de combate à desigualdade 

Elas estão nas ciências, na tecnologia, em cargos de lideranças, mas, antes de tudo, estão ocupando as salas de aula, a ideia é de resistência, mas o caminho a percorrer é longo. Nos ambientes de aprendizagem que favorecem o desenvolvimento e moldam  as carreiras e realizações pessoais, aos 20, 50 ou 70 anos de idade, estas mulheres acreditam que o aprendizado ao longo de toda a vida é o caminho para combater a desigualdade de gênero e trazer à luz a conscientização sobre a  igualdade entre homens e mulheres. 

Você tem algum projeto de apoio à igualdade de gênero em sua escola? Envie seu artigo para nós e nos ajude a propagar boas práticas de ensino e aprendizagem! 

Entretanto

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