10/06/2019

Existe o melhor estilo de aprendizagem?

Cesar Augusto Michelin 

Para responder a essa pergunta, precisamos antes de tudo entender que existem sim diferentes formas de aprender. E que durante boa parte das nossas vidas na posição de aprendizes, somos condicionados a algumas poucas opções para assimilar um novo conhecimento: especialmente aulas expositivas e repetitivas que visam propor a memorização de conceitos para devolvê-los como respostas numa prova.

Mergulhando no universo de como as pessoas aprendem, vale começar com as formas de perceber o entorno: pessoas visuais, auditivas ou cinestésicas. De forma geral, pessoas que têm maior facilidade para assimilar novas informações à partir da observação, assistindo vídeo-aulas ou a uma boa apresentação de slides, são visuais. Outras se valem da audição e podem se dar muito bem com podcasts, fóruns de discussão e outras dinâmicas focadas na conversação.

Ou aqueles que precisam muito mais do tato e da interatividade, preferindo colocar a mão na massa e aprender pela prática, são os cinestésicos.

A partir desses três estilos, já podemos propor uma aula que entregue o conhecimento por vários meios distintos, mesclando tipos de interação, mídias, atividades e até ambientes que promovam a comunicação com o aprendiz contemplando seus sentidos mais predominantes. Indo além da análise sensorial, podemos citar o trabalho de David A. Kolb, teórico da Educação, mestre e doutor pela Harvard University, que define quatro novos estilos de aprendizagem em sua principal obra, Experiential Learning (1984): divergente, assimilador, convergente e acomodador.

Para Kolb, os estilos de aprendizagem são definidos pela forma que as pessoas percebem, organizam, processam e compreendem a informação. Mas, apesar de terem preferências distintas enquanto ao estilo, Kolb relaciona a eficácia do aprendizado a um ciclo também de quatro estágios que irão proporcionar ao aprendiz uma jornada além da sua zona de conforto: experiência concreta, observação reflexiva, conceitualização abstrata e experimentação ativa.

O ciclo de aprendizado de Kolb é utilizado na andragogia com a concepção de trilhas de aprendizado para adultos, pois permite ao educador oferecer o contato com diferentes maneiras de se relacionar com um conteúdo, passando da reflexão à experimentação e do conceito à prática. Essa abordagem vai de encontro às necessidades latentes hoje no mercado, que frente a velocidade da inovação tecnológica, cada vez mais requisita profissionais com habilidades múltiplas, criativos, flexíveis e resilientes para se adaptar de forma rápida aos novos desafios da era digital.

Faz mais sentido, portanto, pensar que a mescla de estilos de aprendizagem tem maior eficácia do que a eleição de um único estilo como melhor. A diferença entre as pessoas fica mais evidente quando tratamos da sua relação com o entorno e sua capacidade de assimilar e processar informações em forma de aprendizado. Quantas mais formas de contemplá-las, melhor.

Cesar Augusto Michelin é Consultor Pedagógico na Digital House Brasil

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