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10/07/2020

Educação remota: quem aprende e quem ensina?

Professores se reinventam e desenvolvem maneiras criativas de continuar o aprendizado em meio ao distanciamento

Engana-se quem pensa que professor só ensina dentro da sala de aula – ele também aprende, e muito! É o caso da Danielli Bissoni, professora auxiliar de ensino infantil e fundamental. Ela conta que seus alunos “têm me ensinado a não me deixar abalar pela quarentena; eles continuam fazendo suas descobertas com brilho nos olhos”. Essa é a realidade de muitos profissionais da educação. Se antes eles estavam no centro da aprendizagem, hoje o cenário é outro. 

A pergunta que muitos educadores se fazem em meio a esse mar de incertezas é: “como vou engajar meu aluno com o conteúdo hoje?”. A possibilidade de continuar o aprendizado por meio de uma tela de celular ou computador tem mexido com a criatividade de muitos profissionais, especialmente os da educação. Saídas a museus, trabalhos em grupo com cartolina ou aulas ao ar livre não fazem mais parte das atividades educativas em tempos de pandemia. O “novo” normal é aproveitar a tecnologia para se aproximar da realidade de uma sala de aula. 

Tecnologia para fortalecer as relações 

Embora essas ferramentas digitais sejam ainda um desafio no cenário atual, em pesquisa realizada pela Entretanto Educação com 577 profissionais, 62,9% dos professores entrevistados não sentiram impacto negativo no uso da tecnologia. Danielli se identifica com esse grupo. Ela viu no isolamento uma maneira de realizar um sonho: colocar em prática o podcast “O livro me disse”, que tem o objetivo de compartilhar histórias diversificadas da literatura infantil. 

Capa do podcast “O livro que disse”, disponível em todos os players.

“Só quem tem criança em casa sabe quão difícil é produzir atividades em meio à correria do dia a dia. Então pensei em fazer algo audível, que possibilitasse a execução de diversas tarefas”, relata a professora. A facilidade de ouvir em qualquer ambiente e momento proporcionada pelo formato podcast despertou ainda mais o desejo de Danielli de tornar real o projeto. 

A escola em que a professora trabalha fica em uma região periférica da cidade de Caieiras, no estado de São Paulo. Por lá, poucas famílias de alunos são alfabetizadas e conseguem dar o suporte pedagógico necessário. “Uma mãe me mandou uma mensagem contando que a filha só consegue dormir depois que escuta a contação de histórias”, compartilha Bissoni. Ela ainda conta que é essa interação que tem ensinado a ela como lidar com o dia a dia fora da rotina estabelecida antes da pandemia. 

Danielli Bissoni, professora fundadora do podcast “O livro que disse”.

Os mais novos ensinam os mais velhos

O professor Paulo Magalhães, de geografia, sabe bem disso. Ele, que era acostumado a passear com seus alunos pelas ruas do Bairro do Glicério, na capital paulista, aprendeu a transitar pela região sem sair de casa. A ideia foi de um dos seus estudantes, que resolveu baixar um aplicativo e simular, por meio de quadrinhos, as aulas públicas virtuais. “Meus alunos ficaram com muita saudade dessa caminhada que tínhamos. Eu, que não sou tão bom com tecnologia, aprendi a manter esse projeto com eles”, conta. 

Histórias em Quadrinho digitais utilizadas pelo professor Paulo Magalhães para dar continuidade às aulas públicas.

Além desse aplicativo, os alunos ainda ensinaram Paulo a gravar vídeos – um mundo desconhecido para o professor. “Eles sentiam dificuldade em assimilar todo o conteúdo escrito da matéria, então me deram essa sugestão”, diz. Para alegria da turma, hoje ele faz gravação e histórias em quadrinhos toda semana. 

As novas salas de aula

Assim como tantos outros profissionais, a professora de educação infantil Edna Oliveira se reinventou para continuar com o projeto “Ocupa São Paulo”, que promove caminhadas pela cidade. “Esse distanciamento não intimidou meu alunos”, conta a profissional, que, ao ser bombardeada pelas famosas lives de quarentena, teve a ideia de engajar estudantes virtualmente. 

Professora Edna Oliveira em uma transmissão ao vivo.

“Pedi para que os alunos me mandassem fotos e vídeos do que viam pelas suas janelas”, disse a professora, que foi presenteada com diversos materiais de estudantes em jardins, varandas e quintais. A caminhada virtual é um sucesso! Vídeo aqui, vídeo ali e está pronto o novo cenário das salas de aula. 

Legado do distanciamento social

É inegável que, entre os efeitos já causados pelo distanciamento social, o maior uso da tecnologia é um dos principais. O “novo” normal é usar e abusar dos canais digitais, mas não só isso. As trocas que destacamos no texto tornam o contato entre professor e aluno mais humano. Será que estamos tornando a tecnologia mais humana? “Voltaremos com professores mais valorizados e alunos no centro da aprendizagem, e com um fator importante: o acolhimento”, avalia Juliano Costa, mestre em Educação e vice-presidente de Produtos da Pearson Latam.  

Dos profissionais que participaram da pesquisa realizada pela Entretanto, 73% veem um cenário otimista para a educação. Conseguimos enxergar isso quando conhecemos a história dos professores Edna, Danielli e Paulo. Educadores que – assim como muitos – dançam no compasso da educação, com muita leveza e empatia.

Entretanto

Entretanto Educação
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