23/09/2020

Educação em ação no Setembro Amarelo

No mês dedicado à prevenção de suicídios, reunimos dicas de abordagem sobre o tema para professores sobre o tema

Desde 2014, que setembro passou a ser amarelo. A iniciativa criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), ONG voltada à prevenção ao suicídio e apoio emocional, junto com o Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria. Estamos falando, e devemos falar cada vez mais, de um problema que afeta milhares de pessoas no mundo todo.

E, enquanto um espaço de debate feito por e para educadores, precisamos entender como a educação pode agir nesse mês e em todos os dias do ano para prevenir esses casos. Para isso, convidamos a Maria Filomena Brandão, Gerente Editorial de Portfólio e Coordenadora da Pearson Clinical – braço da Pearson sobre saúde emocional, para dar algumas importantes dicas sobre o tema. Confira abaixo: 


Como a educação pode ajudar na prevenção ao suicídio?

R: A Educação e a Saúde, têm que tratar a questão do suicídio como real e não fazer parte de atitudes silenciosas que nada favorecem e nem minimizam um problema que é real e que pode ser evitado.  

A escola pode ajudar com ações de prevenção ao suicídio. Ela faz parte da rede de proteção de crianças e jovens e pode identificar sinais de alerta e estes são pedidos de ajuda dos alunos e são fundamentais na elaboração de apoio e ações de prevenção ao suicídio.  Nesta rede de proteção estão envolvidos professores, coordenação, direção e demais colaboradores da escola. 

Ao professor cabe a identificação de sinais de alerta e um trabalho multidisciplinar de desenvolvimento de habilidades socioemocionais que ajudam a fortalecer os vínculos entre as pessoas, a lidar com os conflitos pessoais e sociais e a elevar a autoestima. A coordenação tem o papel de desenvolver programas e campanhas de prevenção ao suicídio envolvendo a família, alunos e comunidade e abrir espaços em que a criança e o jovem tenham seu lugar de fala. 

Outro ponto forte é a formação de um círculo, conselho ou comissão de saúde mental da escola composta por professores, família e alunos para que pensem em campanhas com informações e grupos de ajuda/apoio, pois normalmente o jovem procura amigos para compartilhar suas ideias e entre elas podem estar o sofrimento por bullying, a ideação suicida, o sofrimento por depressão, a ansiedade entre outras circunstâncias e sintomas que aproximam o jovem do suicídio. 


Como abordar o tema do #SetembroAmarelo na educação?

R: Existe um silêncio adotado pela sociedade quando o assunto é o suicídio e que as pessoas, em sua grande maioria, não dão atenção aos sinais de aviso que denotam a intenção suicida quer seja de uma criança, sim, uma criança, um adolescente ou um adulto, um idoso, pois a maioria não consegue reconhecer as pistas que os colocam num grupo de risco e tão pouco querem falar sobre o assunto e entre essas pessoas estão os professores e as famílias de crianças e adolescentes.

A escola deve primeiro municiar seus professores e demais colaboradores de informação, palestras sobre o suicídio e como lidar com as questões socioemocionais; é importante preparar e capacitar os professores para falar sobre o suicídio e organizar programas de prevenção ao suicídio, através da identificação dos fatores de risco, estabelecendo linhas que estimulem a autoestima dos alunos. Criar espaços que possibilitem aos professores, às famílias e aos alunos ter seu lugar de fala, sua ponte entre os medos e angústias e a oportunidade de se renovar, se reinventar e sair da situação de risco e entender o processo pelo qual estão passando ou algum amigo esteja passando e assim conseguir estimulá-los a tomar decisões e a se sentirem capazes de lidar com seus próprios medos, problemas  e angústias percebendo a escola como um espaço em que seu sofrimento é compreendido e que ele pode se colocar, conversar e se posicionar.  Por isso é fundamental orientar os professores sobre o que fazer diante de situações de risco. 

É importante que a escola proponha campanhas e programas de ações de prevenção e de espaço de diálogo e grupos de apoio, propor discussão sobre o assunto e oferecer informações que ajudem os alunos na identificação dos seus estados emocionais e assim os alunos consigam sentir-se mais seguros para falar sobre os seus sentimentos  e aprender a lidar com suas emoções.
 

As interações sociais mudaram devido ao isolamento social e a pandemia do coronavírus. Quais dicas você daria para professores manterem a saúde mental e como eles podem identificar e ajudar alunos que possam estar com algum problema, mesmo à distância?

R: Com o isolamento social e a pandemia do Coronavirus o professor foi obrigado a lecionar no modelo à distância e com isso precisou se reinventar e ao mesmo tempo também teve que aprender a lidar com um turbilhão de emoções e sentimentos que nunca antes ele teve que lidar. Pela primeira vez, toda comunidade escolar foi obrigada a voltar seu olhar para a saúde mental dos professores e estes para a saúde mental de seus alunos.

As dicas a seguir ajudarão aos professores e poderão ser instrumentos para que ajudem seus alunos:

  • Mantenha uma rotina: é muito importante que as pessoas levantem no mesmo horário, façam sua higiene e se vistam como se fossem para a escola quer seja como aluno quer seja como professor. As aulas devem ter um intervalo e no intervalo é importante lanchar. Ao final da aula, volte para a rotina da casa, almoçar, cuidar da casa, lanchar a tarde, jantar no mesmo horário, dormir no mesmo horário, para os alunos estudar no mesmo aula pois uma coisa foi a aula e outra coisa são os estudos e fazer a tarefa de casa.

 

  • Não se exponha a excesso de informações e cuide em discernir o que são fatos e não fake news: é importante que você se mantenha informado, mas viu ou ouviu o noticiário uma vez ao dia é suficiente, existe um excesso de informação que cansa mentalmente, confunde as pessoas porque elas ficam expostas tanto a fatos quanto a opiniões o dia todo e acabam se confundindo e se perdendo, se estressando, se desmotivando e se deprimindo. As fakes News ainda deliberadamente desinformam e colocam em risco as pessoas.

 

  • Isolamento não, distanciamento sim: não precisamos nos isolar das pessoas, o distanciamento social é um ato de amor e uma responsabilidade social, é importante que você não se isole das pessoas, precisamos manter uma boa conversa, o contato com amigos e parentes  por meio dos mais diversos recursos de comunicação, telefone, mensagens, vídeo chamadas, seja qual for sua escolha: se distancie, mas não se isole.

 

  • Cuide de seu corpo: alimentar-se adequadamente, beber muita água, fazer atividades físicas, manter seus exames médicos em dia, tomar os remédios na hora certa, diminuir suas atividades de trabalho após seu horário de trabalho, diminuir o uso de celular, redes sociais pelo menos meia hora antes de dormir. Esses cuidados ajudam a estar com uma excelente imunidade, não só seu corpo agradece como sua mente também.

 

  • Professor não desvalorize nenhum potencial problema de seu aluno, esteja atento aos sinais: comportamento agitado, falta de interesse em interagir com os outros alunos, faltar as aulas virtuais é o mesmo que faltar as aulas presenciais é um sinal de alerta, sentimentos de tristeza duradoura, ficar irritado, zangado, nervoso e agressivo sem razão aparente, cansaço, perda de energia e falta de interesse por coisas que sempre se interessou, baixa autoestima, mudança de cuidados com o corpo e higiene, comentários com desesperança, falar o tempo todo em morte ou pesquisar sobre morte e suicídio o tempo todo, falar que quer morrer entre outros. 

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