25/11/2020

A educação no combate à violência contra a mulher

Escola também é lugar de transformação e eliminação das diferenças e conflitos sociais

A construção de uma sociedade mais igualitária, com mais respeito e melhoria das condições de vida das mulheres também passa pela educação. O ensino pode ser decisivo para a redução da desigualdade de gênero.

E, neste Dia Internacional da não viiolência contra as mulheres (25/11), é importante refletirmos  sobre como o aprendizado pode agir para a redução e prevenção desses casos. Para isso, convidamos a Maria Filomena Brandão, Gerente Editorial de Portfólio e Coordenadora da Pearson Clinical – braço da Pearson sobre saúde emocional, para dar algumas importantes dicas sobre o tema.

Para Filomena, “é necessário que comecemos falando em Educação para a igualdade de gênero, pois é o primeiro passo para a prevenção da violência contra as mulheres, visto que a partir da perspectiva machista de que o homem é dono da mulher, gera-se a violência, pois a mulher é coisificada e não sujeito de direito. A Educação possibilita a quebra dessa coisificação da mulher e o entendimento de direitos iguais, de respeito a quem ela é, aos sonhos e objetivos a que ela tem direito, respeito ao seu corpo e a suas escolhas.”

Ela explica que é necessária a construção de um currículo escolar que privilegie a desconstrução das chamadas verdades masculinas e femininas,  valorizando a conscientização do papel da mulher na sociedade.

Confira mais questões respondidas pela Filomena sobre o assunto:

Você acredita que abordar essas questões em sala de aula pode contribuir para uma sociedade menos violenta com as mulheres? 

R: Toda a comunidade precisa estar envolvida na prevenção à violência contra a mulher, inclusive no ambiente escolar.  A sala de aula é o ambiente em que o aluno se sente seguro e quando os professores abordam assuntos como educação sexual e igualdade de gênero, uma criança ou adolescente que esteja vivenciando qualquer tipo de abuso ou violência em casa vai saber reconhecer que aquela situação não é normal, não é aceita, não é tolerável e vai se sentir segura em pedir ajuda. 

A sala de aula é o espaço em que podemos diminuir a distância entre a desinformação e o conhecimento que ajuda na clarificação, respeito e a transformação cultural necessária para que possamos construir uma comunidade que respeita e valoriza todo e qualquer ser humano independente de seu gênero e com isso reduzir a violência contra as mulheres e os índices de feminicídio do país. 

Como você enxerga o papel da escola em temas que extrapolam o currículo convencional, mirando em conhecimentos voltados para a vida em sociedade? 

R: O papel da escola é possibilitar aprendizagens significativas que promovam transformação e  a eliminação das grandes diferenças sociais e conflitos existentes em nossa sociedade. Assim, cabe ressaltar a importância do papel da escola em não só disseminar conhecimento, informação, mas contribuir para a formação de uma geração mais esclarecida, consciente, menos preconceituosa e com valores mais sólidos em relação ao respeito à dignidade e integridade da pessoa, exigindo um currículo voltado para a formação do cidadão e que contemple os temas Ética, Pluralidade Cultural, Saúde, Orientação Sexual, Meio Ambiente e Trabalho e Consumo como temas transversais nos currículos da Educação Infantil ao Ensino Médio. 

Para além desse papel cabe à escola contribuir na desconstrução de uma cultura preconceituosa e  contemplar processos educativos que promovam a reconstrução de uma sociedade mais justa e igualitária, que trabalhe o respeito, a justiça, a igualdade de direitos e equidade de gêneros dentro das escolas e nas comunidades e esse papel da escola é a melhor arma contra o preconceito, e focando a violência contra a mulher, é uma importante arma contra a coisificação da mulher e consequente violência doméstica e o feminicídio. 

Que tipos de ações podem ser adotadas pela comunidade escolar, inclusive durante o período de distanciamento social, para contribuir nesse enfrentamento à violência contra mulheres? 

R: As escolas podem incorporar ao seu currículo ações sistemáticas  de sensibilização e que promovam acesso à informação, fomentar  uma transformação cultural e social que elimine as desigualdades de gênero, a violência doméstica, em especial violência às mulheres por meio da informação. 

A escola é uma influenciadora do processo educativo e por isso essas discussões precisam ir para além da sala de aula por meio de projetos comunitários que envolvam toda a comunidade escolar, palestras para a família e demais sujeitos da comunidade.

Central de Atendimento à Mulher

Qualquer pessoa pode fazer uma denúncia pelo serviço que tem o objetivo de auxiliar mulheres em situação de violência em todo o país. A denúncia de conhecidos e vizinhos, por exemplo, pode fazer toda a diferença entre uma agressão e um feminicídio. Nenhuma mulher deve enfrentar esse problema sozinha e toda a sociedade é responsável pelas mulheres em situação de violência. Se conhecer algum caso ou estiver passando por essa situação, não pense duas vezes: denuncie pelo telefone 180. A denúncia é anônima. 

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