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22/06/2020

Como falar sobre morte com crianças

Por Pearson Clinical

Falar sobre a morte com as crianças parece ser tarefa difícil e gera sempre muitas dúvidas em relação a como fazer isso, ainda mais quando é preciso dar uma notícia da morte de alguém próximo e querido.

É compreensível que se queira poupar crianças de sentimento de tristeza e dor, mas de acordo com educadores e psicólogos, devemos abordar o tema da forma mais natural possível.

É certo que a finitude humana gera bastante angústia e medo, mas é fundamental ajudar a criança a olhar e vivenciar o momento da morte sob diferentes perspectivas.

A educação sobre a morte deve ser iniciada já na primeira infância, através do ambiente familiar e se estender na escola e comunidade.

Independente da cultura e religião o assunto deve ser sempre olhado e tratado com cuidado e delicadeza, pois traz à tona questões muito profundas sobre a nossa existência e finitude.

Um dos principais cuidados a serem tomados ao falar sobre a morte com as crianças é estar atento para usar a linguagem adequada, de acordo com a faixa etária, e transmitir as informações da maneira mais natural e tranquila possível.

 

Quando a criança perde alguém muito próximo. O que fazer?

Pensar em dar a notícia pode gerar muita preocupação, mas é essencial que ela seja dada por pessoas próximas, em quem a criança confia.

É consensual entre os especialistas no assunto que não se deve, em hipótese alguma, esconder da criança o acontecimento da morte, pois ela tem o direito e a necessidade de saber da verdade, isso para poder viver o processo de luto e de elaboração.

A verdade é sempre a base de relações de confiança e amor e, em momentos de tristeza profunda, é disso que a criança mais precisa. Sentir-se amada, amparada e respeitada a ajudará no momento de receber a notícia e na fase de luto onde precisará superar a perda.

Os adultos devem ser agentes de escuta e acolhimento e dar espaço para que a criança consiga lidar com a própria dor da forma como ela se sentir melhor.

Crianças até mais ou menos os 6 anos de idade, ainda não têm a noção completa de passado, presente e futuro e, portanto, não conseguem entender o real significado da morte.

O entendimento da morte nesse faixa etária se dará através de exemplos em experiências e coisas concretas. Uma maneira de abordar o assunto pode ser através do olhar para a natureza dos animais, flores e plantas, temas que normalmente despertam interesse e curiosidade nelas. Todos esses seres vivos tem um ciclo de vida com começo, meio e fim e pode ficar mais fácil para a criança compreender e relacionar o fenômeno com a vida das pessoas.

A percepção da passagem do tempo é ainda muito difícil para crianças pequenas entenderem, mas poderá ser explicado e ilustrado pelas estações do ano, por exemplo, como explica a psicóloga infantil, Daniela Freixo de Faria no vídeo do artigo.

Propor um diálogo de forma lúdica despertará a curiosidade e levará para caminhos de descoberta sobre a natureza e a vida.  A criança terá chance de se sentir mais à vontade para manifestar suas dúvidas, inquietações e expressar seus medos e inseguranças sobre a morte.

De qualquer forma é preciso estar atento aos sinais, falas e comportamentos da criança, para que que se ajudar de acordo com a demanda que ela apresenta no momento. Não há necessidade de dar à criança mais informação do que ela pede, ou seja, mais do que ela precisa.

É preciso tentar responder a todas as perguntas que forem possíveis, sem ter o receio de dizer que para algumas perguntas não temos as respostas, mas podemos juntos pensar a respeito.

Todas as pessoas que perdem alguém próximo e querido, inevitavelmente, passarão pelo período de luto e com as crianças não é diferente. É importante que elas possam vivenciar o luto para que consigam percorrer o caminho da elaboração e aceitação.

 

A despedida

Após receber a notícia sobre a morte de alguém querido, naturalmente começam a surgir questionamentos e a necessidade de tentar entender o acontecimento. E agora para onde ela vai? O que acontece depois da morte?

Essas são perguntas recorrentes que a criança faz e nem sempre as respostas são fáceis de dar, pois dependerá da cultura, religião e crenças de cada família. A resposta para essas perguntas poderá ser dada de diversas formas de acordo com a formação e fé de quem está responsável pela educação dessa criança.

Independente da crença e da fé, é fundamental sempre dizer a verdade e contar sobre a morte.  O acolhimento é peça chave para a superação da perda. Precisamos dizer para a criança que perde uma mãe, um pai, avós ou pessoas queridas e amadas, que nunca ninguém irá ocupar o lugar dessa pessoa que se foi, mas que ainda assim ela pode contar com outras tantas que a cercam, que a amam e que poderão abraçá-la.

A criança deve participar de rituais de despedida, como velórios, enterros, cerimônia de cremação, para que possa concretizar o acontecimento, porém não se deve obrigar a criança a participar em todos os momentos e é preciso respeitar quando ela não quiser.  Participar desse momento lhe trará a concretude da despedida para que ela consiga viver o luto de forma integral e saudável.

Caso a criança não queira, de forma alguma participar dos rituais tradicionais, deve-se respeitar a sua vontade, mas é importante criar junto com ela um ritual que a faça experienciar a despedida.

Quando a criança perde um ente muito próximo e não tem a possibilidade de poder realizar o ritual de despedida, em sua fantasia pode achar que essa pessoa o abandonou ou desapareceu de repente.

É muito importante que a gente não tente tirar a criança dessa experiência difícil, afim de poupá-la de sofrimento, pois essa privação pode acarretar em problemas emocionais presentes ou futuros.

Sempre importante também lembrar que as crianças naturalmente se espelham nos comportamentos dos pais e pessoas mais próximas e a maneira com que essas pessoas lidam e manifestam as sensações da perda, é muito importante para ajudar a criança se inspirar nesse momento. Compartilhar com a criança que também estamos tristes e enfrentando uma situação difícil, porém sem demonstrar desespero ou muita angústia, as ajuda a lidar de forma mais tranquila e serena.

 

Educação para a morte

É preciso falar sobre a morte com as crianças, independente delas terem ou não perdido alguém próximo. Criar momentos para desmistificá-la através das falas e de histórias que despertem as nossas próprias memórias sobre pessoas que já se foram, como bisavós, avós, artistas, proporcionam a elas o início de um contato com o tema de forma natural e com maiores chances de elaboração das perdas no futuro

A educação sobre a morte em ambiente escolar é importante e os educadores devem pensar em criar aulas e programas para falar sobre o tema, desde a educação infantil. É muito positivo trabalhar temas como a morte, ausência, dor e memórias, como parte de nossa existência humana e parte da formação dos indivíduos, para que a gente consiga compreender e aceitar que fazemos parte de um ciclo.

VIDEO – Morte – Conversa com Criança – Daniella Freixo de Faria

 

Dicas de filmes

“O rei leão”

“Viva, A vida é uma festa”

“Up, altas aventuras”

“O vale encantado dos dinossauros”

 

Livros

Coração e a garrafa

Para onde vamos quando desaparecemos

É assim?

A árvore generosa

Entretanto

Entretanto Educação
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