09/04/2021

Semeando a inclusão educativa, financeira e social dos jovens de baixa renda

Por: Raphaele Godinho

A pandemia do Coronavírus fez com que diversas desigualdades sociais ficassem mais evidentes e graves. Se o acesso de jovens de baixa renda e de escola pública à educação de qualidade já era escasso antes de 2020, ele tornou-se ainda mais precário com a pandemia. 

De acordo com dados divulgados pelo Instituto DataSenado, 26% dos alunos da rede pública de ensino não possuem acesso à internet. Além disso, pesquisa do Datafolha mostrou que 20% dos estudantes do Brasil não receberam nenhuma atividade escolar durante a atual situação de crise. 

Com a baixa qualidade do ensino básico, além do baixo suporte ao desenvolvimento dos estudantes, são poucos os alunos de baixa renda e de escola pública que conseguem chegar ao ensino superior. De acordo com o IBGE, apenas 36% dos alunos da rede pública conseguiram acesso à faculdade, contra 79,2% para a rede privada em 2018. 

Outra problemática atinge esses jovens: a evasão universitária. Em matéria divulgada em 2020 pelo G1, diversos fatores apresentados mostram que a taxa de evasão deve crescer muito no atual cenário de crise econômica e sanitária, tanto em universidades públicas quanto privadas. Mas a necessidade de abandonar os estudos para trabalhar e ajudar na renda familiar é realidade de jovens inseridos no ciclo da pobreza desde muito antes da pandemia. 

Universitários do ITA criam programa de apoio a jovens de baixa renda

Pensando na problemática da evasão universitária, universitários do ITA se uniram em 2010 e começaram a idealizar uma solução para esse impasse, e assim nasceu uma das ferramentas mais impactantes para a inclusão educativa, financeira e social no Brasil: o Instituto Semear. 

O Instituto Semear tem 10 anos de existência e hoje conta com uma equipe operacional composta por jovens universitários com média de idade de 21 anos, vindos de diversas partes do país, bem como inseridos em diferentes universidades e cursos; todos trabalham unidos por um propósito comum, fazer com que mais jovens de baixa renda terminem a graduação e possam sair do ciclo de pobreza. 

Para alcançar esse objetivo o Instituto mobiliza diferentes ferramentas, trabalhando com bolsas de permanência para os estudantes impactados, bem como com programas de mentoria, que abrangem temas como autoconhecimento e inserção no mercado de trabalho. 

Nos últimos 10 anos mais de cinco mil jovens brasileiros foram impactados pelos programas do Instituto, um desses jovens foi Lucas de Moraes. Morador de Itapecerica da Serra, Lucas conquistou uma vaga no curso de Engenharia Mecatrônica na Poli-Usp; ele quase precisou abandonar o seu sonho, mas não foi necessário pois o destino o conectou com o Instituto Semear. Bolsista da organização, Lucas começou a se envolver mais com o projeto, participando, por exemplo, da organização de coffee breaks em eventos do Instituto; hoje, Lucas de Moraes ocupa o posto de Gerente Operacional do Semear, e consegue estender o impacto que o Instituto causou em sua vida para outros milhares de jovens brasileiros. 

O Instituto Semear também preza pela diversidade de seu impacto, além de ser uma organização administrada por jovens universitários, pensando em todos os jovens que o Instituto atende, 100% deles são de baixa renda, e mais de 50% são mulheres ou se autodeclaram como pretos ou pardos. 

Há mais de dez anos essa iniciativa se mantém com o apoio de empresas, mas a principal fonte de suporte da organização são as pessoas físicas, que doam principalmente conhecimento para os chamados “jovens-semente” da organização. Saiba como ajudar o Instituto a continuar semeando a inclusão educativa, financeira e social dos jovens de baixa renda: isemear.org br

Em 2021, eu me tornei parte do Semear pelo Programa de Líderes, e pela primeira vez em muito tempo, me senti acolhida. O Instituto é a materialização de uma corrente do bem formada por jovens que sabem a dor da desigualdade social e se unem não apenas para compartilhar dores, mas também vitórias e vivências que os fortalecem. Eu faço parte dessa rede de apoio, e além das oportunidades de desenvolvimento pessoal, o acolhimento torna a jornada universitária ainda mais assertiva!

*Raphaele Godinho é parte do Programa de Líderes do Instituto Semear. Estudante de Relações Internacionais, é CEO e fundadora do Movimento Resgatando e Valorizando a Mulher.

 

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