As reformas educacionais e a valorização da qualidade

por: Entretanto

De acordo com uma pesquisa de qualificação educacional da Pearson e a empresa CBI, de 2017, (2017 CBI/Pearson Education and Skills Survey), realizada na Inglaterra, três quartos (75%) das empresas pretendem aumentar o número de funções que exigem alta qualificação nos próximos anos. Porém, 61% delas temem que haverá uma escassez de pessoas suficientemente qualificadas para executá-las.

O levantamento de 344 empresas destacou que 62% enxergam a forte concorrência entre os candidatos bem qualificados como sendo a causa mais comum da falta de empregabilidade, seguida da falta de candidatos com qualificações apropriadas (55%).

Quando questionadas sobre o impacto da implantação de duas bilhões de libras de arrecadação para programas de aprendizado, 58% das empresas afirmaram que pretendem aumentar o investimento. Outro questionamento dado às empresas envolvia a questão dos futuros profissionais: para 84% das empresas, as orientações profissionais e vocacionais para jovens são consideradas péssimas ou inadequadas.

Nota importante: 81% das empresas entrevistas são ativamente comprometidas com a Educação, oferecendo suporte para escolas. Segundo Josh Hardie, Diretor-Geral Adjunto da CBI, “as qualificações profissionais precisam ser vitais na economia, pois são as melhores estratégias de crescimento que um país pode ter”.

Muitas vezes, a política e o sistema de leis funcionam de forma fragmentada, o que impede a progressão contínua de trabalhadores. Porém, uma aliança entre poderes privados e públicos é vital para o sucesso das boas qualificações: “Para aumentar a nossa base de competências, é necessário um maior enfoque nas oportunidades de crescimento profissional que atingem uma pessoa ou uma empresa, em vez de considerar apenas a formação ou a aprendizagem”, reflete Hardie. E é isso que o governo inglês está promovendo ao aumentar a arrecadação de verba para o ensino.

No início das principais reformas do ensino técnico inglês, esta mudança de perspectiva do papel do governo é vital para o crescimento: “Há escolas e faculdades brilhantes por todo o país, que ajudam os jovens a alcançarem o sucesso academicamente, profissionalmente e até pessoalmente. As empresas podem e devem fazer mais para garantir que a origem ou o histórico de uma pessoa não definam suas chances na vida”, conclui Hardie.

Rod Bristow, Presidente de Mercados em Destaque da Pearson do Reino Unido, concorda: “O relatório de 2017 mostra que, mais do que nunca, o Reino Unido precisa de um sistema educacional coerente, que proporcione alta qualidade e opções flexíveis para que todos continuem aprendendo. Isso nos ajuda a explorar nossos talentos da melhor forma e preenche a lacuna existente entre a educação e o mercado de trabalho de maneira mais eficiente. Parabenizamos as iniciativas públicas de aumento da verba necessária para a Educação”.

  1. Novos programas de aprendizagem estão sendo criados, mas muitos são reconfigurados

Questionadas a respeito do impacto do sistema de arrecadação para a Educação meses antes de tornar-se público, muitas empresas indicaram que usarão a contribuição para oferecerem treinamentos adicionais aos seus colaboradores atuais, substituindo modelos de treinamento passados. Ao todo, 63% planejam reestruturar o treinamento atual e transformá-lo em programas de aprendizagem.

As respostas da pesquisa também apontam que mais da metade (58%) dos entrevistados planejam criar novos programas de aprendizagem e quase a metade destes entrevistados (46%) pretendem aumentar os treinamentos já existentes destes programas.

Uma parte dessa arrecadação será destinada aos treinamentos existentes e reconfigurados ou que substituem outros esquemas que estão sendo cortados, já que cerca de um quarto das empresas espera reduzir o treinamento de não aprendiz (27%) ou coibir a admissão de pós-graduados (23%)

Um terço das empresas (33%) citou a falta de orientação como sendo o maior desafio que elas enfrentam no primeiro ano da operação da arrecadação, ao passo que quase todas (29%) enfatizam a inflexibilidade das regras de financiamento, que prejudicam sua capacidade de comprometerem-se com mais aprendizes e flexibilizarem o sistema.

Muitas empresas estão se esforçando para preencherem vagas de programas de aprendizagem: quase metade (49%) dos entrevistados tiveram dificuldades no recrutamento de aprendizes: “Devido à velocidade e a importância da implantação de programas de aprendizagem, as empresas trabalharam muito para se prepararem, em um prazo muito curto”, conta Hardie.

“Os resultados da pesquisa preveem um comportamento antecipado do empregador que reforça a frustração de longa data dos negócios, impulsionando a estrutura compacta da contribuição do seu foco na amortização dos custos, em vez de proporcionar um bom treinamento que levará os colaboradores a uma progressão pessoal e a benefícios econômicos mais viáveis. O aumento da flexibilidade será vital para que as empresas possam financiar uma gama maior de treinamento que reflitam melhor as necessidades da qualificação do empregador e dos empregados”, conclui o diretor da CBI.

Para ele, “precisamos garantir, com uma análise prévia da implantação de novos caminhos para o ensino técnico, que não utilizaremos a mesma abordagem apressada e politicamente direcionada. As empresas estão buscando progresso positivo em parceria com o governo, especificamente pensando em melhorar o impacto da contribuição e desenvolver o sistema para que ele funcione para todos”.

Já para Rod Bristow, da Pearson, este sistema precisa “oferecer padrões elevados em três vias principais: o tipo de qualificação acadêmica que vemos em Níveis A,  a preparação da carreira mais ampla que vemos em BTEC’s (Qualificações em Negócios e Tecnologia do Conselho de Educação) e determinadas qualificações de emprego, além de mais programas de aprendizagem”.

Para ambos, todas estas rotas fornecerão oportunidades reais para os jovens e atenderão aos requisitos de qualificação que a empresa britânica CBI exige.

  1. Aconselhamento profissional ‘não é bom o suficiente’

84% das empresas entrevistadas acham que a qualidade da orientação profissional que os jovens recebem nas escolas não é boa o suficiente.

A Career and Enterprise Company (CEC), órgão que visa melhorar as ligações entre as escolas e as empresas, é reconhecido por 21% das empresas e, felizmente, 75% dos entrevistados mencionaram uma vontade de desempenhar um papel mais significativo, dando conselhos a respeito das carreiras diretamente nas escolas e universidades.

Mais de um terço (35%) das empresas dizem que há muito pouca orientação e suporte a respeito de como fazer com que a experiência em um local de trabalho seja algo que valha a pena para os jovens.

As empresas acreditam que há uma falta de conscientização entre os jovens no âmbito comportamental para que eles sigam carreiras específicas (50%) e orientação profissional mal aplicada nos setores (49%), o que leva à falta de qualificação.

Os níveis de conhecimento e de compreensão das empresas em relação ao novo sistema de avaliação GCSE (Certificado Geral de Ensino Secundário), estão crescendo, mas 35% dos entrevistados estão totalmente desinformados a respeito das reformas educacionais na Inglaterra. As empresas também valorizam as escolas eficazes e as parcerias com faculdades.

As respostas da pesquisa mostram que quatro dentre cinco empresas (81%) possuem ao menos alguma ligação com escolas e/ou faculdades, com conexões mais difundidas entre as empresas e as escolas secundárias (66%) as faculdades de Educação Continuada (63%).

Ao todo, 31% dos empregadores com vínculos estabelecidos com as escolas primárias aumentaram o seu envolvimento em 2016, enquanto um pouco mais que este número aumentou o seu envolvimento com escolas secundárias (35%) e faculdades Educação Continuada (45%). Os estágios de uma semana ou duas continuam a ser a experiência de trabalho mais difundida em nove dentre dez empresas que fornecem experiência de trabalho (92%).

Para Josh Hardie, “a qualidade de ensino, a aprendizagem e a inspiração nas carreiras definem as chances de sucesso profissional e pessoal de jovens. As empresas estão empenhadas em cada vez mais oferecer mais apoio às escolas no ensino fundamental, pois há uma sensação de que a qualidade e a consistência da orientação profissional aumentam desta forma”.

Já Rod Bristow afirma que “as mudanças recentes no sistema do exame nacional britânico têm como objetivo elevar os padrões educacionais, garantir que nossas qualificações estejam desafiando os jovens o suficiente para que eles façam o exame e elevem o nível dos alunos que vão para o ensino superior e para o mercado de trabalho”.

“A consciência e a compreensão das empresas britânicas em relação ao novo sistema de notas das avaliações está crescendo, uma entre quatro empresas compreendem estas mudanças. Esta é uma melhoria nas pesquisas dos empregadores desde o início deste ano, mas ainda há muito trabalho a fazer.”

Nota dos editores

A décima pesquisa de qualificação educacional da CBI/Pearson Education (The tenth CBI/Pearson Education and Skills Survey) foi realizada entre Fevereiro e Abril de 2017, com respostas recebidas de 344 organizações.

Os participantes variaram entre empresas com menos de 50 colaboradores a aquelas com mais de 5.000; As PMEs (pequenas e médias empresas) representaram quase um terço dos entrevistados (30%). Os entrevistados representam todos os setores da economia, que vão desde a fabricação (14%) até a construção (10%) e os serviços profissionais (11%).

Sobre a CBI

A CBI fala em nome de 190.000 empresas de todos os tamanhos e setores do Reino Unido.

Os membros corporativos da CBI, juntos, empregam quase 7 milhões de pessoas, cerca de um terço dos funcionários do setor privado.  Com escritórios no Reino Unido, bem como representação em Bruxelas, Washington, Pequim e Nova Deli, a CBI representa a voz empresarial do Reino Unido ao redor do mundo.

 

Texto originalmente publicado em Pearson.

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