Ambientes educativos

por: Geraldo Peçanha de Almeida

Um ambiente  “pesado” é um espaço em que as relações se tornam cada vez mais difíceis e superficiais. E estas condições não podem ser simplesmente ignoradas, principalmente no meio escolar. Sabemos que as escolas não deveriam ser ambientes em que as relações profissionais e pessoais sejam mínimas e inócuas e, quando estes problemas acontecem, verificamos um completo desencontro entre profissionais administrativos e professores. Toda esta problemática acabará por formar uma realidade em que se percebe, em todas as atitudes que partem dali, uma grande dissociação onde não deveria existir nada além de união de objetivos.

E para “pesar” ainda mais a situação, os pais dos alunos, talvez por não estarem tão próximos da instituição de ensino, também acabam entrando em conflito com os agentes educadores e administrativos. E os desgastes acumulativos desta falta de comunicação e relacionamento provavelmente vão gerar um rompimento de estrutura, tanto por parte da escola quanto da educação em si, difícil de ser recuperado

A reflexão que proponho aqui é que todo o projeto político e pedagógico de uma escola deve ser conhecido e reconhecido nas ações de todos que compõem o ambiente educativo: professores, colaboradores, profissionais de limpeza, de cozinha, secretários, zeladores… Todos podem dar contribuições muito importantes para o desenvolvimento das boas práticas escolares. Afastá-los deste processo é criar problemas que poderiam ser evitados.

É urgente o fato de que temos que qualificar pedagogicamente, munindo de informações todos que compõem a escola, ou corremos o risco de perder todo um trabalho de planejamento e de concepção de ensino. Afinal, ao se deparar com um aluno no pátio da escola em horário de aula, por exemplo, um funcionário de um setor específico terá o mesmo discurso que um professor teria. Todos podem fazer parte de um projeto educacional, por mais complexo que ele seja, afinal, a escola receberá demonstrações disto quando um aluno passar a reproduzir a ações captadas e discutidas no planejamento escolar.

Precisamos pensar e repensar que tipo de ambiente escolar estamos construindo, e qual exemplo ele dá aos nossos jovens e às nossas crianças, pois são neles em que elas passam a construir relações.

Leia mais sobre a importância do diálogo em sala de aula.

As dificuldades de relacionamento no ambiente escolar são realidades subjetivas, variam de escola em escola, mas a base sempre está na inclusão de opiniões e de componentes que fazem parte da equipe. Esta ação tem que ser constante para ser edificante. Também é importante fazer uma autoavaliação e avaliar os colegas, uma prática simples mas que representa um ganho enorme na qualidade dos serviços escolares prestados. Quando enfrentamos nossas falhas e fragilidades, podemos interferir e trabalhar sobre elas.

Leia mais sobre a importância da autoavaliação.

Esta é a diferença crucial entre o navegador e o náufrago. Ambos já tiveram barco, bússola, direção, plano de viagem e tudo mais, porém, o naufrago é aquele que agora não tem mais nada. “Navegar é preciso”, diria o poeta, e podemos encontrar “mares” (ou ambientes) mais tranquilos.

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