6 maneiras de estimular a criatividade em sala de aula

por: Bia Granja

Posso soar meio pessimista, mas eu verdadeiramente acredito que o mundo está se desfazendo. A mudança é a única certeza que temos atualmente. Tudo está mudando, tudo está sendo questionado…Incluindo aí a nossa estimada Educação e tudo o que deriva dela, como empregos, carreiras e, bom, a vida, né?

Quase metade das carreiras que existem hoje vão sumir em menos de três anos! A gente joga esse dado de uma pesquisa da Oxford assim no meio do texto sem mais nem menos, e não realiza o quanto absurdo isso é. Imagina o cenário: um curso universitário dura em média 4 anos, quer dizer que um aluno que entra agora em um curso de graduação, pode chegar ao fim do curso sem a sua carreira garantida. Ele passou por todas as fases do ensino (fundamental, médio) mirando o vestibular. Ali, com seus poucos 17 anos, teve que decidir sua vida, sua carreira, seu futuro. Bobeou ainda fez cursinho pra tentar entrar na tão almejada faculdade. Pra quê? Pra chegar lá e descobrir no final que não deveria nem ter entrado.

O que ele faz? Bom, penso em duas opções: 1) sentar, chorar e tentar outra faculdade; 2) entender que as profissões baseadas em ofícios (como nossos pais conheciam) vão existir cada vez menos e que a carreira tão almejada pode ser, na verdade, construída a partir de habilidades e aprendizados adquiridos ao longo do trajeto (em um mundo onde a inovação e as mudanças exponenciais são a única constante).

Considerando que a opção 1 pode te deixar preso em um looping infinito de profissões que se desfazem antes de você chegar ao fim do curso, eu me jogaria na opção 2. Só que para fazer isso, é necessário que o aluno tenha sido minimamente habilitado para fazer algo que geralmente não acontece em sala de aula: CONEXÕES!

Conectar pensamentos, conhecimentos, pessoas e coisas é a base da criatividade. Não existe a ideia original, existem conexões NOVAS e DIFERENTES entre coisas pré-existentes. Pergunte para qualquer artista, e todos te dirão a mesma coisa: criar é conectar coisas, é muito mais transpiração do que inspiração.

Só que para poder conectar coisas, é preciso ter um inventário de coisas pra conectar. Tenho falado em todos os meus textos aqui na Entretanto sobre a necessidade de mostrar O MUNDO para nossos alunos. Quanto mais a gente mostra, mais a gente aguça a curiosidade deles, porque eles percebem que o que existe no mundo para ser aprendido vai muito além do que conseguimos passar em sala de aula.

A curiosidade é a base da criatividade. Se não nos mantivermos curiosos, não vamos muito além das páginas da apostila, não aprendemos coisas novas, não adquirimos repertório para novas conexões. O cérebro é como um músculo, quanto mais a gente usa, mais forte ele fica. E trabalhar com ele é tipo ir à academia, pode ser difícil no começo, mas quanto mais vamos, mais fácil fica ir. Manter a mente ativa, estimulada e “fitness” é o único caminho possível para estabelecer uma vida criativa e ser capaz de fazer conexões não óbvias quando a necessidade se impuser.

E essa capacidade talvez se torne a vantagem competitiva desse século. Não se sairá tão melhor aquele que conseguir decorar os fatos históricos, os pormenores da vegetação brasileira ou o funcionamento das mitocôndrias. E sim aquele que conseguir conectar todas essas coisas e outras mais.

Daí você me pergunta: muito bonitinho o seu discurso, Bia Granja, mas como eu aplico isso em sala de aula? Bom, tenho algumas pensamentos que se baseiam em minha própria experiência com criatividade:

– Se ser criativo é conectar ideias, porque não criar um imenso “mind map”; na parede da classe, feito pelos alunos, onde, ao final de cada aula, eles devem discutir entre si o que aprenderam no dia e então preencher o mapa com os pontos importantes? Dá pra ir além e definir que eles sempre devem trazer algum ponto de aulas de outra disciplina, para que possam visualizar essas conexões.

– Ainda, que tal estabelecer que a cada abertura de aula, um dos alunos deverá apresentar um gráfico de “Graus de Separação”; sobre o que foi aprendido na última aula? O início e o final são sempre os mesmos, mas a jornada de passar por outros pontos totalmente malucos pode trazer surpresas interessantes.

– Uma outra ideia: que tal sempre abrir a aula com um momento “Você Sabia?”, onde ora professor, ora aluno apresentam curiosidades sobre a matéria do dia?

– Será que dá pra estimular isso também online? Em um grupo de discussão sobre a matéria onde os alunos que trouxerem referências e materiais interessantes ganham algum tipo de ponto.

– Mudanças de ambiente também vão muito bem. Quando estou empacada em alguma coisa, costumo sair para trabalhar em um café, no jardim ou em outro ambiente. Ao sair do meu lugar comum, da minha zona de conforto, a cabeça também funciona de outro modo. Que tal dar uma aula fora da sala?

– Outra maneira bacana de buscar isso é fazer uma curadoria de coisas relacionadas à matéria que não tem nada a ver com estudos e apostilas. Por exemplo: estamos aprendendo sobre vegetação, então podemos sugerir que o passeio de domingo no parque possa servir também como uma atividade exploratória.

Quanto mais mostrarmos para os alunos que existem maneiras diferentes de aprender sobre determinado assunto, mais aptos eles estarão para colocar isso em prática em momentos desafiadores. Vamos praticar? 🙂

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