Uma aluna deficiente visual faz história na aprendizagem

por: Entretanto

“A matemática foi muito dolorosa para mim, como aluna,” conta Su Park, uma aluna norte-americana de ensino médio e deficiente visual. Até o seu segundo ano, os professores convertiam as aulas de matemática para Braile (sistema de escrita tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. Ela usava essas lições convertidas para aprender os conceitos e para completar os estudos em sala de aula.

 

Em seguida, seu trabalho era novamente transformado para a linguagem usual, para que os professores pudessem entender: “Eu me esforcei para aprender a linguagem em Braille, mas alguns professores nem sempre o sabiam. Assim, os feedbacks ficavam sempre atrasados. Eu pensava que algo deveria acontecer, que facilitasse todo o processo”.

 

Compreendendo as dificuldades

 

Em fevereiro do ano passado, uma equipe da Pearson esteve na escola em que ela estuda, no estado norte-americano do Texas. Estes colaboradores estavam em busca de alunos deficientes visuais para entender suas dificuldades na Educação.

 

“Eu me lembro de ter pensado: ‘O que eles vão fazer a respeito disso?’. Sinceramente eu não esperava muita coisa”, ela diz.

 

Seu primeiro desafio: 948 problemas de matemática. As contribuições de Su, durante as discussões de ideias na escola, fizeram com que a equipe da Pearson a contratasse como estagiária no verão do ano passado.

 

Tudo porque estava sendo desenvolvido o Accessible Equation Editor (Editor Acessível de Equação), um novo software e hardware que permite que os alunos que utilizam Braille interajam com a matemática em um computador, da mesma forma que os alunos que podem enxergar. Clique aqui para saber mais sobre o programa.

 

“Precisávamos de alguém para ler em Braille através da perspectiva do aluno e que nos dissesse se estávamos no caminho certo,” diz Sam Dooley, desenvolvedor sênior da Pearson que ajudou a conduzir o projeto.

 

“Foi muito surreal. Trabalhei com 948 problemas de matemática e, de tão bem-sucedida que fui, fiquei super focada naquele momento para perceber o que realmente estava acontecendo”, conta Su.

 

Leia mais: Um apelo em favor da inclusão.

 

Leia mais: A inclusão como via de mão dupla.

 

Um longo verão

 

Por fim, a equipe da Pearson pediu à Su que escrevesse um manual de instruções para o Accessible Equation Editor, do ponto de vista de um usuário deficiente visual.

 

“Eu pensei que isso seria fácil. Mas eu nunca tinha escrito um manual de instruções antes e nunca tinha pensado em guiar uma pessoa deficiente visual através de uma tarefa visual e com palavras. Sam e Dan Brown foram as pessoas que me mantiveram no caminho e me ensinaram a fazer tudo”, lembra Su.

 

Dan Brown, que também é deficiente visual, é engenheiro sênior da Pearson na área de tecnologias para deficientes visuais.

 

“Quando as coisas ficavam difíceis, eles me ajudavam a dar uma pausa. A matemática era algo terrível para mim e, agora, acho que é minha nova paixão. Isto é devido a todos os envolvidos, tanto outros alunos deficientes visuais quanto os professores que trabalham com estes alunos”.

 

E complementa: “O que é importante compreender é que a ‘acessibilidade’ não necessariamente diz respeito à tecnologia. A acessibilidade é feita por pessoas como o Sam, que enfrentam desafios e se esforçam para enfrenta-los de maneiras que ninguém nunca tentou antes”.

 

Texto originalmente publicado em Pearson Learning. 

Receba nossa News

A Educação é feita da união de conhecimentos. Preencha seu e-mail e receba nossos conteúdos atualizados!

*Não lote sua caixa de e-mail. Nossas newsletters são enviadas quinzenalmente e trazem um resumo dos melhores conteúdos publicados.