Um conhecimento significativo nas escolas de inglês

por: Joabe França Mendonça

As escolas de línguas, diferente das escolas regulares, são, geralmente, um local onde os alunos passam apenas algumas horas de sua rotina. Então, como fazê-los pensar que esse ambiente é totalmente deles e não deve ser ocupado somente por duas ou três horas durante as semanas? Acredito que atribuir significância à escola e aos conhecimentos nela disseminados só é algo devidamente interiorizado quando os alunos notam que a aprendizagem foi significativa e que ela pode alterar o status quo em que vivem.

 

Como nos lembra Moreira (2010) em “O que é, afinal, aprendizagem significativa?” (Aula Inaugural do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais, Instituto de Física, Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá, MT, 23 de abril de 2010, p.2):

 

“A aprendizagem significativa é aquela em que ideias expressas simbolicamente interagem de maneira substantiva e não-arbitrária com aquilo que o aprendiz já sabe. Substantiva quer dizer não-literal, não ao pé-da-letra, e não-arbitrária significa que a interação não é com qualquer ideia prévia, mas sim com algum conhecimento especificamente relevante já existente na estrutura cognitiva do sujeito que aprende.”

 

Leia mais sobre a técnica da Escala Global de Inglês.

 

Ou seja, uma das maiores questões que devem ser enfrentadas por educadores de idiomas em escolas não regulares é como realizar a interação entre os conhecimentos prévios e os novos. Tal processo é fundamental, pois o sujeito que aprende dá maior estabilidade ao que foi ensinado.

 

No entanto, não podemos entender esse processo como uma ação apenas do professorado. Vale lembrar que a relação entre os conhecimentos (prévio e novo) é realizada pelo aluno e cabe ao último dar reais significados aos conteúdos escolares. Então, qual seria o papel dos professores? Em minha visão, aos docentes é basilar reunir as condições para que a aprendizagem significativa ocorra.

 

Para exemplificar o que tenho discorrido, posso citar oficinas que valorizam a participação efetiva dos alunos na construção do conhecimento. Uma aula de inglês sobre as frutas, geralmente, se restringe à exposição de vocabulários e perguntas que constatam se o conteúdo foi aprendido ou não. A lógica que defendo é a de que os alunos tragam suas vivências para a sala de aula e repliquem a vida real nesse ambiente.

 

Leia mais sobre os transtornos de aprendizagem.

 

Aprender a fazer uma salada de fruta totalmente em inglês é um bom exemplo de como associar a vida dos alunos aos novos conhecimentos: cortar uma maçã, adicionar açúcar e misturar as frutas ganha outro sentido na língua estrangeira. Se queremos uma educação diferente, caminhos originais devem ser buscados e, até aqui, o que tenho observado é somente aquele centrado no professor e em seus conhecimentos.

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