Tornando a matemática acessível aos alunos cegos

por: Entretanto

O estudante Edgar Lozano apresentou, em um episódio de podcast para a Comunidade dos Deficientes Visuais, seu amigo, José, que havia viajado recentemente e gravado sua experiência em um aeroporto, através da perspectiva de um homem cego.

 

Em um outro episódio, Edgar faz a revisão de um jogo de role-playing de fantasia medieval para deficientes visuais, realizado apenas através de áudio. Ele também utilizou o podcast para apresentar ferramentas de aprendizagem de idiomas para deficientes visuais na plataforma iOS e demonstrou como utilizar uma calculadora de gráfico. A matemática, como podemos perceber, é sua paixão.

 

“Desde a escola fundamental, a matemática sempre foi um assunto que eu gostei. Eu gosto de fazer cálculos em minha mente. Gosto de brincar com números”, conta Edgar.

 

Enganando os professores

 

“Estudei matemática como qualquer outra pessoa. Eu tinha habilidades para dominar coisas como álgebra, mas, ao longo do tempo, apareceu um monte de conceitos confusos – principalmente quando escritos no quadro negra. Mesmo assim, foi aprovado para a próxima série”.

 

Edgar chegou à oitava série, momento que ele considera o “início de uma luta para aprender. Pela primeira vez, ele se deparou com Álgebra II, com equações lineares e a fórmula quadrática: “Isso realmente reduziu meu desempenho”.

 

Recuperando o atraso

 

No ensino médio, Edgar frequentou a escola do Texas para Cegos e Deficientes Visuais. Ali, seus professores perceberam rapidamente que suas habilidades em relação à matemática estavam bem atrasadas.

 

Com a ajuda de educadores especializados, ele conseguiu fazer um estudo adequado de álgebra, geometria e cálculo.

 

“Agora estou na faculdade cursando o segundo ano, com aulas de matemática de alto nível de verdade, na Universidade norte-americana do Texas”, diz Edgar. Segundo ele, não há outros alunos cegos ou deficientes visuais em suas aulas.

 

“Meus professores estão espantados com o meu progresso nas aulas”.

 

Matemática no próximo nível

 

No verão passado, Edgar foi trazido pela Pearson para colaborar como estagiário em um projeto especial de hardware e software que visa facilitar a aprendizagem da matemática para alunos cegos e deficientes visuais. Trata-se do Accessible Equation Editor (Editor Acessível de Equação).

 

Logo no início, a equipe pediu a Edgar para codificá-lo em problemas de matemática antecipados e conflitá-lo com vários bugs no sistema.

 

“Para ser sincero, quando começamos eu tinha minhas suspeitas se o projeto funcionaria. Ao longo do tempo, o projeto ficou mais promissor”.

 

Um mentor e treinador

 

O colaborador mais próximo de Edgar era Sam Dooley, um desenvolvedor sênior na Pearson.

 

“Sam me ensinou tanto”, diz Edgar. “Ele me mostrou como organizar o meu código como um profissional e me apresentou a um monte de assuntos sobre ciências da computação e matemática que eu não era capaz de compreender”.

 

E foi aí que Edgar teve uma importante lição: “Se você tem um problema ou uma questão na sua frente, divida as coisas em etapas e tarefas administráveis”.

 

+ Leia mais: A capacidade de aprender, desaprender e reaprender.

++ Leia mais:  O ensino de Física alinhado aos princípios do desenho universal.

 

Formatura e futuro

 

Em breve, Edgar se formará em ciências da computação na Universidade do estado do Texas.

 

“As pessoas sempre me perguntam como eu administro isso”, ele diz. “Sempre gostei de codificação e de matemática.”

 

Quanto ao seu futuro, Edgar diz: “É imprevisível. Eu quero ir a qualquer lugar onde eu possa ajudar as pessoas com meu conhecimento sobre ciências da computação ou desenvolver aplicativos por conta própria, que continuem a levar os limites da tecnologia”.

 

Texto originalmente publicado em Pearson Learning News.

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