Toda criança é capaz de aprender

por: Tonia Casarin

Muitos professores terão ouvido falar de Lev Vygotsky, considerado um dos “pais fundadores” da psicologia moderna. Vygotsky acreditava que a inteligência pode aumentar e se desenvolver, que ela não é estática. Ele também propôs que as crianças aprendessem através de suas interações umas com as outras – o potencial das crianças está entre o que elas podem fazer sozinhas e o que conseguem quando são ajudadas por um “outro mais bem informado”, como um colega de classe, por exemplo. E como o professor pode fazer isso?

 

Os professores podem encorajar interações sociais úteis na sala de aula, emparelhando os alunos de uma forma que permita que todos passem tempo trabalhando com alguém ligeiramente acima de sua habilidade atual. Solicitar aos alunos que revisem regularmente o trabalho de cada um deles podem ajudar os alunos a pensarem mais criticamente sobre seu próprio trabalho e o trabalho dos outros. Além disso, ensinar os alunos a dar feedback efetivo é uma habilidade valiosa não somente para o aprendizado deles, como também para o futuro no mercado de trabalho moderno.

 

Além disso, você provavelmente já ouviu falar de mindset. É um termo muito comentado recentemente, que significa “modos de pensar”. Pesquisas na área de motivação, educação e psicologia indicaram que o modo que uma pessoa pensa, e as representações que tem de si mesma e dos outros, influenciam em suas capacidades de aprender e ter sucesso na vida acadêmica e profissional. Os estudos da professora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, trabalham em duas vias: a primeira para determinar como as ideias de si próprio influenciam sua capacidade de aprender. A segunda etapa foi pensar como o outro, principalmente pais, colegas e professores podem influenciar na construção de um tipo de modo de pensar o outro.

 

Leia mais sobre como desenvolver o Mindset.

 

Algumas pessoas acreditam que sua inteligência é como a cor de seus olhos ou o seu tipo de cabelo. Ou seja, que não pode ser alterada ao longo do tempo. Acreditar que suas habilidades e qualidades são fixas cria uma urgência para que você se prove ao outro que você é inteligente. E isso se torna uma necessidade constante. Imagine: Se você tem apenas uma quantidade fixa de inteligência, uma personalidade estabelecida e um caráter definido, é essencial que você prove que você tem um bom nível de cada um desses. Isso faz com que o indivíduo sempre precise demonstrar aos outros quem ele “é”, e não necessariamente se preocupa mais em colocar esforço, por exemplo, em atividades. Dado que não tem como mudar, para quê colocar esforço?

 

Mas algumas pessoas acreditam que nossa inteligência é apenas o começo: suas habilidades e características podem ser cultivadas por meio de seus esforços pessoais. Por mais que pessoas possam ter aptidões, talentos, interesses e temperamentos distintos, todos podem crescer, se desenvolver e mudar, através da experiência e esforço.

 

Portanto, o professor tem um papel fundamental para a criança, quando acredita que ela pode aprender. Aqui, listo algumas possíveis repercussões que podem ser consequências da forma de pensar restrita na crença de que a inteligência é fixa:

 

  • Crença: “Minha quantidade de inteligência é fixa, eu tenho uma certa quantidade dela e é isso. Nasci assim e pronto.” → Repercussão: “Eu me preocupo com a quantidade de inteligência que tenho. E me preocupo em  demonstrar aos outros o quanto sou inteligente. Eu preciso parecer inteligente, a qualquer custo.”
  • Crença: “Eu me sinto inteligente quando as coisas são fáceis, onde tenho que me esforçar pouco e sou melhor que meus colegas.” → Repercussão: “Esforço, dificuldades, percalços ou colegas que se desempenham melhor desafiam a minha inteligência, mesmo que eu seja autoconfiante e acredite na minha própria inteligência. Então, eu me sinto burro.”
  • Crença: “Eu preciso de sucesso para me sentir inteligente.” → Repercussão: “Esforço, dificuldades, percalços ou colegas que se desempenham melhor desafiam a minha inteligência, mesmo que eu seja autoconfiante e acredite na minha própria inteligência. Então, eu me sinto burro.”

 

Leia dicas de como desenvolver a autoconfiança.

 

Todos nós temos crenças que podem ser limitantes e resultam nestas repercussões.  Portanto, esse desafio vale não somente para os alunos, como também para nós, professores. Conseguir identificar o que nos faz estar nesse modo de pensar limitante é o primeiro passo. Acreditar não somente que podemos nos desenvolver, como também acreditar que todo aluno é capaz de aprender é um pilar básico de sustentação da educação.

 

Agora, pensando na sua prática em sala de aula, como você trabalha com seus alunos para que eles acreditem que podem aprender?

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