A observação como elemento fundamental para a construção da prática educativa

por: Rafaela Mund

É possível que, ao chegar em sala de aula, você veja um grupo de estudantes com muitas diferenças entre si. Ou então, você pode encontrar um grupo de indivíduos trabalhando em prol de objetivos comuns, unindo seus diferentes talentos. Quando você tem não só alunos, mas uma verdadeira equipe, tudo acontece com mais leveza e alegria, e o riso e o bom humor contagiam os espaços e ambientes.

 

Você não precisa interromper sua fala para “chamar a atenção” dos alunos, porque eles querem ouvi-lo. Assim como em uma equipe de trabalho, o bom educador  é um líder inspirador, pois ele educa os companheiros com foco em objetivos claros. E, principalmente, ele observa os movimentos de grupo. Considero que são três os modos básicos de observação:

 

MODO 1 – OBSERVAÇÃO/SIMPLES – neste modo, o educador não só observa a forma como os participantes de um grupo interagem uns com os outros, mas também como ele mesmo interage com os grupos. O educador promove atividades que visam avaliar quem fala com facilidade, quem é mais silencioso, quem se organiza rápido, quem precisa de tempo maior…

 

MODO 2 – OBSERVAÇÃO/REFLEXIVA – aqui o professor se pergunta: “Por onde caminhar?”. É hora de investigar os territórios de saberes, de desenhar, planejar intervenções, devolutivas e encaminhamentos a fim de alavancar aprendizagens e desenvolver os sujeitos. Neste modo, ele planeja a vivência da experiência.

 

MODO 3 – OBSERVAÇÃO/PARTICIPATIVA – aqui o educador executa o planejado, observando a si e aos sujeitos do grupo no momento da ação. Como agem? Como reagem? Quais sentimentos, frases e pedidos aparecem? Quais as dúvidas?

 

É como um ciclo. Poderíamos chamar de ciclo de observação OBSERVAÇÃO, REFLEXÃO, PARTICIPAÇÃO (ORP).
A observação, nos seus três modos, faz com que o educador planeje o quê olhar e como, para obter informações acerca dos sujeitos que compõem as equipes e seus conteúdos, buscando, com isso, uma gestão afinada em relação ao fazer educativo, com objetivos comuns e responsabilidades compartilhadas. Uma gestão que, de forma descentralizada  e democrática, vai se constituindo dia a dia, em uma formação continuada, que tende a aproximar e tornar mais coerente a teoria da prática em sala de aula.

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