“Mostre a Evidência”: Um movimento a favor das Pesquisas de Tecnologias Educacionais

por: Entretanto

Os professores e os alunos estão cada vez mais utilizando plataformas e ferramentas digitais que dão suporte à aprendizagem dentro e fora da sala de aula. Só nos Estados Unidos, cerca de 3,6 milhões de professores utilizam tecnologias para a Educação e aproximadamente um em cada quatro estudantes universitários fazem cursos online, um número quatro vezes maior do que o de uma década atrás. A expectativa para os próximos anos é de que tecnologia impactará mais de 74 milhões de crianças norte-americanas que, atualmente, transitam entre a pré-escola e o ensino médio. A questão é: o que podemos fazer para garantir que a tecnologia educacional desenvolvida e implantada em nossa época se enquadre às necessidades dos aprendizes do século 21?

 

Nossos professores e alunos merecem ferramentas de alta qualidade que forneçam evidências e informações a respeito da aprendizagem que gere bons resultados e ajude a preencher lacunas persistentes no processo educacional. E as apostas são muito altas, afinal, todos temos um papel a desempenhar neste caminho rumo à Educação de qualidade.

 

Uma coisa é certa: não haverá nenhuma solução de tecnologia educacional infalível, que funcionará para todos os alunos e professores da mesma forma. O contexto é importante, assim como a implementação. A tecnologia sempre será mais um elemento dentro de uma intervenção instrucional, que também incluirá as práticas do instrutor, as experiências do aluno e vários outros fatores.

 

Descobrir o que realmente funciona e o porquê requer planejamento, desenvolvimento profissional exclusivo, implementação fundamentada e avaliação adequada. Isto tudo ocorre dentro de um cenário incoerente e complexo. Infelizmente, apesar do interesse profundo e infligido de melhoria do sistema, muitos sistemas de ensino são melhores em apoiarem as fórmulas” tradicionais do “status quo” do que em implementarem uma ferramenta de aprendizagem potencialmente transformadora.

 

Esta é uma das discussões do EdTech Efficacy Research Symposium, evento que aconteceu em Washington, capital dos Estados Unidos, organizado pelas escolas Curry School of Education, localizada no campus da Universidade da Virgínia, pela Digital Promise e pela Jefferson Education Accelerator.

 

Nos últimos seis meses, dez grupos de trabalho, compostos por aproximadamente 150 pessoas, passaram valiosas horas juntos e aprendendo sobre os desafios associados à detecção de técnicas mais eficazes e pensando em questões como: de que forma são tomadas as decisões sobre a tecnologia educacional desde a pré-escola até o ensino médio, o que a filantropia pode fazer para encorajar ainda mais a atuação tecnológica, com base nas evidências, o que é necessário para obter transparência de resultados importantes e até como as empresas de tecnologia educacional operam.

 

Acompanhe as próximas matérias a respeito aqui no portal Entretanto, pois nelas compartilharemos as conclusões e as recomendações dos grupos de trabalho. Nossa esperança é estimular não apenas discussões, mas também ações práticas e avanços concretos.

 

A colaboração entre os professores e especialistas da Educação é fundamental para melhorarmos as formas de utilização da tecnologia em sala de aula, como, por exemplo, a realização de pesquisas. Não é um caminho fácil, pois estamos falando de construção de um conhecimento que levará tempo até ser totalmente posto em prática.

 

Portanto, como ponto de partida, aqui estão três questões bem amplas que observamos sobre a eficácia e a evidência:

 

  1. Todos querem que sejam realizadas pesquisas e análises de implementação, mas ninguém quer pagar a mais por isso.

 

Sabemos que é utopia esperar que a adoção de cada produto de tecnologia para educação ou para a inovação curricular passará por uma triagem de controle. Os investidores de estudos nesta área estão reticentes, enquanto as escolas ou os desenvolvedores raramente querem pagar o preço por pesquisas caras. Richard Culatta e Katrina Stevens, especialistas norte-americanos em tecnologia educacional, eles salientaram que “não seria economicamente viável para a maioria dos desenvolvedores de aplicativos (ou para as escolas) gastar $250 mil dólares (uma quantia baixa para pesquisa educacional tradicional) para avaliar a eficácia de um aplicativo que custou $50 mil dólares para ser desenvolvido.”

 

Neste meio, existem iniciativas bem projetadas, que reúnem e compartilham informações relevantes sobre implementações e eficácia. Criticamente, nós precisaremos encontrar um modelo de sustentabilidade para esse tipo de avaliação rigorosa que garanta que, aos poucos, estas ferramentas se tornem fundamentais.

 

  1. Precisamos reconhecer que as evidências servem para diferentes finalidades

 

Diferentes tipos de evidência podem dar suporte a diversas finalidades. O importante é que cada decisão de utilização de uma tecnologia seja apoiada por um nível adequado de resultados evidentes. Este guia (em inglês), escrito pela Mathematica Center for Improving Research Evidence fornece uma referência útil para educadores, com tipos de evidências diferentes e como elas deveriam ser vistas. Para os educadores, seria sensato olhar a escala e o custo da decisão e determinar o tipo apropriado de evidência. Ferramentas como a Ed Tech Rapid Cycle Evaluation Coach ou Learn Platform podem fornecer um apoio útil na tomada de decisões e avaliações com o uso da tecnologia.

 

É importante lembrar que os pesquisadores e os filantropos podem usar a pesquisa acadêmica para fins diferentes dos de uma universidade. Por exemplo: os professores podem estar procurando identificar ligações causais, observando os ganhos ou as taxas de retenção, enquanto estudiosos estão focados em um contexto específico e na implementação (o que funciona para as escolas e porquê).

 

  1. É fácil culpar outros agentes pela ausência de decisões baseada em evidências

 

Todos com quem falamos concordam que a utilização de tecnologias voltadas para a Educação deve ser com base no mérito e no formato, e não no marketing da ferramenta. Mas colocar isso em prática exigirá coordenação e muito trabalho.

.

Por exemplo, os investidores muitas vezes não exibem seus investimentos nem promovem suas empresas, mesmo empreendendo nas pesquisas. Isto não é nenhuma surpresa, pois a pesquisa gera um alto custo e não implica necessariamente em sua utilização ou em apenas seu reconhecimento no mercado.  Afinal, a demanda do mercado não é impulsionada por evidências. Não se trata simplesmente de um caso em que as opções de seleção de ferramentas ou tecnologias são frequentemente impulsionadas pela pesquisa de impacto ou pela eficácia da aprendizagem, mas sim pela publicidade em torno delas. Isso pode estar mudando lentamente, mas precisamos fazer muito mais.

 

Os empresários e as organizações, cujos produtos são de alta qualidade, ficam frustrados, pois as escolas muitas vezes são seduzidas pelas táticas de vendas chamativas de seus concorrentes. Os pesquisadores sentem que seu trabalho é subestimado e subutilizado. Os educadores sentem-se oprimidos pela quantidade de reivindicações e também ficam frustrados por não terem ferramentas independentes de apoio profissional.

 

Garantir que investimentos de tecnologia voltada para a educação realmente ajudem a preencher lacunas de aprendizagem e ampliem as oportunidades dos alunos é um processo que exigirá comprometimento e envolvimento de um grupo heterogêneo de partes interessadas em ajudar a inventar um novo padrão educacional. O progresso coletivo deverá ser direcionado e significativo. E para que haja progresso, devemos tornar a eficácia e a evidência essenciais.

 

Texto originalmente publicado em The 74 Million.

Receba nossa News