Inovação no ensino superior – mais que um MOOC? – Andy Westwood

por: Andy Westwood

Todos queremos mais inovação. É um santo graal para os políticos, empresas, consumidores e cada vez mais para os serviços públicos também. Queremos fazer as coisas de forma diferente e entendemos o valor de fazer isto de forma diferente. Isto é igualmente verdade na entrega de novas tecnologias, como é na fabricação, na ciência, nas artes, no varejo, na saúde ou na educação. O bom funcionamento dos mercados e da concorrência dependem disso e as recentes reformas no ensino superior de Inglês foram projetadas para criar mais de ambos, embora nem tudo pode estar indo conforme planejado. A Agência de Regulação de Mercado (Office of Fair Trading – OFT), que em breve será da Autoridade de Concorrência e Mercados (Competition and Markets Authority – CMA), irão investigar a aparente falta de concorrência entre as universidades, mas poderiam fazer melhor se, em vez disso se debruçassem sobre a falta de inovação.
Porque a inovação pode muito bem ser a lacuna no coração da reforma do ensino superior. Isso não quer dizer que as universidades não investem muito tempo pensando, pesquisando ou ensinando sobre inovação, assim como, buscando financiamento para novos projetos em inovação. Há uma evidência: o Fundo de Inovação para o Ensino Superior (Higher Education Innovation Fund – HEIF) é bem-sucedido, mas muito pequeno. Andrew Witty, em sua recente análise, recomendou a sua significativa expansão. Mas ele realmente não estimula a inovação como tal. E não apoia universidades que trabalham com empresas e comunidades e assim, significativa renda com tais atividades. Isso não é bem a mesma coisa. Mais significativo, talvez, tenha sido o Fundo Catalisador (The Catalyst Fund), também operado pela Fundação de Financiamento para o Ensino Superior da Inglaterra (Higher Education Funding Council for England – HEFCE) que apoia instituições concentradas em mudar seu modo de operação. Este também deveria ser muito maior.
Porque que não transformamos nossa crescente expertise em inovação de maneira satisfatória, ainda apresentamos, em grande parte, uma experiência de educação superior tradicional, projetada principalmente para estudantes tradicionais. O novo sistema de financiamento, que é inovador também, preserva, ao invés de desafiar, essa ortodoxia. Na verdade, a grande questão política, para os próximos anos, parece ser como os custos crescentes de preservar e expandir esse modelo podem ser suportados.
Em 2011, o Secretário de Estado para Negócios, Inovação e Capacitação (Business, Innovation and Skills – BIS) Vince Cable, no que se tornou uma rara intervenção na política do ensino superior, disse: “Eu espero ver o setor de ensino superior ser confrontado com o aparecimento de mais concorrência e estudantes mais exigentes, um fermento para o pensamento criativo, sobre como redesenhar estruturas de cursos e gerenciar a grande mudança entre o staff, de modo a promover uma maior qualidade de ensino com baixo custo. Eu posso estar perdendo alguma coisa, mas não vi muita evidência disso ainda”.
Ele não fez muitos discursos sobre o Ensino Superior desde então. Naquela época Cable poderia estar preocupado principalmente com a falta de concorrência de preços ao invés de inovação. Mas vamos dar-lhe o benefício da dúvida por um momento. Quanta inovação pode realmente ser vista no que fazemos e em como fazemos? Cocriação de serviços? Usuários montando um currículo ou experiência inovadora, novos métodos de pesquisa ou de financiamento, novas maneiras de ensinar? E sobre novas formas ou preços para o modo de aprendizado em tempo parcial, intensivo ou misto? O sistema britânico tende a ser mais engessado do que a maioria dos outros países da OCDE, em que a diversidade entre as instituições, idades, modos de estudo e foco institucional é tipicamente muito mais ampla.
Isso é algo bom? Devemos estar preocupados? Bem, sim. Concentrando-se fortemente na graduação de 3 anos, em grande parte frequentado por estudantes vivendo longe de casa, torna-se bastante cara mesmo se você oferecer financiamento através de bolsas ou empréstimos. Economicamente é também um pouco “linear”, na medida em que coloca o gasto da maioria das pessoas com o ensino superior, no momento de suas vidas, entre a escola e a entrada no mercado de trabalho.
Isto restringe potencialmente as relações entre as universidades e o mercado de trabalho e aumenta as chances de fornecimento e procura incompatível, tanto de habilidades aprendidas quanto empregadas, bem como, das expectativas de formandos e empregadores. E um sistema baseado num prêmio de graduação e amortização somente depois de atingir um nível salarial, também ameaçaria a própria existência de financiamento.
A maioria dos planos estratégicos, adoptados pelas universidades para enfrentar a tempestade de novas políticas, bem como as mudanças sociais, econômicas e tecnológicas, dependem de uma combinação do aumento de participação no mercado (principalmente entre alunos que abandonam os estudos), posicionamento em ranking classificatórios, recrutamento de mais estudantes estrangeiros e investimento na melhoria da experiência do estudante. Tudo válido e importante, claro, mas não parece ir muito além de ingredientes ou aspirações fundamentais.
Não é preciso ser um gênio para perceber que nem toda instituição pode ter sucesso se estiver fazendo as mesmas coisas que outras. Classificações e o mercado de abandono escolar são alternativas de soma zero ou menos que zero. No primeiro ano do novo controle numérico, até mesmo universidades do Grupo Russell notaram isso no Scrum dos alunos com nível AAB A (ou equivalente).
Com um rápido declínio no grupo de 18 anos de idade, caindo a 14% até 2020, isso deveria causar preocupação em qualquer instituição.
De toda forma, somos especializados em um modelo de ensino superior tradicional, um “rito de passagem” entre a escola e o mundo do trabalho. Nós não estamos nem próximos de pensar alternativas em educação meio período ou mesmo de pós-graduação. É uma lacuna preocupante em nosso pensamento estratégico.
Setorialmente temos defendido a nossa autonomia “a todo custo”, mas na realidade deveríamos também estar defendendo o nosso modelo a muito tempo estabelecido de ensino superior?
Não devemos perder o modelo tradicional. Mas em última análise, pode vir a ser um erro caro se tentarmos concentrar a maioria de nossos recursos, bem como, as experiências dos nossos alunos, neste caminho. Os valores e modelos da educação tradicional possuem seus lugares. Ele é, afinal, o que o Secretário de Estado Michael Gove aspira criar e reforçar em seu Departamento de Educação (Department for Education – DfE). Ele quer criar novas instituições para estimular a inovação e a concorrência, mas não pode ter que também especificar o conteúdo das qualificações e do currículo, bem como, a prática de formação de professores ao longo do caminho. E se suas reformas estão certas ou erradas. Fica claro, desde sua conversa com o Comitê de Seleção do DfE, em 2012, que ele não consegue entender médias ou rankings:
Presidente: Se o “bom” exige um desempenho dos alunos acima da média nacional, e se todas as escolas devem ser boas, como isso é matematicamente possível?
Michael Gove: Ficando melhor a cada momento.
Presidente: Então é possível, não é?
Michael Gove: É possível melhorar o tempo todo.
Presidente: Você era melhor em língua que matemática, Secretário de Estado?
A coisa mais comum que vem à mente quando pensamos em inovação no ensino superior (especialmente a inovação disruptiva) é o MOOC. E ultimamente têm provado ser, mas a receptividade para o conceito continua branda nas universidades britânicas, mesmo entre signatárias do Future Learn. A Universidade Aberta (The Open University), talvez a mais notável exceção a muitas regras, possuía uma série de críticos quando foi lançada. Não seria melhor o dinheiro ter sido empregado em instituições existentes, se perguntavam líderes e comentaristas na época?
“Eu tenho trabalhado em diversas áreas do setor público ao longo dos últimos 30 anos. A maior lição que aprendi é que o mais poderoso motor de reforma é permitir a entrada de novos prestadores no sistema. Eles fazem as coisas de forma diferente, de maneiras ninguém pode prever. Eles conduzem a reforma em todo o setor. É a maré que levanta todos os barcos”.
O Ministro do Ensino Superior David Willetts, no seu discurso para reitores em 2011, pode ter pensado o mesmo que Harold Wilson e Lionel Robbins em várias ocasiões na década de 1960, a ideia de que precisamos fazer as coisas de forma diferente e inovar na maneira como oferecemos o ensino superior. Especialmente se agora, bem como, daqui para frente, queremos que muitas pessoas entrem para a universidade ou para obtenham graduação. Porém David Willetts e Vince Cable tem observado uma grande concentração no modelo dominante de graduação em tempo integral, dado que matrículas em part-time e de pós-graduação caíram drasticamente desde 2010
Colocar tanta ênfase na experiência de graduação em tempo integral – e muito financiamento também – tem reduzido o pensamento político, institucional e individual sobre qualquer outra forma de ensino. Existem algumas exceções a esta regra. Instituições que estão pensando e fazendo coisas de forma diferente. Mas não muitas. É o momento certo para mais universidades pararem para pensar sobre como o estudo da inovação pode ser aplicado a elas. Quão inovadoras podem ser? Quão inovadoras deveriam ser? Mais do que atualmente.
Andy Westwood é Diretor Executivo do GuildHE, órgão de representação do Reino Unido para o ensino superior, e Presidente do Fórum da OCDE para a Inovação Social.
Texto originalmente publicado em Pearson Blue Skies.

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