Escolhendo o melhor método para avaliação

por: Entretanto

Embora muitas pessoas acreditem que a avaliação seja a base da eficácia no ensino, ela pode ser também uma parte essencial dos esforços de melhoria contínua. Refinar uma intervenção apoiando-se em tecnologia e utilizando dados de avaliação para melhorar as práticas de implementação é essencial.

 

Qual é o próximo desafio que precisamos resolver? O objetivo destes estudos sobre avaliações é refinar as práticas em sala de aula, melhorando os resultados obtidos na última interação. Eles não são realizados para fornecer o tipo de evidência que ajudaria a decidir se vale ou não a pena implementar uma tecnologia de aprendizagem, mas podem ser utilizados como apoio da melhor forma de utilização da tecnologia escolhida.

 

Para desenvolver esta pesquisa, várias considerações são importantes:

 

  • Concentre-se no problema a ser resolvido. Por exemplo: este é um programa para avaliar os níveis baixos de alfabetização? Cada ciclo de melhoria é concebido como um passo em direção a uma meta de longo prazo mensurável, claramente definida.
  • Curse os principais indicadores. É claro que é importante ter uma medida clara a respeito da meta a longo prazo (por exemplo, notas de provas ou taxas de retenção do aluno) desde o início da iniciativa. Mas como o nome já fiz, o processo levará um longo prazo para surtir o efeito esperado, e é importante descrever e controlar os resultados iniciais e graduais. Se adotarmos um programa de aprendizagem híbrida, talvez não consigamos detectar uma melhoria nos resultados das provas logo no primeiro semestre, por exemplo, mas um resultado mais imediato poderá ser as mudanças das práticas de ensino que o programa supostamente catalisa.
  • Sucesso requer mais do que o software. Outros ingredientes essenciais de implementação incluem a articulação de novas práticas dos educadores e o fornecimento de suportes para eles. Um ou mais ciclos de melhoria podem, por exemplo, integrar o desenvolvimento profissional que os educadores recebem com a iniciativa, ou na remoção das barreiras para a adoção destas novas práticas.
  • Considere a utilização dos dados do sistema. Muitos sistemas de tecnologia de aprendizagem oferecem um número de dados sobre as trajetórias e os comportamentos dos alunos, além de fornecerem o rastreamento de resultados. A incorporação fundamentada destes dados dos ciclos de melhoria pode ajudar os educadores a compreenderem se alguns alunos não estão envolvidos com o software de aprendizagem na frequência adequada para atingirem seus objetivos de aprendizagem, ou quanto tempo eles gastam tentando resolver um problema antes de pedirem uma dica ao sistema de aprendizagem. Tais dados podem informar não apenas decisões instrucionais imediatas, como também a concepção de auxílios humanos que podem ajudar os alunos a se envolverem de maneira mais produtiva.

 

Nas faculdades americanas, os cursos típicos de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) que os alunos devem cursar são obstáculos notórios para a obtenção da graduação. As estimativas variam, mas um estudo em 57 instituições acadêmicas revelou que apenas 31% dos alunos concluíram com êxito os estudos.

 

Para abordar esta problemática, pesquisadores e educadores formaram, em 2010, uma comunidade de melhoria em rede, liderada pela Fundação Carnegie para o avanço do ensino e para o Centro Charles A. Dana, na Universidade do Texas. Esta comunidade de melhoria engajou-se a ciclos interativos de pesquisa, desenvolvimento e refinamento para desenvolver cursos híbridos para alunos. Como um primeiro passo, as instituições colaboradoras trabalharam na descompactação do problema: quais processos estariam atrasando a graduação dos alunos e como trabalhar com eles?

 

Com base em pesquisas anteriores, a equipe identificou dúvidas dos alunos em relação às suas próprias capacidades como um dos inibidores primários do sucesso e um foco na “persistência produtiva” como uma das estruturas que guiariam o projeto do programa e as interações dos educadores com os alunos.

 

Como resultado, o programa apresentava tratamento deliberado dos aspectos psicológicos do envolvimento dos alunos, tais como: a relação entre a inteligência e o esforço. Esta hipótese foi testada depois, em um número de experiências rápidas em salas de aula de diversas faculdades comunitárias participantes. Por exemplo, em um estudo, os alunos que leram um artigo sobre a capacidade do cérebro de um adulto aprender com base no esforço foi duas vezes mais plausível do que os colegas de outro grupo, que estavam prestes a concluir o curso. Estes alunos também alcançaram uma pontuação média significativamente maior em suas notas.

 

Os elementos de design, testados e específicos, parecem ter contribuído para um programa bem-sucedido. No geral, 56% dos alunos de uma das instituições participantes completaram suas demandas.

 

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Avaliando os impactos

 

A abordagem de pesquisa descrita acima é adequada para a refinação de modelos de implementação de longo prazo. Em alguns casos, este tipo de projeto em pequena escala, integrado à prática contínua, será tudo o que é necessário. Mas no caso de inovações de tecnologia de aprendizagem em grande escala, há uma necessidade frequente de relatórios para as partes interessadas. Rigorosos estudos de impacto são apropriados também em antecedência às decisões de alto risco, em um novo sistema instrucional para grande escala ou para torná-lo obrigatório.

 

Abaixo, apresentamos vários tipos de estudos de impacto que são frequentemente discutidos no contexto da tecnologia de aprendizagem, e que oferecem algumas dicas importantes de características do design. A pesquisa de impacto confiável exige o uso de um grupo de comparação ou de controle. Examinar as medidas do resultado (por exemplo, as notas do curso ou as pontuações da prova final) é um aspecto necessário, porém não é o aspecto suficiente para o impacto da avaliação.

 

Olhar para estas medidas isoladamente nas salas de aula em que estão sendo utilizados novos modelos de aprendizagem, especificamente on-line ou híbridos, não ajuda a entender o quanto de aprendizagem os alunos expostos, após experimentarem a tecnologia, pode ser atribuída a esta inovação.

 

Presumivelmente, os alunos ainda teriam aprendido algo se eles estivessem em uma aula sobre o mesmo tema, que utilizasse ferramentas e métodos diferentes. É um aumento de mais ou menos 10% na avaliação, do início ao fim do semestre que estes mesmos alunos, de alguma outra forma, teriam atingido?

 

O desempenho dos alunos nestas salas de aula “inovadoras” destina-se a aproximar dos tipos de resultados que os alunos teriam alcançado com a instrução “tradicional”. O desafio endereçado pelo projeto de pesquisa de impacto é que, devido à não-possibilidade de retorno ao passado, os resultados para diferentes alunos que estão utilizando os novos formatos servem de variáveis para o que os resultados dos alunos teriam sido, sem o novo programa.

 

Texto originalmente publicado em Pearson.

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