Ei, educadores! Todos vocês têm que entender de tecnologia!

por: Camila Achutti

Precisamos conversar sobre isso! Não podemos esconder o sol com peneira e acreditar que tudo ficará bem! Que talvez um dia a tecnologia e a educação vão fazer as pazes. Que estamos apenas vivendo apenas uma fase de transição. Que podemos deixar para a próxima geração resolver essa equação complexa: sistema e método do séc. XIX, professores do séc. XX, alunos do séc. XXI. Preciso dar uma notícia: não vai rolar!

 

Já neste segundo parágrafo, vocês devem estar pensando que essa visão advém dos meus 24 anos e amor por tecnologia, mas, na verdade, desde que os humanos deixaram de ser nômades, eles buscam meios de transmitir conhecimentos para as próximas gerações, a fim de manter o nosso desenvolvimento e resolver os problemas do mundo. E a tecnologia é um desses meios. Mais especificamente: o que mais os nativos digitais têm empatia! E um dos mais eficientes, afinal, basta olhar exemplos como o UBER, como o Facebook, o Google, que com sua tecnologia revolucionaram nossa sociedade.

 

Desde de que a gente passou a viver em um lugar só, a transmissão de informação é o centro da nossa sociedade. Por isso, nos preocupamos tanto em ensinar as crianças a lerem e escreverem, afinal, essa é a principal ferramenta que temos para fazer essa transmissão. Desenvolvemos muito a escrita e a leitura.

 

A escrita começou a se aprimorar com os povos sumérios, que tinham a necessidade de um sistema de registro de sua suas relações comerciais. E isto começou a valer dinheiro! Surge o primeiro sistema de escrita organizado. Essa atividade virou o centro da nossa sociedade. Uma figura ganhou destaque: os escribas! Eles eram respeitados por seu ofício! Há casos de faraós que eram analfabetos e não dispensavam o serviço de um escriba, que deixavam seus nomes registrados na História. Esses escribas era tão importantes pois dominavam duas tecnologias: o papiro e as tintas. E sim, elas são tecnologias de sua época!

 

A abertura do conhecimento através do Iluminismo, que criou universidades e trouxe à tona o conhecimento humano, foi o que gerou uma verdadeira revolução na escrita. Possibilitou a cópia em larga escala de livros e jornais, e as pessoas passaram a conseguir ler e entender o mundo. Era a primeira explosão. Ainda hoje temos analfabetismo, mas já avançamos muito! Ficamos realmente bons em alfabetizar seres humanos. Fizemos cartilhas, livros e métodos. A taxa de analfabetismo mundial caiu drasticamente, desde a época dos escribas. Tanto que não precisamos mais deles!

 

Agora pensem comigo no momento em que estamos passando. ESTAMOS REVIVENDO A ERA DOS ESCRIBAS! A única diferença é que dessa vez é digital! A maioria das pessoas ainda acha que tudo que acontece no mundo digital, na web, nos smartphones e notebooks, é mágica. Acreditam que esse mundo não é para elas. E você se engana se pensa que os nativos digitais já saibam tudo! Eles são apenas super usuários, mas que ainda acham que tudo é mágica, mesmo sendo super fluentes na utilização de tecnologia.

 

Sem querer soar profética, acompanhem meu raciocínio: não perguntamos para as nossas crianças se elas vão ser “escribas” quando crescerem, mas ensinamos o nosso sistema de registro para elas. Logo mais, não vamos mais perguntar se nossas crianças serão “escribas digitais”. Não dou 15 anos para que programação/pensamento computacional seja uma ferramenta de conhecimento geral, como a escrita.

 

Para elucidar: nativo digital é um termos cunhado por Prensky em 2011, e se refere aos seres humanos nascidos depois dos anos 2000 que, desde pequenos, já têm familiaridade com a internet e fazem parte de um mundo global e exponencial.

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