Educação e escolhas

por: Juliano de Melo Costa

Platão dizia que “aquele que não tem algo, e não sabe que precisa desse algo, jamais o busca”. Essa frase é especialmente verdade quando imaginamos uma pessoa que, por fatores diversos, foi afastada da chance de ser educada, ou de se educar. Muitos são aqueles que, não tendo educação, acreditam que dela não necessitam para seguir suas vidas e, portanto, não a buscam.

Nesse sentido, a vida das pessoas pode ser limitada pela falta de consciência daquilo que lhes falta. Assim sendo, as pessoas que não tiveram acesso à educação tendem a reproduzir opiniões históricas ou visões de mundo que lhe são ditas ou partilhadas pela cultura que habitam, e isso é especialmente verdade para os preconceitos que existem na sociedade.

Mas não apenas de opiniões e preconceitos vive um homem que não se educou: especialmente no campo do trabalho, esse mesmo homem tende a fazer o que os seus ancestrais fizeram, e a pensar como eles pensaram, buscando alcançar aquilo que alcançaram. Em suma, esse ser humano executa os passos em direção ao seu destino, ou seja, ao fatal resultado que sua vida já estava destinada a realizar. Mas, por que isso acontece? Porque a ausência de educação tende a limitar as possibilidades de quebrar as amarras, pular os muros, sair das caixas, de discordar.

Dito isso, tenho forte convicção de que o fato de alguém não ter educação limita severamente suas escolhas sobre o mundo. A educação amplia sobremaneira o contato do homem com ideias, com exemplos diversificados, com histórias diferentes, com pontos de vista. Nesse sentido, é como se a educação permitisse que a pessoa passasse as opções de escolha em sua vida de uma moeda para um dado, de um dado para um baralho, de um baralho para um jogo de xadrez. A educação nos permite escolher, e a escolha é um ato de liberdade.

Nelson Mandela dizia que “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Pessoas educadas não precisam mudar o mundo, mas elas têm a opção de fazer isso. A educação lhes garante uma visão plural sobre o mesmo problema que lhes permite atuar em várias frentes ou tentar e testar várias hipóteses sobre as coisas. Elas discutem, discordam, concordam, tomam posição, refletem sobre as necessidades públicas e privadas e o melhor para o bem comum, que é um princípio ético.

Aliás, como as pessoas não nascem éticas, é necessário educá-las para a ética. Como as pessoas não nascem pensando no bem comum e não têm um gene dizendo “respeite os mais velhos”, é necessário educá-las para tal. Geralmente, pessoas mal-educadas tendem a seguir o senso comum social, que é carregado de juízos preconcebidos. Pessoas bem-educadas tendem a pensar sobre o problema e tomar uma decisão, ainda que seja seguir o senso comum social. Porque a quem foi dada (ou buscou) educação foi dada escolha, a quem não a teve (ou não buscou) foi determinado um destino.

E para completar a frase acima de Nelson Mandela, invoco o inspirador Paulo Freire, para quem “a educação não muda o mundo. A educação muda as pessoas, e as pessoas mudam o mundo”. É nesse sentido que imagino que feliz é o ser humano que é educado ou se educa, pois à sua frente vai se descortinando sempre um fabuloso leque de opções de entendimento sobre um mundo infinito, incompleto e em permanente estado de construção… ou desconstrução, se você for muito bem educado!

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