É tempo para uma melhor conversa sobre o que funciona na educação –

por: Amar Kumar

Isto funciona? Será que vai ajudar os alunos? É algo bom? É tempo para uma melhor conversa sobre o que funciona na educação
Como professor, eu estava constantemente inundado com modismos, tendências e inovações para a minha sala de aula. Notáveis eram as ferramentas digitais. Os nomes de produtos mudaram, mas o tom era basicamente o mesmo: “Compre o nosso aplicativo ou software e os professores serão mais eficazes, os alunos irão aprender mais, os pais serão mais felizes e sua escola vai economizar dinheiro”.
Como podem os professores saberem quais as ferramentas digitais realmente funcionam para melhorar a aprendizagem dos alunos?
A única coisa que eu não tinha o suficiente, ainda, era uma evidência para mostrar que qualquer uma dessas inovações funcionou melhor do que o que eu já estava fazendo. Como um professor em sala de aula muitas vezes eu me senti igual a um capitão de barco navegando no obscuro e perigoso rio Amazonas – no escuro, sem um guia, ou mesmo uma bússola.
Nos últimos cinco anos, esse sentimento só foi exacerbado. Centenas de milhões de dólares foram gastos para encontrar “a próxima grande coisa” em educação tecnológica, mas você teria dificuldade para encontrar o financiamento ou a atenção dirigida para ajudar os professores a tomar decisões sustentadas por evidências.
O mercado de tecnologia da educação está, sem dúvida, lotado. Comparar um produto com outro é quase impossível. Então, quando eu ver manchetes como “A tecnologia na sala de aula não faz estudantes mais inteligentes” (fazendo referência ao recente relatório da OCDE), ler em Fast Company “Estamos gastando US $ 10 bilhões em tecnologia de sala de aula para crianças – Mas isto os está ajudando a aprender?”, ou ouvir as organizações argumentarem que “As escolas devem parar de desperdiçar dinheiro comprando iPads e brilhantes Gadgets”, isso não me choca ou surpreende.
Então, aqui vai uma pergunta para todos nós: podemos deixar os velhos debates e voltar para uma conversa construtiva?
Corretamente utilizadas, ferramentas digitais podem ajudar no envolvimento dos alunos, encorajando “a aprendizagem visível” e impedindo os alunos de alterar instruções
Estamos todos de acordo em algumas coisas.
Primeiro, sabemos que a maioria dos educadores agora veem o potencial da tecnologia para transformar sua prática.
Segundo, sabemos que ferramentas digitais mais inteligentes estão ajudando a aumentar o acesso e o sucesso para alunos globalmente.
Terceiro, sabemos que a aprendizagem dos alunos é reforçada quando a tecnologia apoia um educador capacitado.
E, finalmente, também sabemos que para ajudar os alunos de forma mais eficaz, precisamos fazer um trabalho melhor.
Assim, no espírito de um diálogo construtivo, aqui estão três maneiras para que – em uma comunidade educativa – possamos fazer um trabalho melhor e o que já está acontecendo para responder a essas perguntas.
1) Precisamos de uma avaliação melhor das ferramentas digitais
Medições estáticas não podem avaliar efetivamente ferramentas dinâmicas e em evolução. Richard Culatta do Departamento de Educação Americano (USDOE) observou que a pesquisa longitudinal pode levar até dois anos para avaliar um aplicativo, mas no momento em que a pesquisa for concluída, esse aplicativo poderá ter mudado mais de 20 vezes.
Daqui para frente, devemos encorajar os ensaios de ciclo rápido para avaliar a eficácia de novas tecnologias. Novas metodologias de pesquisa terão de ser desenvolvidas com o professor como o cliente final. O objetivo dessas avaliações devem ser permitir a um professor perguntar: “Quão bem isto vai funcionar na minha sala de aula?”

A Fundação Gates, Digital Promise, USDOE, Education Endowment Foundation e outros grupos estão explorando como ferramentas como avaliações de ciclo rápido, parcerias entre escolas e links melhores com a sala de aula, podem rapidamente e com precisão avaliar a eficácia das ferramentas digitais. O nosso próprio programa de eficácia na Pearson, está começando a descobrir essas perguntas e estamos compartilhando abertamente o que estamos aprendendo.
2) Precisamos de melhores maneiras de encontrar boas ferramentas
Avaliar e construir bons produtos é importante, mas os professores e os pais precisam maneiras fáceis e acessíveis para descobrir o que funciona. Basta pensar sobre onde você olha para encontrar um bom restaurante ou médico? Quase 80% dos professores americanos acreditam que “é pelo menos um pouco difícil descobrir tecnologias educacionais de alta qualidade” e acham que as escolas poderiam estar comprando ferramentas digitais mais eficazes.
Professores sabem mais: O que educadores esperam de ferramentas digitais? O setor precisa de sites dinâmicos onde os resultados de estudos e as opiniões de professores e pais possam ser consolidadas. Estes centros precisam ser construídos para os professores descobrirem soluções para os desafios específicos que enfrentam em salas de aula.
Grupos como Edsurge, Grafite e Digital Promise estão fazendo um bom começo e, na Pearson, estamos tentando fazer a nossa parte. Ao longo dos próximos meses e anos, publicaremos relatórios transparentes sobre a eficácia de todos os nossos produtos. Estes resultados não serão baseados em testes de laboratório, mas sobre o que acontece quando as ferramentas são colocadas nas mãos de professores e alunos.
3) Precisamos ajudar os educadores a tirar o máximo proveito das ferramentas digitais
Com livros didáticos os professores precisam muito pouco apoio da editora sobre como usá-los para melhorar a sua instrução. A tecnologia da educação muda a relação, entre o professor e o provedor da ferramenta, e levanta a questão de qual é a infraestrutura necessária nas escolas para que as ferramentas funcionem.
O desafio é bem resumido pela OCDE: “Adicionando tecnologias do século 21 para as práticas de ensino do século 20 só vai dissolver a efetividade do ensino. Se queremos que os alunos se tornem mais inteligentes do que um smartphone é preciso pensar muito sobre a pedagogia que estamos usando para ensiná-los. A tecnologia pode ampliar o bom ensinamento, mas não pode substituir o ensino fraco”.
Há, infelizmente, demasiados exemplos de tecnologias que funcionam no laboratório, mas não no contexto da sala de aula. E, mesmo se as tecnologias são eficazes, ainda podem fracassar por escolas que não tenham largura de banda ou de infraestrutura suficiente.
A construção de melhores ferramentas para professores deve envolver startups de tecnologia educacional para fazer perguntas como estes.
Meu colega, Katelyn Donnelly, trabalhou com o Professor Michael Fullan para escrever Alive in the Swamp, um relatório sobre o que o “bom” significa para a inovação em educação digital.
O relatório apresenta uma estrutura para avaliar as inovações alinhadas com a teoria pedagógica, a mudança do sistema e os requisitos de tecnologia. Frameworks como este podem e devem ser adotados por diretores de escolas e do sistema, para ajudar os professores a tirar o máximo proveito das ferramentas digitais.
Melhores resultados do aluno começam com melhor instrução e produtos mais inteligentes. Para construir melhores produtos, precisamos fazer perguntas melhores, tais como, “Isto funciona? E, em que circunstâncias? ”
Os professores já fazem isso. Já é hora de o resto da comunidade de educação começar a oferecer respostas significativas.

Tome este post como o início de uma conversa construtiva. Estou ansioso para ouvir e responder aos seus pensamentos – aqui ou no Twitter – o difícil, mas vital desafio da melhor forma de ajudar os alunos a aprender.
Originalmente publicado no Medium.

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