Currículo baseado em competências

por: Raphaela Novaes de Moraes

A fragmentação do conteúdo é um grande problema no modelo educacional. Especificamente no Ensino Superior, momento em que estudante precisa ter a clareza, ao se formar, de como irá aplicar os conhecimentos apreendidos ao longo de quatro anos ou mais, a estrutura do currículo por disciplinas torna-se um fator de dificuldade.

Um estudante de enfermagem, por exemplo, ao terminar a graduação, necessita saber aplicar uma injeção. No entanto, os conhecimentos necessários para realizar tal tarefa envolvem diferentes áreas do conhecimento ( anatomia, para saber onde aplicar a injeção, fisiologia, para compreender o funcionamento dos organismos e o impacto do medicamento, entre outras). Esses conteúdos encontram-se distribuídos entre disciplinas e são lecionados por professores diferentes que, normalmente, não dialogam entre si. Fica ao cargo do estudante conectar estes conhecimentos e, muitas vezes, desenvolver por conta própria sua competência.

Muitos são os estudantes que relatam, ao finalizarem a graduação e ingressarem ao mercado de trabalho, que encontram dificuldades para colocar em prática todo o conhecimento adquirido ao longo da formação. E justamente a falta de conexão entre os conteúdos é um dos fatores que certamente gera esse déficit.

Segundo Perrenoud (1999, p. 30): “Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações e etc.) a fim de solucionar, com pertinência e eficácia, uma série de situações”. Pensando nisso, os conteúdos trabalhados de maneira isolada e desconectada entre si não dão conta de desenvolver competências.

Após realizar pesquisas com estudantes, pesquisar a fundo o tema e realizar algumas experimentações, o Centro Universitário Celso Lisboa, localizado na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ), decidiu por implementar, em todos os seus cursos de graduação, um currículo baseado em competências.

Desde o primeiro período de 2017, os estudantes da graduação da Celso Lisboa não possuem mais disciplinas, mas competências a serem desenvolvidas ao longo dos semestres, através da realização de projetos reais e da aprendizagem colaborativa, com um modelo de avaliação formativa e abolindo as provas (que são temas bastante interessantes e amplos também, assunto para uma próxima publicação). Desde então, o foco deixou de ser na transmissão do conteúdo e voltou-se para o desenvolvimento de competências – que envolvem conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser).

Os desafios têm sido enormes, mas o resultados maiores ainda!

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