Como a educação será mais inteligente, menos intrusiva e adaptativa

por: Entretanto

A tecnologia está cada vez mais voltada para a educação. Afinal, a interferência dela está acontecendo em todos os outros setores da sociedade, então, por que não na educação? Eu conheço muito bem (dentro da Pearson ou dentro sala de aula) os desafios e as frustrações de desenvolver e utilizar ferramentas digitais que melhorem os resultados dos alunos. Mas estou otimista. Estamos à beira de uma onda de inovação que, se permitida a se espalhar, turbinará a experiência da aprendizagem.

 

Conheçam quatro áreas da educação tecnológica que devemos ficar de olho:

 

1.Uso da tecnologia para aprender com os alunos

 

Todo bom produto digital evolui continuamente, aprendendo com seus usuários, adicionando recursos e melhorando seu desempenho. Se isso é verdade para o feed de notícias do seu Facebook, por exemplo, por que não pode ser para a educação?

 

O potencial está lá, conforme aponta um relatório recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre alunos, computadores e aprendizagem. A OCDE mostrou como o clickstream e a navegação monitorada nos leitores digitais podem ser usadas para verificar como os alunos processam um texto on-line, e como chegam às respostas de maneiras diferentes.

 

Na prática, as empresas como a Renaissance Learning podem apontar pequenas margens de uso (4,7 minutos) de seu programa de leitura, separando os alunos mais avançados dos alunos que demandam de mais tempo de adaptação da ferramenta.

 

Da mesma forma que a Amazon “sabe o que você quer antes de comprar,” as empresas de educação e tecnologia também estão começando a construir algoritmos que podem tornar a aprendizagem mais pessoal. Por exemplo, com base nos comportamentos de alunos bem-sucedidos, podemos começar a prever se um aluno está no caminho certo ou em risco.

 

Isto permite que os professores intervenham e ajudem quando um aluno precisar de ajuda. Isto também permite que os desenvolvedores de conteúdo para educação ajustem o material de aprendizagem, tal como:  o comprimento de um vídeo ou de um artigo, com base em como um aluno interage com ele e progride nas atividades subsequentes.

 

Produtos voltados para a aprendizagem devem evoluir continuamente para o benefício dos alunos e da aprendizagem. Os desenvolvedores devem certificar-se de que as melhores ideias, resultantes da ciência do aprendizado, da prática de ensino, do feedback do professor e da analítica da aprendizagem, informem essas alterações.

 

A interação constante, o investimento e a aprendizagem incorporada fornecem um grande exemplo do que as empresas investidoras em tecnologias educacionais poderiam fazer.

 

Leia mais: A eficácia das tecnologias de aprendizagem.

 

Assista: Educação de Tecnologia X Tecnologias Educacionais.

 

2.Utilizar a tecnologia para adaptá-la ao sentimento da sala de aula

 

 

As tecnologias voltadas para a aprendizagem adaptável abordam o que um aluno sabe e pode fazer. Programas como o Knewton alteram o que as lições oferecem com base em como os alunos individuais lidam com a resolução de problemas e onde eles podem apresentar déficit de conhecimento.

 

No entanto, um número grande de pesquisas mostra que a maneira que um aluno se sente (frustrado, entediado ou confuso) influencia no quanto ele aprende.

 

Porém, a tecnologia pode adaptar isto para aumentar a aprendizagem?

 

A agência DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) acredita que sim e está disposta a investir em grandes ideias para conseguir o que eles chamam de Aprendizagem de Amplo Espectro (Full Spectrum Learning). E nós já estamos acompanhando alguns exemplos disso nas configurações de laboratório.

 

Os pesquisadores monitoraram as emoções dos alunos ao utilizarem o Crystal Island, um jogo baseado no ambiente de aprendizagem e utilizaram essa pesquisa para prever como os alunos reagirão em outras situações de aprendizagem. O London Knowledge Lab está explorando a criação de uma ferramenta que permitirá que o feedback seja ajustado com base no estado emocional do aluno.

 

Estes esforços alinham-se com um número maior de pesquisas de ferramentas inteligentes que podem se adaptar às emoções do aluno (ou até “afetarem”), e como elas podem contribuir para o aprimoramento de seus resultados.

 

3.Construir avaliações invisíveis

 

Ensine. Pare. Avalie.

 

Isso pode ser um pouco cansativo e perturbador para os professores, além de não ser necessariamente uma forma de trabalho efetiva para media o nível de aprendizagem dos alunos. Finalmente, estamos enxergando exemplos para que possamos ir além desse tipo de abordagem.

 

Os professores agora podem utilizar a enorme quantidade de dados coletados on-line, em espaços como jogos ou realidades virtuais, para compreenderem o progresso do aluno e saberem por onde prosseguir de uma forma que seja personalizada para cada um.

 

Tome como exemplo o jogo SimCityEdu: Pollution Challenge (desafio de poluição) desenvolvido pela GlassLab Games, no qual os alunos aprendem como o planejamento da cidade é impactado por questões ambientais.

 

Na medida em que jogam, o sistema captura suas ações como: a sequência do que fazem ou os pedidos de ajuda, e interpreta padrões em dados para avaliar o quanto o jogador compreende conceitos importantes.

 

Isto ajuda os professores a avaliarem melhor como um aluno resolve problemas, ao invés de apenas o produto final do seu trabalho. Em tempo, jogos de aprendizado como este devem diminuir a dependência de avaliações “pare-e-teste”, e fornece mais informações em tempo real aos professores.

 

4.Manter o ritmo através da tecnologia dentro da sala de aula

 

Na medida em que evoluímos para ferramentas digitais educacionais, o volume de ferramentas disponíveis aos professores aumentou dramaticamente. Algumas ferramentas, muitas vezes os aplicativos, estão enraizadas na pesquisa, na pedagogia e na melhoria contínua.

 

Conclusão

 

Já escrevi anteriormente que nossa capacidade de avaliar o que funciona deve acompanhar o ritmo em que a velocidade e as formas de tecnologia são desenvolvidas.

 

As atuais formas de testar a eficácia de ferramentas digitais levam muito tempo: no prazo de dois anos em que se leva para executar o estudo típico, um aplicativo pode ter mudado mais de 20 vezes. Observemos para ver o que acontecerá com os esforços do departamento de educação dos Estados Unidos para financiar a criação de uma ferramenta pública para fornecer pesquisa rápida e rigorosa para medir a eficácia das ferramentas digitais.

 

Esses esforços e outros, tais como o Desafio da Avaliação de Ciclo Curto (Short Cycle Evaluation Challenge) realizados pelo programa iZone do Departamento de Educação da cidade de Nova Iorque, serão fundamentais para garantir que os tipos corretos de inovação sejam capazes de espalharem-se pelas escolas.

 

Enquanto estas não são as únicas formas da tecnologia a serem inserida na educação do século XXI, estou observando-as de perto, devido ao seu potencial de habilitar professores e liberar a aprendizagem. Devemos experimentá-las, mas educação não se sustentará apenas com um aplicativo incrível.

 

É pouco provável que vejamos um “uber para álgebra”, porque a aprendizagem é muito mais complexa para reduzi-la a um smartphone. O que precisamos é de um esforço conjunto realizado por pesquisadores para estudar o funcionamento de cada aplicativo ou dispositivo novo.

 

Em seguida, os desenvolvedores precisam pegar essas ideias e criar produtos inovadores. E, por fim, os educadores precisam pilotar estes produtos dentro da sala de aula e fornecerem o feedback necessário para melhorá-los.

 

Questiono com frequência quando veremos a verdadeira interferência na educação?

 

Minha resposta: quando todos nós descobrirmos como trabalhar juntos para melhorar os resultados de cada aluno.

 

Texto originalmente publicado em Tech Crunch.

Receba nossa News

A Educação é feita da união de conhecimentos. Preencha seu e-mail e receba nossos conteúdos atualizados!

*Não lote sua caixa de e-mail. Nossas newsletters são enviadas quinzenalmente e trazem um resumo dos melhores conteúdos publicados.